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A Vida Airada de Dom Perdigote

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Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e II de Portugal promove festejos imperdíveis na cidade de Valladolid, sede da Corte e capital do império. E, se para aquele umbigo do mundo – onde desaguam todos os vícios, velhacarias e vilanias – concorrem nobres e ladrões, damas e rameiras, será mais do que certo que, depois de um périplo por Badajoz, Sevilha, Trujillo ou Toledo, siga também para lá Tanganho Perdigão Fogaça, conhecido por Dom Perdigote, a fim de cumprir o seu destino.
Mas nem tudo se apresenta de feição a este espadachim nascido no ano em que morre Camões; claro que, entre as muitas peripécias vividas, encontra o amor da sua vida e conhece o pintor El Greco, o escritor Quevedo e até o autor do Quixote; porém, será envolvido na tentativa de assassinar um dramaturgo que integra a embaixada inglesa, enviada para ratificar a paz entre as duas nações. Quem o irá salvar?
Na senda do seu romance de estreia – A Demanda de Dom Fuas Bragatela, aplaudido entusiasticamente pelo público e pela crítica –, Paulo Moreiras regressa ao género pícaro, em que é mestre, para nos oferecer uma obra-prima de rigor e divertimento que já fazia falta à nossa literatura. Sublime.

552 pages, Kindle Edition

Published February 1, 2023

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About the author

Paulo Moreiras

15 books22 followers
Paulo Moreiras nasceu em 1969, em Lourenço Marques, Moçambique. Publicou os romances «A Demanda de D. Fuas Bragatela» (2002), «Os Dias de Saturno» (2009) e «O Ouro dos Corcundas» (2011).

Sobre gastronomia e etnografia publicou «Elogio da Ginja» (2006) e uma série de opúsculos em colaboração com o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional: o «BI da Cereja e da Ginja» (2007), o «BI do Palito» (2007), o «BI do Tremoço» (2008), o «BI da Perdiz» (2009), o «BI da Morcela» (2010), o «BI da Rede de Dormir» (2011) e o «BI da Fava» (2011).

Entre Setembro e Outubro de 2010, esteve na Ledig House International Writers Residence, em Nova Iorque.
Desde Dezembro de 2009 é membro colaborador da equipa de investigação do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa.

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Profile Image for Vera Sopa.
798 reviews79 followers
July 9, 2023
Novela picaresca reinventada. Divertimento inteligente porque a linguagem e a escrita deste não pequeno livro é sublime. Paulo Moreiras tem arte e sabe. E um humor refinado ao qual se junta as minudências que colecionou e que são um verdadeiro tesouro numa boa história. A sua biblioteca emocional é digna de registo.
Dom Perdigote é memorável.
Profile Image for Regina Barata.
332 reviews7 followers
June 8, 2023
Paulo Moreiras regressa ao picaresco em grande estilo. Uma história passada na época Filipina, em que entre Portugal e Espanha acompanhamos o protagonista Perdigote nas suas aventuras e desventuras. Um livro cheio de peripécias, servidas com a dose certa de humor e em que o domínio da língua é evidente.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews40 followers
December 28, 2024
De origem espanhola, a novela picaresca é um género literário que não caiu no olvido e continua a ser cultivado nos dias de hoje por um conjunto de autores que encontram nos seus pressupostos motivos de interesse suficientes para o manterem vivo e de boa saúde. Adaptando, reescrevendo e interpretando, fazem da sua prosa um exercício de imaginação loquaz e de bem humorada criatividade, ao mesmo tempo que prestam homenagem à originalidade e engenho de autores como Francisco de Quevedo, Mateo Alemán, Juan Martí, Francisco López de Úbeda, Juan Cortés de Tolosa e outros. Está nesta linha Paulo Moreiras, autor de “A Vida Airada de Dom Perdigote”, um livro extraordinariamente bem escrito, que traz a lume uma profusão de vocábulos e de expressões há muito caídas em desuso, adequando-as com mestria e rigor às aventuras e desventuras de um fidalgote mil vezes erguido e outras tantas desvalido, entre folguedos e degredos, mesa farta e rijas côdeas, ricos brocados e os mais esfarrapados trapos.

“A Vida Airada de Dom Perdigote” narra a história de Tanganho Perdigão Fogaça, resgatado, como Moisés, do interior de uma pequena balsa de madeira encontrada nas margens de um rio e registado em Olivença, no ano em que morreu Camões. “Petiz mal-amanhado, carão de fome, olhos de sôfrego e certezas de chamiço”, vê-lo-emos nas idas à escola, em demanda de ofício ou nas visitas à bruxa, até deixar em definitivo a casa dos pais adoptivos para estudar em Badajoz, no Colégio del Señor Jesús de la Piedra, “para mal dos seus pecados e das suas alegrias”. A partir daqui, as histórias sucedem-se a um ritmo frenético, dando conta de misérias e perseguições, infortúnios e desastres, mas também de sucessos e conquistas, graças aos seus extraordinários dotes de espadachim. De Sevilha a Trujillo, de Toledo a Valladolid, sede da corte e umbigo do mundo, acompanharemos as mil e uma peripécias de quem dormiu com a sorte e acordou com o azar, esbarrou com a desgraça em forma de gente, acompanhou bolónios e mentes brilhantes e fez amizade com El Greco, Cervantes, Quevedo e Jacquespêra (!).

Divertido, engenhoso, é um livro pleno de erudição, mas sem ser pesado ou pretensioso. O seu lado aventureiro, audacioso e arrebatado, tem o condão de cativar o leitor e fazê-lo prosseguir nesse sôfrego virar de página em busca de novas peripécias. Mas é no seu cerne que se concentra todo um manancial de ensinamentos que encantam pela variedade e riqueza, ao mergulharem nas raízes da nossa língua materna, dando achegas à forma como cresceu e se afirmou. É delicioso ver como Paulo Moreiras recupera palavras como sastre, chufleta, pantorrilha, madrigueira, alicantina, manustérgio, párvulo ou pringar, fazendo brilhar o texto. Ou a adequação que faz de expressões como “escarvou o galo e descobriu o cuchilho”, “ainda não assamos e já pingamos”, “dar nas matorrangas” ou “viemos pelo mosto e levámos com o bagaço”. O autor tem o cuidado de partilhar um conjunto de passagens de obras seminais do género picaresco e das quais se apropriou, levantando a ponta do véu sobre alguns dos seus mais significativos exemplares. Há, enfim, um enorme cuidado na reconstituição histórica, oferecendo ao leitor um retrato político, económico e social de Espanha à época da Dinastia Filipina.
Profile Image for Leonel.
143 reviews5 followers
August 19, 2023
Excelente.
Divertido, com ação e suspense, mas essencialmente muito bem escrito.Com uma linguagem já antiga que raramente se encontra.
Execelente imaginação de quem não viveu na época.
Vou ler as outras obras similares.
Parabéns ao Autor.
Profile Image for Maria João.
172 reviews7 followers
June 8, 2025
Não conhecia o termo/género “literatura picaresca” até ter embarcado nesta leitura, mas após entender do que se trata, compreendi que já li obras que se enquadram no seu estilo, ou por ela foram influenciadas (por exemplo, vem-me à mente “Cândido”, de Voltaire). A minha experiência ao ler este livro passou por fases diversas. O início foi uma onda de comicidade que me avassalou, levando-me diversas vezes à gargalhada, por vezes acompanhada de lágrimas. Mas à medida que a história avançava, cumprindo os preceitos da literatura picaresca, entrei num certo tédio ao seguir previsíveis altos e baixos da personagem, ora em maré de sorte, ora de azar; não ajudou também o livro ser bastante longo. No entanto é importantíssimo realçar a mestria deste autor que destila um extenso conhecimento da época na qual se desenrola a história, presenteando-nos uma narrativa densa de dizeres, expressões, provérbios e vocábulos desses tempos passados, que tornam tudo verosímil e as suas personagens, locais e modos de viver muito realistas – e tal tem que ser premiado com quatro estrelas.
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