A vida, a obra e as ideias de Beuys sobre a arte, a sociedade e o ser humano, nunca encontraram um espaço de discussão e questionamento em Portugal. Cada Homem Um Artista pretende colmatar essa lacuna da edição portuguesa e dos espaços próprios de crítica e discussão, apresentando aos leitores portugueses um dos mais discutidos e diatribizados artistas do século XX.
Figura central da consciência artística na Europa do pós-guerra, a obra de Beuys (1921-1986) tornou-se numa permanente "instalação verbal", fulcro da sua desdobragem enquanto activista, pensador e professor itinerante (o fluxo beuysiano levou-o a fundar a Universidade Livre Internacional, a Organização para a Democracia Directa ou os Verdes), e rastilho incontornável da sua figura controversa e prometeica. Poucos artistas no século XX rivalizaram Beuys na ruptura estética, na amplitude artística e na contínua experimentação do seu inusitado processo de expressão artística enquanto escultor, performer, pedagogo, pensador radical e activista social e político.
Em formato de "entrevista", Cada Homem Um Artista reúne diálogos de Joseph Beuys com vários interlocutores numa "acção" levada a cabo pelo autor no documenta 72, certame de arte contemporânea de Kassel, Alemanha, e onde se debatem questões sobre a Arte, a sociedade do capitalismo liberal, a educação, a emancipação das mulheres, a consciência crítica e social do ser humano, etc.
Cada Homem Um Artista é precedido por uma aprofundada introdução que parte de uma leitura global sobre o pensamento e a actividade do artista alemão no confronto com a sua época, não se confinando nunca a uma mera crítica d'arte. O ensaio introdutório Beuys, Homem-Arena, traça um itinerário abrangente sobre o criador de "Cadeira com Gordura", "Para acabar de vez com a ditadura dos partidos" e "Como explicar quadros a uma lebre morta", procurando problematizar a praxis e as reais criações do autor, e contestando amiúde as interpretações prevalecentes sobre Beuys e que habitualmente se centraram meramente no discurso, ou mesmo na retórica, do artista plástico. Uma biografia completa e uma extensa bibliografia sobre Beuys enriquecem ainda este inédito da 7Nós.
Joseph Heinrich Beuys (/bɔɪs/ BOYSS, German: [ˈjoːzɛf ˈbɔʏs]) was a German artist, teacher, performance artist, and art theorist whose work reflected concepts of humanism, sociology, and anthroposophy. He was a founder of a provocative art movement known as Fluxus and was a key figure in the development of Happenings.
Beuys is known for his "extended definition of art" in which the ideas of social sculpture could potentially reshape society and politics. He frequently held open public debates on a wide range of subjects, including political, environmental, social, and long-term cultural issues.
Beuys estava próximo da vida, promovia a verdadeira liberdade e ousou dizer que a arte era um factor existencial que caracterizaria a vida em sociedade tal como a conhecemos. Marcou-me esta noção de liberdade, de não pagarmos a pessoas para nos governarem, mas sim pagarmos a pessoas que nos ajudem a governar. Um governo que funcione de baixo para cima e não de cima para baixo. Quem é que contrata uma mulher a dias para ela alterar as nossas rotinas? Ela adapta-se às nossas rotinas e escolhe querer adaptar-se ou não. Nem tal situação se encontra no sistema capitalista actual, aquele que é claramente sustentado por uma noção parcial de um governo democrático. Fiquei encantado, muitos ecos, muitas coisas em que pensar e acima de tudo agir, continuar a agir. Beuys tinha razão, e acredito que existirão "escolas livres", seremos empreendedores da nossa própria vida em sociedade. Pena é a introdução do livro, acredito que deveria estar depois, inicialmente senti um peso, prolongava-se, tentava defender um artista que ainda não tínhamos lido. Acredito que as intenções sejam boas, dado o trabalho ter sido algo cuidado. Mas dispensava-se a algaraviada parcial, a lutar por um fantasma que ainda não tínhamos falado com, um artista que defende e aliás procurava pessoas livres, desprendidas de um determinado pensamento castrador, e é isso mesmo que a introdução acaba por fazer, castrar a paciência e como consequência o pensamento. Conselho, ler a introdução no fim. Vale a pena, mas no fim.
Selected transcripts from Joseph Beuys' intervention at Documenta V, in 1972.
Beuys is a controversial figure - it's easy to be ambivalent not just towards him, but also towards his art. I believe that you can’t separate the art from the artist, and this is especially true in the case of Beuys. He implicitly defended this idea himself, by discussing his art in the context of his life experiences. The introduction does a good job at addressing the controversies, even if it's written in a language that has too many flourishes for my taste (something that I’ve noticed is quite common in Portuguese art writing).
The conversations themselves are at times lucid and thought-provoking, other times confusing, the ideas truncated, enunciated and shot down in the next turn of phrase. Still, it must have been a truly unique experience, and the book captures part of it and transforms it into something new. Recommended.