Uma vida de militância desinteressada, com uma linha de orientação coerente, embora com ajustes, ruturas e adaptações às realidades mutáveis da Europa e do Mundo.
MÁRIO ALBERTO NOBRE LOPES SOARES nasceu a 7 de Dezembro de 1924. A 22 de Fevereiro de 1949 casa com Maria de Jesus Simões Barroso. Apesar da sua carreira profissional se confundir com a política, a partir dos anos 50 é administrador e professor do Colégio Moderno. Começando a exercer advocacia em 1957, assumem particular relevância as defesas que faz em julgamentos de presos políticos em tribunais plenários. Em 1965 oferece os seus préstimos de advogado à família de Humberto Delgado, que acaba por ser assassinado nesse mesmo ano. Em 1971 é “Chargé de cours” nas Universidades de Vincennes e da Sorbonne e no ano seguinte Professor convidado na Universidade da Alta Bretanha, em Rennes. Político de profissão e vocação, Mário Soares é uma figura incontornável da história contemporânea portuguesa. Primeiro pela luta antifascista desenvolvida durante a Ditadura, que lhe vale várias prisões pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado, a deportação e o exílio; depois pela sua participação no processo de transição, enquanto ministro de alguns dos governos provisórios e como líder do Partido Socialista, que fundara, em 1973; finalmente pelo seu desempenho enquanto primeiro-ministro dos I (1976-77), II (1977-78) e IX (1983-85) governos constitucionais. Em 1986, é eleito Presidente da República, sendo o primeiro presidente civil, depois de seis décadas de presidentes militares. É reeleito a 13 de Janeiro de 1991 com 70,35% dos votos. Em 1996 é nomeado Conselheiro de Estado e assume a Presidência da Fundação Mário Soares e da Comissão Mundial Independente dos Oceanos; é Presidente da Fundação Portugal-África (1997); é Presidente do Movimento Europeu (1997-1999); é Presidente do Comité Promotor do Contrato Mundial da Água e Presidente do Comité dos Sábios do Conselho da Europa (1997); é eleito deputado para o Parlamento Europeu (1999-2004); e é Presidente da Comissão de Honra para as comemorações dos 500 anos da viagem de Pedro Álvares Cabral (1999). Em Agosto de 2005 anuncia a sua recandidatura à Presidência da República, vindo a ser o terceiro candidato mais votado com 14,31% dos votos nas eleições de Janeiro de 2006. Faleceu a 7 de Janeiro de 2017, em Lisboa.
Um livro importante para compreender um pouco da história recente de Portugal e entender a importância de Mário Soares nesses acontecimentos. Gosto da maneira informal que o livro é escrito, razão pela qual não o consideraria um ensaio político como vem descrito na capa. Creio ser mais assertiva a descrição de uma conversa política e bastante informal tornando o livro a meu ver, muito auto-biográfico. Sendo fã ou não do homem e do político por de trás deste livro, é um livro que merece ser lido. Ao lê-lo ficamos com a certeza de que este foi um homem de Estado e de posições muito vincadas e marcadas pelas suas atitudes em prol da política e em prol do país e da República, quer se concorde com as mesmas ou não. O livro introduz uma certa teorização (que creio poderia ser mais desenvolvida pelo autor) do socialismo-democrático em Portugal. A teorização constrói-se a meu ver com recurso a todos os acontecimentos históricos que ligam Mário Soares e o Partido Socialista aos Portugueses, acontecimentos esses que, são narrados e sustentados pelo autor na primeira pessoa e num registo e numa linguagem clara e simples para o mais comum dos leitores. Considero um livro essencial para quem gosta de ler sobre política contemporânea.
Li numa perspectiva histórica. Para conhecer um pouco mais sobre uma figura que marcou os últimos 50 anos da política portuguesa e os acontecimentos em que esteve envolvido. Interessante, de leitura demasiado fácil até (200 e tal páginas com letra extremamente grande e muito espaçado), e com um travo ideológico claro.
Um livro muito interessante sobre um dos políticos mais importantes do 25 de abril. Apesar de ter sido escrito em 2010 é curiosa a profecia (que ele nega ser profecia) que ele faz sobre a Europa e a União Europeia, com o neoliberalismo a substituir o socialismo e a União Europeia a ser governada pelo dinheiro e não para as pessoas. É particularmente relevante ler sobre os tempos pré 25 de abril (e mais tarde como Ministro dos Negócios Estrangeiros) em que, na condição de exilado (e com, importante não esquecer, estatuto de homem privilegiado) Mário Soares cria as ligações diplomáticas que consolidaram o país num país livre, com a ajuda da esquerda europeia. Saudações ao autor, que me fez ver o debate presidencial dele contra Salgado Zenha na íntegra, bem como o célebre debate contra Álvaro Cunhal. Debates é que é possível ver a luta incessante de alguém que queria instaurar uma verdadeira democria pluripartidária em Portugal.