Na jornada de Carlinhos no Ciclo da Cana-de-Açúcar, o leitor acompanha o protagonista crescer e passar de uma criança ingênua e solitária, para um adulto ambíguo. Seu desenvolvimento pessoal acrescenta profundidade na narrativa de José Lins do Rego, que mostra o fim dos engenhos tradicionais e a chegada das máquinas sempre costurando isso com o arco narrativo do protagonista. No Ciclo do Cangaço, que começa com Pedra Bonita e termina com Cangaceiros, lançado pela Global Editora, acontece a mesma coisa. Em declaração sobre o livro, Zé Lins "É o sertão dos santos e dos cangaceiros, dos que matam e rezam com a mesma crueza e a mesma humanidade." O início do ciclo tem seu pontapé ao mostrar a infância e os dilemas de Bentinho. Em Pedra Bonita, ele precisa decidir entre seguir o irmão, membro ativo do movimento do cangaço, ou adotar o estilo de vida do seu tio e entrar para a igreja. Cangaceiros, que é a continuação direta da história, tem algumas características parecidas. Além da trama ter a mesma qualidade imersiva tão presente nas obras do autor, a história é dividida em 2 partes. Uma abordando o movimento do cangaço em si, pela visão de personagens icônicos como Aparício (o líder), Germano, Bem-te-vi e Beiço Lascado. E a outra mostrando como Bentinho é obrigado a cuidar da mãe mentalmente instável, acompanhar a jornada intensa dos seus irmãos (ambos envolvidos no cangaço) e como ele se apaixonada sutilmente por Alice, um ponto fora da curva na sua vida caótica. Sempre olhando as mudanças da margem, o protagonista precisa, de uma vez por todas, entender seu papel no mundo em que vive. Assim, Cangaceiros é um livro interessante em mais de uma tanto na construção de personagem, quanto na visão ambígua de um movimento que já foi muito retratado pela cultura no geral – por meio de cinema, TV e até mesmo na música. Assim como o Ciclo da Cana-de-Açúcar, José Lins do Rego mostra um conhecimento profundo não apenas pelas suas raízes nordestinas, como também por figuras complexas.
José Lins do Rego Cavalcanti (July 3, 1901 in Pilar Paraíba - September 12, 1957 in Rio de Janeiro) was a Brazilian novelist most known for his semi-autobiographical "sugarcane cycle." These novels were the basis of films that had distribution in the English speaking world.
A segunda parte da maravilhosa duologia do cangaço, escrita pelo mestre José Lins do Rego.
SINOPSE A história se desenrola em torno do amor proibido de Bentinho e Alice. Ele, irmão do mais cruel e temido cangaceiro da região. Ela, filha de um homem que odeia o cangaço. Nessa trama, o sertão é muito mais que cenário. A luta pela sobrevivência de homens e mulheres que ali vivem, a brutalidade do cangaço e os motivos que empurraram aqueles homens para esse caminho formam a essência desse romance.
RESENHA "Cangaceiros" é a continuação do romance "Pedra Bonita", e juntos, compõe uma das mais interessantes e épicas sagas da literatura brasileira. Assim, de cara, se você curtiu "O Tempo e o Vento" do Érico Veríssimo e "Memorial de Maria Moura", da Rachel de Queiroz, a leitura de "Pedra Bonita" e "Cangaceiros" é obrigatória.
A prosa de José Lins do Rego é um primor, frases curtas e naturais, um ritmo poético e fluido. Fiquei impressionado que "Cangaceiros", escrito 15 anos depois de "Pedra Bonita", segue o mesmo estilo.
Para realmente apreciar essas duas obras, elas devem ser lidas em conjunto. Juntas, os arcos de personagens ficam mais proeminentes, mais fortes. Essa é uma das características mais marcantes da obra de José Lins do Rego; seus personagens mudam muito, passam por transformações dramáticas e realistas. Outro grande elemento, que é até mais explorado em "Cangaceiros", é a tragédia da loucura, da insanidade, de como almas podem se ver presas nos labirintos de dor que a mente é capaz de criar.
A brutalidade do cangaço e da reação governamental é bem descrita, até com passagens bem gráficas. Não é uma saga leve ou romântica, é bem brutal e selvagem, mas que tem seus momentos de beleza e sentimento.
Recomendo para quem curte literatura regionalista, literatura de alta qualidade (ou de qualidade universal) e para quem quiser conhecer um dos maiores mestres da literatura brasileira. José Lins do Rego é essencial!
Quem é o protagonista do romance: Bento e Alice? Aparicio? A mãe pega na loucura e culpa por conta dos filhos que se perderam? Coronel Custódio que viu o filho chegar cravado de bala e faca? Nenhum desses. O protagonista é o sertão e suas agruras. Uma terra sem lei, dominada por cangaceiros (justiceiros e bandidos), pelas volantes e coronéis, igualmente bandidos e causas do sofrimento dos comuns, que vivem a reboque daqueles que têm poder e armas.
Um romance profundo e belo, que explora facetas humanas onde a humanidade muitas vezes não se enxerga.
(Antes de tudo, um aviso: Há um tempo decidi parar de dar atenção ao machismo, racismo, lgbtfobia e etc em livros escritos há muito tempo.) Falar desse livro vai ser meio difícil porque ainda não sei bem o que realmente achei dele. Vou começar pelos pontos positivos. Uma coisa que me agradou foi que apesar de ser um clássico, não é um livro cansativo. A escrita do José não é uma maravilha, mas me ajudou a terminar o livro. Agora vamos aos pontos negativos. O nome Aparício é citado tantas vezes que socorro. Se não contar com o primeiro capitulo, ele só vem aparecer de verdade no livro lá pra depois da metade, mas eu já o detestava desde a primeira vez que falaram nele. O romance ~proibido~ entre Bento e Alice. Não gostei desse romance proibido porque ele não é realmente proibido, tem duas partes que eles não podem ficar juntos mesmo, mas é tão pouco comparado ao tempo que o romance é apoiado por todo mundo que nem sei. As repetições. Sério. Posso jurar "Enterrei meu filho e minha mulher" é uma das frases mais faladas do livro inteiro. Tem alguns personagens que tem realmente motivos pra repetir tudo, mas a maioria repete por motivo nenhum. Os diálogos. Não sei se estou avaliando errado por conta da época em que o livro se passa, mas gente do céu. Você não chega pra alguém que você nunca viu na vida e começa a contar coisas tipo "aconteceu isso com fulano" ou "sicrano me contratou pra trabalhar lá na terra do nunca porque sou muito competente. Sou homem trabalhador mesmo." Domício. Que cara mais babaca. Ele é a pessoa mais manipulável que eu já li, tipo ever. Aparício. Odeio. Odeio. Odeio. Odeio. A maneira como o livro trata estupro. Muitas (MUITAS) pessoas são estuprada ao longo do livro e toda vez que isso acontece a sensação que dá é que é uma coisa de boas, quando todos sabemos que NÃO É. Falta de conversação sobre coisas que precisam ser discutas. Se eu me apaixono por alguém, eu quero no mínimo saber se a pessoa gosta de mim também. Amor à primeira vista. Como é que a pessoa é o amor da sua vida se você nem falou com ela? E pra fechar com chave de ouro, os personagens com peninha de si mesmo. *olhos revirando* O nome do livro é Cangaceiros mas se fosse Vamos Ver Quem Tá Sofrendo Mais não mudaria nada. Pelo menos 80% dos personagens do livro ficam se lamentando dos seus filhos mortos, filhos cangaceiros, filhas violentadas, vidas ruins, casas horríveis e mais 19292 coisas. E pra mim, não dá. Enfim, acho que ficou meio claro que não fiquei muito feliz ao terminar esse livro.
Romance da mais alta qualidade, parece uma espécie de desdobramento de Pedra Bonita, outro romance do autor que traz o cangaço como tema. Último romance de Zélins, mostra a rudeza do homem do sertão que tem a alma lapidada pelo ambiente inóspito onde tem que sobreviver.