Um livro muito interessante, este “Uma Janela para o Infinito”, do francês Denis Guedj, e cujo título está extremamente apropriado quando nos inteiramos do desenvolver da “acção”.
Trata-se do encontro improvável entre um já idoso e célebre matemático alemão, que mais não é que uma personagem decalcada do matemático de origem russa, mas tendo vivido quase toda a sua vida na Alemanha, Georg Cantor, e um jovem soldado francês vindo da terrível frente de combate durante a I GGuerra, e que antes dela havia sido maquinista de comboios.
Confinados num mesmo quarto de um hospital psiquiátrico, estas duas pessoas tão diferentes acabam por se entender e transmitem-se mutuamente os seus saberes, isto é as suas vidas: por um lado um homem que deu tudo aos estudos matemáticos, com as suas descobertas da matemática moderno (os conjuntos, a noção de infinito) e por outro um rapaz abandonado à nascença e dado por adopção a um casal francês e que escolheu a via libertária de Jean Jaurés para se entusiasmar pela vida.
Vão transmitindo um ao outro o que cada um deles nunca terá pensado saber, e daí nasce uma amizade que é também uma forma de diminuírem os problemas mentais que os afligem e que os levaram à situação em que se encontram.
Claro que só um escritor com vastos conhecimentos matemáticos poderia ter escrito este livro e a única “fraqueza” dele, e que é bastante grande para a maioria dos leitores é o grande tempo que o autor “gasta” com essas descrições sobre a nova matemática.
De resto é admirável a assimilação de conhecimentos que cada uma das personagens tem de matérias tão diversas e o bem que essa transmissão traz ambos.
Uma última nota para a coincidência perfeitamente casual de eu acabar de ler este livro numa visita que estou a fazer a um “amigo” muito especial, que está a exercer medicina, precisamente num hospital psiquiátrico, exactamente na Alemanha – claro que já lhe aconselhei o livro com veemência.