A história de uma cidade tem gente, tem cheiros, tem comércio, tem cercos e pestes, revoluções e invasões, batalhas, conquistas e derrotas, casas e mosteiros, evolução urbanística, higiene, limpeza, saúde pública, transportes, ruas, lendas, mistérios, momentos de lazer e desporto, cafés, festas urbanas e tradições, alegrias e sofrimento. Tal como num ser vivo, tudo isto cabe na vida, na história, na biografia de Lisboa. A historiadora Magda Pinheiro, especialista em História Urbana, traz-lhe uma obra absolutamente original, baseada numa profunda investigação de vários anos e consulta de várias fontes e arquivos. Ao longo destas páginas, percorremos a história de Lisboa, cidade capital, metrópole cosmopolita, cabeça do reino, desde a lenda de Ulisses até aos dias de hoje passando por momentos que marcaram a vida da metrópole, como a conquista de Lisboa, a saída da Corte para o Brasil, os Descobrimentos, o grande terramoto, as Revoltas Liberais, a Pneumónica, a chegada da Liberdade ou a Expo’98. Recheado de episódios que marcam a história do próprio país, de histórias do quotidiano da cidade, curiosidades sobre os bairros típico como Alfama ou Santos e as ruas onde passeamos, e onde podemos descobrir vestígios do passado, este livro, amplamente ilustrado, torna viva a cidade de Lisboa.
MAGDA DE AVELAR PINHEIRO nasceu em Almada, a 8 de Maio de 1950. Licenciou-se em História, em 1975 e doutorou-se, em 1987, na Universidade de Paris I Panthéon/Sorbonne com a tese Chemins de fer, structure financière de l'Etat et dépendance exteriéure au Portugal (1850/1890). É desde 1977 professora do Departamento de História, sendo ainda investigadora do Centro de Estudos de História Contemporânea do ISCTE-IUL, membro da Rede Portuguesa de História Ambiental. Foi directora da revista Ler História, entre 2008 e 2013. As suas áreas de especialização têm incluído a História dos caminhos-de-ferro e das finanças públicas, a biografia e a História urbana. Das suas publicações destacam-se as biografias de Luís da Silva Mousinho de Albuquerque (1992) e de Passos Manuel (1996); os livros O Liberalismo nos Espaços Públicos (2000), Cidade e Caminhos de Ferro (2008). Tem também organizado livros colectivos e publicado estudos em revistas da especialidade e colectâneas nacionais e estrangeiras. Actualmente, pertence à equipa de investigação do projecto La deuda exterior como mecanismo de transformación política, social y cultural: el mundo ibérico y el Mediterráneo Oriental, 1814-1914.
A História tem fama de ser uma disciplina maçadora. Eu sempre recusei essa visão, pois acredito que a História pode ser divertida e fácil de entender. Tudo depende da maneira como se decide abordá-la. Se o objectivo de Magda Pinheiro era escrever um livro que interessasse a um público alargado que não procurasse necessariamente um livro demasiado maçador, então, devo dizê-lo, não o conseguiu alcançar. Este livro é aborrecido, até mesmo para mim, que gosto de livros de História e que sou um olisipófilo convicto. Creio que Magda Pinheiro quis apresentar uma grande pesquisa histórica que supostamente terá feito. No entanto, e dando a minha opinião do ponto de vista de um leitor "leigo", esta não foi a melhor forma de o fazer. Além de a linguagem adoptada ao longo do livro ser maçuda, a historiadora parte do princípio de que o seu leitor é conhecedor da cidade de Lisboa ao longo do tempo, não se detendo a fazer explicações sobre alguns dos locais que actualmente não se chamam como se chamavam no passado. Por exemplo, eu sei que Alto da Cotovia designa a parte da cidade onde se encontra a actual Rua da Escola Politécnica, mas muita gente não o deve saber. E há uma zona que a autora designa de Cata-que-Farás, mas não localiza essa zona na actualidade. Como o leitor comum (como eu) não domina alguns dos locais, a leitura pode tornar-se um pouco frustrante. Mas não é só isso... Outro exemplo: a autora diz-nos que a iluminação pública de Lisboa melhorou por ocasião do baptizado da "princesa da Beira"... Mas nós, enquanto leitores, ficamos sem saber a que princesa da Beira ela se refere, pois nunca a nomeia!
É verdade que este livro tem o mérito de ser o primeiro que reúne nas suas páginas informação histórica preciosa para os olisipógrafos futuros. Acredito que este livro tenha dado muito trabalho a escrever (e não tiro o mérito disso mesmo à historiadora que o fez). No entanto, creio que Magda Pinheiro poderia ter escrito algo que chegasse mais facilmente ao leitor comum, algo que fosse mais facilmente assimilável. Algo que puxasse pela curiosidade do leitor ao longo da leitura, em vez de o aborrecer devido à prolixidade exagerada. De facto, não me parece que este seja um livro que o leitor lúdico comum vá buscar à prateleira para ter na mesinha-de-cabeceira e que o abra para ler antes de adormecer.
Para terminar, há que acrescentar que deveria ter sido dada um pouco mais de atenção à revisão do texto. Faltam algumas palavras (nada que limite a nossa compreensão do texto, mas mesmo assim...) e, o que é pior, trocam-se alguns 8 por 9 em datas referentes ao século XIX. Julgo também que as imagens deveriam estar distribuídas pelo livro de forma mais coerente com o texto que as acompanha (especialmente as coloridas, as quais surgem em páginas separadas, mas longe do texto que pretendem ilustrar).
Os anexos incluídos no final do livro também não me parecem muito relevantes, pois não estão enquadrados, além de pelo menos um estar errado: Alameda e Saldanha não estiveram unidos por linha de metro até 2010. Além disso, o que interessa ver a rede de eléctricos ou de autocarros em 1950, sem comparar, por exemplo, como são essas redes na actualidade? E se o livro é de 2011, por que razão se mostra a rede de metropolitano como era em 1998 e não como era na altura em que foi editado?
Mas nem tudo é mau neste livro, obviamente... Prova disso é que, por muito custoso que tenha sido, não desisti da leitura. Sem dúvida que deu para aprender alguma coisita sobre a minha cidade-Natal e, só por isso, valeu a pena.
Cheguei mais ou menos a meio e tive de parar. A leitura deste livro revelou-se um verdadeiro pesadelo. A autora, Magda Pinheiro, simplesmente não sabe escrever.
Os erros de construção de frase, a falta de pontuação e a repetição das mesmas palavras são tantos, que pergunto se alguém na A Esfera Dos Livros terá lido esta barbaridade. Como se isto não fosse suficiente mau, a autora tem uma enorme dificuldade em estruturar os capítulos e balizar os acontecimentos de forma clara, o que levanta muitos pontos de interrogação relativamente à cronologia, tornando a leitura perra e confusa. Há também várias contradições, frases ambíguas e ideias por esclarecer.
Quando se espreme aquilo que se leu, não sai realmente nada de novo ou intrigante sobre Lisboa, ficando a sensação de ter havido um trabalho de pesquisa muito superficial. À terrível escrita, muitas vezes pedante e quase sempre enfadonha, vem ainda juntar-se a referência permanente e absurda a autores.
Enfim, um livro muito pouco cuidado quer na forma, quer no conteúdo, saído de uma cabeça muito pouco arrumada.
Como é que se transforma a história de Lisboa numa sopa mal parida de vaidade e escrita horrorosa? Perguntem à autora. Incompetência no seu melhor. Devolvam-me o dinheirinho.
Estava mais à espera de "A história de uma cidade através dos seus momentos marcantes, tradições, lendas e curiosidades" mas, e principalmente para a história mais recente, há muitas percentagens e siglas e números. Tem muita informação mas um bocado secante. Alguns excertos: pág. 332-333 "Saint-Exupéry chegou a Lisboa a bordo do avião Sacadura Cabral da Aero-Portuguesa a 27 de Novembro de 1940 e proferiu conferências na Escola Francesa e no Instituto Superior Técnico, respectivamente, nos dias 4 e 11 de Dezembro. A guerra começara, enfrentara o exílio, deixava para trás amigos e familiares." pág. 345 "O nível de alfabetização continuava baixo mesmo em Lisboa. Em 1940, sabiam ler, entre os maiores de 7 anos, 83.8% dos homens mas só 67,3% das mulheres. Os progressos da alfabetização masculina tinham-se feito concomitantemente com a diminuição do número de anos de escolaridade e da qualidade da formação dos professores. A religião ganhou um importante papel no ensino, figurando como matéria de estudo nos livros de instrução primária" pág. 355 "Nesses tempos em Lisboa os morangos só existiam na Primavera e vinham da Várzea de Colares. As carroças e os burros aindam traziam as frutas, legumes e queijos aos mercados urbanos, não só da periferia mas também da cidade. Aliás, em 1937 a Câmara Municipal passara licenças a 3562 veículos de carga, 1014 de condução de pessoas, a 3562 carros de mão e a 106 cavalos."