«Mil e duzentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo, vivia na ilha grega de Ítaca um jovem príncipe chamado Telémaco. Seu pai tinha partido para a guerra quando ele era ainda bebé.» Assim começa a narração da Odisseia de Homero Adaptada para Jovens, escrita por Frederico Lourenço a partir da sua tradução do original de Homero, em grego clássico. Mantendo sempre vivos o rigor histórico e a qualidade literária, Frederico Lourenço desperta nos jovens a vontade de acompanhar as aventuras de Ulisses/Odisseu, transformando um dos livros fundamentais da nossa civilização numa aventura para todas as idades.
FREDERICO LOURENÇO nasceu em Lisboa, em 1963. Licenciou-se, em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa, onde se viria a doutorar (1999) com a tese Euripidean Lyric: metre and textual tradition. É professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da mesma instituição. Tem-se dedicado à tradução e ao comentário de clássicos da literatura grega e latina (com destaque para Homero, Vergílio e Horácio), assim como ao estudo do Novo Testamento e da versão grega do Antigo Testamento (Septuaginta). Além do estudo da poesia grega, tem-se dedicado à exegese da obra de Platão e Camões. Colaborou com a Cinemateca Portuguesa na elaboração de textos sobre cinema e na feitura de vários catálogos. Publicou ensaios de crítica literária nas revistas Journal of Hellenic Studies, Classical Quarterly, Euphrosyne, Humanitas e Colóquio-Letras. Foi colaborador dos jornais Independente, Expresso,Público e do Diário de Notícias. Traduziu também duas tragédias de Eurípides, Hipólito e Íon.
Ulisses faz parte da galeria de pessoas/mitos que admiro profundamente. Entre o desenrascar e o amor intenso à família este homem do mil ardis é um herói, um homem que lutou contra tanto para estar junto dos que ama. As diferentes versões adaptadas da Odisseia foram um encanto sem fim ao longo da minha vida.
Achei uma boa leitura para conhecer um pouco da mitologia grega. Certamente não substituirá A Odisseia, mas ajuda a ganhar coragem, e curiosidade, para ler as grandes epopeias da mitologia grega.
Com algum fascínio pelo Universo dos Deuses Gregos, mas aflorando sempre a sua essência, foi com algum otimismo que li esta Odisseia de Homero. Ulisses, um homem atormentado pelo abandono dos Deus sofre diversas provações. Os Deus abandonam-no, mas realmente nunca o deixam só. É interessante verificar esse paradoxo em toda a narrativa. Ulisses de mil ardis tem sempre um Deus ou uma Deusa do seu lado, por isso os seus sofrimentos são recompensados. Não pretendo aqui fazer juízos de valor de uma obra que não é do nosso tempo. Dada a sua dimensão esperava algo diferente, mas não me desiludiu.
Ler o livro original da Odisseia nem se colocava em questão, mas queria saber um pouco mais da história antes da estreia do filme do Christopher Nolan e nada melhor do que esta adaptação do Frederico Lourenço.
Por momentos voltei a ter 10 anos, por ter lido uma adaptação na escola nesse momento e me ter marcado profundamente, e entendi o motivo de esta história ser tão atual: o herói que, depois de vencer uma guerra, tem contratempos terríveis, com vários vilões a impedir o regresso a casa, e que consegue alcançar o seu objetivo.
Agora resta ver a adaptação nos ecrãs do cinema e, quem sabe, ler o livro original.
Quando li a adaptação de João de Barros era adolescente e adorei. Acho que não devia ter voltado a ler porque foi uma desilusão. Pode ser da adaptação de Frederico Lourenço mas não acredito pois o próprio autor diz que tentou diminuir as redundâncias e contradições. A própria época em que o machismo e a futilidade vingavam é que não ajuda. Tinha na mente um Ulisses herói que usava a inteligência mais do que a força. Infelizmente acabei-o a achá-lo um homem violento e narcisista. A Penélope é uma fraquinha...
Esta é uma boa adaptação de uma das obras mais importantes da literatura mundial. A escrita é acessível, tornando a leitura e a compreensão da história mais fáceis. No entanto, ao terminar o livro, fiquei com vontade de ler a versão em verso. Apesar de a adaptação cumprir bem o seu propósito, senti falta do lado mais poético e da beleza da linguagem que se associa a uma epopeia.
Um livro muito bem adaptado e cativante! A forma como a história foi narrada é fácil de entender e interessante, mas não infantil - apesar de ser adaptado a jovens. Sem dúvida que despoleta a curiosidade pela Mitologia Grega e pela Antiguidade Clássica.
A Odisseia narra a atribulada viagem de Ulisses (ou Odisseu), rei de Ítaca, de regresso a casa após a Guerra de Troia (que dura 10 anos). A sua viagem de retorno prolonga-se por mais 10 anos devido à fúria dos deuses, especialmente de Posídon.
A estrutura do poema divide-se habitualmente em três grandes blocos: • A Telemaquia (Cantos I a IV): Foca-se em Telémaco, filho de Ulisses, que viaja pelo Peloponeso em busca de notícias do pai, enquanto tenta proteger a sua mãe, Penélope, de dezenas de pretendentes que invadiram a sua casa para tomar o trono. • Os Regressos de Ulisses (Cantos V a XII): Ulisses liberta-se da ninfa Calipso e naufraga na ilha dos Fecanos. Ali, narra as suas aventuras passadas: o confronto com o Ciclopes Polifemo, o feitiço da bruxa Circe, o canto fatal das Sereias e a descida ao Mundo dos Mortos (Hades). • A Vingança (Cantos XIII a XXIV): Ulisses regressa a Ítaca disfarçado de mendigo com a ajuda da deusa Atena. Ele planeia a sua vingança, passa o teste do arco de Penélope e massacra os pretendentes, restaurando a ordem no seu reino.
Descrição e Evolução dos Personagens 1. Ulisses (Odisseu) • Descrição: Herói da história, rei de Ítaca, marido de Penélope e pai de Telémaco. É conhecido pela sua mêtis (astúcia, inteligência e sagacidade) em vez da força bruta pura. • Evolução: No início da viagem, Ulisses é arrogante. O seu maior erro ocorre ao derrotar o Ciclope Polifemo, onde o seu orgulho (húbris) o faz gritar o seu nome real, permitindo que Posídon (pai do Ciclope) o amaldiçoe. Ao longo dos 10 anos de provações, Ulisses aprende a conter o seu ego, a dominar os seus impulsos e a aceitar a mortalidade (rejeitando a imortalidade oferecida por Calipso). Quando regressa a Ítaca, aceita vestir-se como um mendigo humilde, demonstrando que a sua paciência e autocontrolo superaram o orgulho heroico do passado. 2. Penélope • Descrição: Rainha de Ítaca e esposa de Ulisses. É o símbolo máximo da fidelidade, paciência e resiliência feminina na literatura clássica. • Evolução: Inicialmente, Penélope é vista como uma figura passiva e vulnerável, que chora o desaparecimento do marido enquanto usa o estratagema de tecer e destecer uma mortalha para adiar os pretendentes. Contudo, ela evolui para mostrar uma astúcia que rivaliza com a do próprio Ulisses. No final, ela não aceita o marido de imediato; testa-o com o segredo do segredo da cama real (feita a partir de uma oliveira enraizada), provando que se tornou uma estrategista fria e perspicaz. 3. Telémaco • Descrição: Filho de Ulisses e Penélope. No início da obra, tem cerca de 20 anos e vive na sombra da ausência do pai. • Evolução: É um dos personagens com o arco de crescimento mais claro (um protótipo de Bildungsroman ou romance de formação). Começa a narrativa como um jovem indeciso, impotente e submisso perante os abusos dos pretendentes. Impulsionado por Atena, ele assume a liderança, convoca uma assembleia e viaja sozinho para o estrangeiro. Esta jornada transforma-o num homem maduro, diplomático e num guerreiro digno, capaz de lutar lado a lado com o pai na reconquista de Ítaca.
Resenha Crítica A Odisseia não é apenas uma história de monstros e deuses; é uma profunda meditação sobre a condição humana, a identidade e o conceito de "lar". Ao contrário da Ilíada, que celebra a glória militar (kleos) e a tragédia da morte na guerra, a Odisseia celebra a sobrevivência e a preservação da vida. O grande trunfo literário da obra reside na sua complexidade narrativa. Homero quebra a linearidade temporal ao começar a história in media res (a meio dos acontecimentos) e ao usar Ulisses como um narrador em primeira pessoa durante os cantos centrais. Isto transforma o herói num contador de histórias, levantando questões modernas sobre a fiabilidade da narrativa. A nível temático, o poema fundamenta-se na xenia (a lei sagrada da hospitalidade grega). Os personagens são julgados moralmente pela forma como tratam os estrangeiros: os pretendentes e o Ciclope violam a xenia e são punidos; os Fecanos e o guardador de porcos Eumeu praticam-na e são recompensados. O regresso de Ulisses a Ítaca funciona como uma restauração da ordem cósmica, social e familiar que tinha sido corrompida pela guerra. Em suma, a Odisseia continua atual porque Ulisses representa o ser humano eterno: um caminhante que enfrenta o desconhecido, falha devido aos seus próprios defeitos, mas reconstrói-se através da inteligência e da resiliência para encontrar o seu lugar no mundo.
A adaptação cinematográfica de "A Odisseia" por Christopher Nolan transforma o clássico poema épico de Homero em uma narrativa moderna, focada em dilemas psicológicos e no trauma de guerra, distanciando-se da visão heroica e mítica original.
Psicologia e Perfil do Herói • Livro: Odisseu é um estratega genial, astuto e orgulhoso das suas vitórias, que aceita as suas ações em Troia como parte da glória militar. • Filme: Odisseu carrega um forte sentimento de culpa e sintomas de perturbação de pós-guerra, questionando o custo moral dos seus atos passados.
O Papel dos Deuses • Livro: Os deuses gregos (como Atena e Poseidon) interferem ativamente e de forma constante nos destinos e combates humanos. • Filme: A presença divina é bastante reduzida ou quase omitida, priorizando uma abordagem mais realista e focada nas escolhas humanas.
Estrutura e Acontecimentos • Livro: Odisseu relata as suas viagens anteriores aos Feácios já numa fase avançada da narrativa. • Filme: As memórias e flashbacks do herói ocorrem principalmente durante a sua estadia na ilha de Calipso, alterando a ordem cronológica dos eventos.
Essa é uma das obras mais emblemáticas da literatura clássica e um verdadeiro épico que narra as aventuras de Ulisses (também conhecido como Odisséu) na sua longa jornada de volta para casa após a Guerra de Troia. A narrativa começa com uma ausência: Ulisses está há vinte anos longe de Ítaca, sua ilha natal, após uma série de peripécias marítimas e encontros com monstros, deuses e criaturas míticas. A história não inicia com o herói enfrentando monstros ou batalhas épicas, mas sim com a casa de Ulisses invadida por pretendentes que desejam tomar o trono, enquanto sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco enfrentam a incerteza de seu paradeiro.
O poema revela uma dimensão mais profunda do que a simples aventura. Por trás das ações dos heróis, há temas universais como o desejo de voltar para casa, o amor, a fidelidade, a esperança e a resistência. Penélope, por exemplo, tece e destece uma mortalha para adiar seu casamento com os pretendentes, simbolizando a espera e a fidelidade ao marido desaparecido. Telêmaco, que nunca viu o pai, cresce ouvindo histórias lendárias, carregando a esperança de reencontrá-lo.
Ulisses, enquanto está preso na ilha da ninfa Calipso há sete anos, recusa a imortalidade que ela lhe oferece — um símbolo de uma vida eterna sem dor, sem envelhecimento, no paraíso. Sua decisão revela uma compreensão profunda: a vida com limites, com dificuldades e com despedidas, é mais valiosa do que uma existência eterna vazia. Essa escolha é uma das ideias centrais do poema: que a finitude dá sentido às nossas ações, às nossas emoções e à nossa humanidade.
A narrativa avança através de uma série de episódios míticos: a fuga do Ciclope Polifemo, que Ulisses cega com astúcia; o encontro com Circe, que transforma seus homens em porcos; o canto sedutor das sereias, que quase levam Ulisses à perdição; o confronto com os monstros Sila e Caríbdis, que representam os perigos de escolhas difíceis; e, por fim, o encontro com Aquiles no mundo dos mortos, onde o herói revela que preferiria estar vivo, mesmo em uma condição de servidão, do que ser uma lenda eterna.
O livro também trabalha o tema da vaidade e do orgulho, exemplificado na arrogância de Ulisses ao se revelar ao Ciclope, e na sua tentativa de ouvir o canto das sereias, que quase lhe custa a vida. Além disso, há uma reflexão filosófica sobre a morte, a glória e o significado de viver uma vida autêntica, longe das tentações de esquecer quem somos ou de abandonar nossos valores.
Ao chegar finalmente em Ítaca, Ulisses se disfarça de mendigo para testar a lealdade de seus súditos e de sua esposa. O reconhecimento ocorre na cena do cão Argos, que, apesar de anos esquecido e abandonado, reconhece seu mestre e morre feliz ao vê-lo de volta. Penélope também o reconhece pelo segredo que só eles compartilham, revelando que o verdadeiro amor e fidelidade estão na intimidade e na confiança, e não na aparência.
A Odisséia é uma narrativa que vai além da aventura: é uma reflexão sobre o que significa voltar para casa, resistir às tentações do esquecimento, manter-se fiel a si mesmo e compreender que a verdadeira glória está na coragem de enfrentar a mortalidade e o amor que dá sentido à nossa existência. É uma obra atemporal que fala diretamente ao coração do leitor, convidando-o a pensar sobre sua própria jornada e os valores que guia sua vida.
SPOILERS: o final é meio anti climático. quer dizer, o ulisses vai para a guerra, vence, mas n consegue voltar para casa, sofre muito etc. até aqui tudo bem. mas depois ele traí a mulher (com uma deusa por isso tbm n sei se ele podia recusar) volta para casa, mata uma data de gente (justo que eles eram mauzões e estavam a comer a comida dele) mas depous n há consequências????? os pais dos mortos só aceitaram que eles morreram pq "os deuses deitaram uma névoa na cabeça deles" ?????? meio estranho
Um livro que li de um só fôlego. Adorei a jornada das personagens e a atmosfera construída ao longo da narrativa. A motivação, a compaixão, a coragem e o espírito de sacrifício demonstrados por cada personagem na tentativa de proteger aqueles que amavam tornaram a história profundamente envolvente. É uma obra que relembra valores que, na minha perspetiva, se têm vindo a perder nas sociedades modernas, onde o sentido de comunidade e de proteção do próximo parece cada vez mais raro. Uma leitura memorável e merecedora de cinco estrelas.
É um bom livro e apresenta de uma maneira sucinta e com linguagem adequada a Odisseia. No entanto, sinto que há momentos (por exemplo, com as figuras divinas) que podiam ser mais elaboradas, uma vez que também sinto que poderiam servir de bom paralelo com cenas d'Os Lusíadas, que são estudados pelos alunos portugueses que são o público alvo deste livro.
O livro é bastante detalhado. É um pouco difícil de ler, mas se estivermos atentos percebemos tudo. Eu ainda o estou a ler, ou seja, não sei o final, mas, a minha parte favorita de ler é a vontade de saber o que se segue.
Li ele para a escola durante meu clube do livro, dei 2 estrelas pois não é uma história que me agrada, a leitura acaba sendo extremamente lenta por conta do português colonial
Achei que eu não sabia absolutamente nada sobre essa história turns out eu sabia absolutamente tudo e obviamente li a adaptação para jovens pq eu hein, me odeio mas nem tanto