Autor que já surgiu maduro, Rubem Fonseca estreou na literatura em 1963 com Os Prisioneiros. Com perfeito domínio da escrita, inaugurava uma nova maneira de fazer literatura no Brasil, ao falar do homem da metrópole com seus vícios e virtudes, em uma linguagem ao mesmo tempo direta e lírica. O que há em comum em seus personagens é a luta para preservar a liberdade interior, mesmo que todos sejam prisioneiros do lugar e do tempo em que vivem. Do halterofilista de "Fevereiro ou março" ao homem em busca dos amigos do passado de "O inimigo", os protagonistas desses doze contos guardam uma força para resistir ao mundo que uniformiza e corrompe o que existe de mais verdadeiro em cada ser humano.
He is an important brazilian writer (novelist, short story writer and screenwriter), born in Juiz de Fora, state of Minas Gerais, but he lived for most of his life in Rio de Janeiro. In 1952, he started his career in the police and became a policy commissioner. Even though, he refuses to do interviews and is a very reclusive person, much like Thomas Pynchon, who is a personal friend of Fonseca. His writing is pretty dark and gritty, filled with violence and sexual content, and it usually happens in a very urban setting. He says that a writer should have the courage to show what most people are afraid to say. His work is considered groundbreaking in Brazilian literature, up until then mostly focused on rural settings and usually treating cities with a very biased point-of-view. Almost all Brazilian contemporary writers acknowledge Fonseca's importance, and quite a few authors from the newer generation, such as Patrícia Melo or Luis Ruffato, say that he's a huge influence. He started his career with short stories, and they are usually considered to be the best part of his work. His first popular novel was "A Grande Arte" (High Art), but "Agosto" is usually considered to be his best work. In 2003, he won the Camões Prize - considered to be the most important award in the Portuguese language - and the Juan Rulfo Prize - award for Latin American and the Caribbean literature.
Nessa caminhada sangrenta, escatológica e visceral pelos livros de contos do Rubem Fonseca, que fiz sem obedecer a nenhuma ordem crononógica, na doida mesmo, seguindo o caos, chego em "Os Prisioneiros", o livro que colocou o Rubão no mapa literário.
Publicado em 1963, "Os Prisioneiros" explodiu em meio a mesmice de crônicas e contos brasileiros, causando sensação entre os críticos da época, pelo que vi dando uma fuçada pela net. Achei que nesse livro de estréia, Rubão estaria mais cruzão, ainda no começo. Que nada! O cara mandava bem desde o começo, e até mais experimental e com temas mais variados do que desenvolveu mais tarde (é claro, cada autor acaba descobrindo a sua praia, onde curte mais criar narrativas, mas sinto falta desse experimentalismo do Rubão em seus romances e narrativas mais recentes).
Parece que Os Prisioneiros foi uma preparação para a piração geral do Lúcia McCartney (que, pelo que me disseram pela internerd, é o livro mais experimental e piradão do Rubão), e gostei muito, mas muito mesmo de vários contos, principalmente do último, o Inimigos, que é um conto com gosto de romance, complexo estruturalmente, com uma técnica perfeita de flashback e flashforward, equilíbrio entre a sanidade e a loucura, e várias camadas de significado. Só por "Inimigos" o cara já seria lendário na literatura brasileira, mas ainda tem o "250 gramas", que deve ter sido inovador pra caralho na época que foi escrito.
"O Agente" é outro exemplo de estrutura narrativa impecável do Rubão, uma verdadeira aula; e "Fevereiro ou Março" revela de cara uma habilidade fodásica do Fonseca, sua precisão nos cortes de cena, sensibilidade de diretor fodão; o cara corta as cenas no momento mais que certo, muitas vezes deixando que o fechamento emocional da narrativa aconteça na mente do leitor (ou no estômago do leitor, a literatura de Fonseca é uma literatura de cabeça, coração e estômago).
O personagem onipresente do Fonseca, a voz de primeira pessoa que vaga indecisa entre o que é considerado normal e o que é considerado loucura pela sociedade parece ter nascido no conto "O Inimigo". É a mesma voz que surge em trocentos contos posteriores, e em "O Inimigo" conhecemos a biografia desse super-personagem do Rubão, por suas memórias que nunca temos certeza se são reais ou imaginárias, e nem se realmente importa se devem ser reais ou imaginárias, já que os sentimentos que elas evocam são reais.
Mais que recomendo a leitura, e dentro da escala Rubão Doidimais de Livros de Contos, coloco os Prisioneiros nos top 3 livros do Rubão, junto com Feliz Ano Novo e O Cobrador. Se bem que já comecei a ler o Lúcia McCartney e já vi que é outro livraço do cara.
Bem feita a resenha, agora, de volta à leitura! :)
SUMÁRIOZINHO SAFADO DOS CONTOS DO LIVRO "OS PRISIONEIROS" DE RUBEM FONSECA
CITAÇÕES MASSAVÉIAS TIRADAS DE "OS PRISIONEIROS" DO RUBÃO "DEDO NO OLHO" FONSECA
PRÓXIMAS LEITURAS Devo ler mais dois livros do Rubão, o Lucia McCartney e o Confraria dos Espadas (conto que curti demais quando li os 100 Melhores Contos Brasileiros do Século).
Depois desses dois, volto aos livros de dicas para escritores (para manter a mente afiada) com The Sense of Style - A Razão do Estilo, do linguista de olhos azuis e QI de elefante Stephen Pinker, que dá dicas para escritores com base nos últimos desenvolvimentos da ciência linguística (a galera da internerd de escritores gringos está babando nesse livro, e quer ver qualé).
Após o The Sense of Style, retorno para a literatura de fantasia com a trilogia Bas-Lag, com o Perdido Station do piradaço China Miélville (uma mistureba steampunk, realidade alternativa, artistas plásticas com corpo de mulher e cabeça de besouro, homens-cactus, cyborgues mortos vivos, etc.); que vou intercalar com a leitura da trilogia O Tempo e o Vendo, do Érico Veríssimo (que nunca li,
Aunque este es el primer libro de Fonseca y, por lo mismo, su calidad no es uniforme, ya tiene un par de cuentos estupendos, como “Doscientos veinticinco gramos”: una historia sencilla pero angustiante sobre la autopsia de una mujer hermosa que reúne a tres de sus amantes.
Me gusta su manejo de estilos diferentes y, aunque en algunos de estos cuentos lo hace con un poco de torpeza, ya en su segundo libro, El collar del perro, domina ese recurso. De todos modos, es interesante ver la semilla de su talento.
Busqué una lectura corta a la mano, quería simplemente distraerme. Tomé este libro de Fonseca sin aspiración particular alguna, con dudas incluso. Empecé y simplemente no pude parar de leer sus cuentos, son geniales: profundos, chistosos, crudos, elegantes, precisos, incisivos. Fonseca entró en mi universo literario para jamás salir.
Si algo caracterizó a Rubem Fonseca fue ese prodigioso afán en hurgar en los recovecos de la naturaleza urbana del ser humano; los personajes fonsequianos son criaturas citadinas consumidas por el presente. Envueltas en su propia desgracia personal. A veces divertida, a veces trágica. Y resulta esclarecedor que su debut, la punta de lanza de una magnífica obra de vida lleve el título de 'los prisioneros'. Conforme uno va avanzando parecen tomar consistencia los cuentos. Necropsias, pleitos, sesiones, fiestas nocturnas, asesinatos silenciosos. En medio de ese caótico fluir también se hace presente el recuerdo del amor juvenil. La muerte devora la vida lentamente. Los recuerdos corroen la mente de los individuos. No solo se es prisionero de la carne y del pretérito. La casa es una cárcel, incluso cuando uno vive solo. Una prisión a la que uno se acostumbra... El cuento final está cargado de un fatalismo que embarga las treinta páginas de su extensión. Aquí Fonseca nos deja la primera joya de su carrera. Se toma la libertad de sintetizar las ideas que sobrevuelan el resto del libro y convertirlas en urgidos soliloquios. La resistencia es fútil, parece decirnos en resumen. La atmósfera del texto me recordó las líneas finales de 'Dentro de él' del homónimo debut de Nudozurdo: Se inventaba mentiras / que quería creer / en su mente hay un ruido / que vive dentro de el. Un título que nos permite acercar a los inicios de uno de los mejores cuentistas de nuestra región. Y si algo nos quiere decir este joven Fonseca es que es imposible escaparse de uno mismo. Al nacer estamos condenados. Lo cual no es necesariamente malo o desagradable.
El primer relato me prometió una lectura interesante que se fue diluyendo a medida que iban pasando los cuentos. No sentí empatía con el escritor, no me llegó...
Sinceramente, agora ler esse livro, essa coletânea de contos, fica claro o motivo de seu Zé Ruben ter "explodido" no Brasil e depois no mundo. Os contos são lindos, cruéis, brutais. De autópsias a encrenqueiros buscando treta no carnaval, passando por interrogatórios que fariam Kafka corar. Incrível. Simples assim.