O modo como se processaram as últimas campanhas militares ultramarinas, entre 1954 e 1975, está longe de ser consensual na sociedade portuguesa. Bem pelo contrário, tem-na dividido profunda e transversalmente. É por isso que, tanto tempo depois, se torna imperioso encontrar consensos baseados na correcta interpretação dos factos históricos e nas verdadeiras intenções dos principais protagonistas do momento. Só assim Portugal poderá construir equilibradamente o seu futuro, com base no que só uma síntese de ilações acertadas a este respeito pode proporcionar. Em Nome da Pátria aborda os controversos temas da sustentabilidade das operações militares e das razões que levaram à desistência nacional de prosseguir o combate quando, aparentemente, a guerra estava ganha, e, sobretudo, da justiça e do direito do nosso país em fazer a guerra. Tudo não terá passado de uma grande traição? Falamos de questões incontornáveis no panorama da história contemporânea História Viva portuguesa, aqui abordadas de um modo muito pouco ortodoxo em relação às ideias que a história oficial nos apresenta relativamente a este tema.
"Portugal não estava contra os 'ventos da historia'. Fez apenas o que sempre fez e que lhe competia de direito: defendeu-se como pôde (...) Haverá algum dia um vento da história a nosso favor?"
Uma visão diferente e aprofundada sobre a Guerra de África. Neste livro, Brandão Ferreira, mostra-nos as causas da guerra, os seus antecedentes históricos, a posição de Portugal no mundo, a "justeza" ou não da guerra, a legitimidade de Portugal em possuir os territórios ultramarinos, a política de Portugal em relação a esses territórios, a conjectura mundial e as pressões que Portugal sofreu dos outros países por causa desses mesmos territórios ao longo dos séculos, desde as descobertas até às independências. Fala também sobre a política e as condições sócio-económicas de Portugal e dos territórios ultramarinos, a sustentabilidade da guerra e do desgaste de Portugal que culminou com o 25 de Abril de 1974 e a má retirada de Portugal de África. Apesar de não concordar com alguns pontos de vista (nomeadamente políticos) do autor, considero este livro um documento soberbo e interessante sob o ponto de vista historiográfico e social. Apesar de a guerra já ter terminado à quase 40 anos, ainda é um tema "tabu" e muito mistificado, este livro como atrás disse mostra uma visão totalmente diferente, objectiva e sem receios de fazer certas afirmações ou verdades que foram reprimidas durante estes anos todos por não serem "politicamente correctas". A guerra existiu, durou de 1961 a 1975, milhares de homens de ambos os lados nela combateram e não podemos esquecê-la, temos de olhar para ela objectivamente e tirar todas as lições possíveis de tudo o que nela aconteceu directa ou indirectamente. Nesse aspecto este livro está fantástico e recomendo-o a toda a gente.
Tive a curiosidade de o comprar depois de ver no youtube uma intervenção do autor.
Bem documentado, com todas as referências bibliográficas e com notas para melhor enquadramento dos assuntos. Talvez alguns pontos se tenham repetido, mas creio que pela emoção do autor a escrevê-las, algo que se nota ao longo de todo o livro.
Este livro traduz uma opinião acerca da Guerra do Ultramar diferente da "oficial" mas bem documentada e justificada.
Estes trechos não me saíram da cabeça:
- "A Justiça é o interesse do mais forte convertido em Direito" Sócrates - Filósofo
- "... dizemos o que pensamos e pensamos o que dizemos, sem estarmos enfeudados a interesses que não sejam estritamente nacionais e da nossa consciência." - do autor
- Portugal, o único país da Europa que permaneceu na China sem nunca lhe ter feito guerra"- Mao Tsé-tsung
- "Aonde se dirá com honra que se entregou este reino a Castela por temor de se defender do seu poder?" - Febo Moniz séc XIV
" Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolano Catilina, e vós outros dos Antigos Que contra vossas pátrias com profano Coração vos fizestes inimigos: Se lá no reino escuro de Sumano Receberdes gravíssimos castigos, Dizei-lhe que também dos Portugueses Alguns traidores houve alguñas vezes"