"Sei Lá", para o bem ou para o mal, é um clássico da Literatura portuguesa. Um sucesso de vendas no fim dos anos 90, que se prolonga até hoje, é também a "mãe" da literatura light em Portugal, um fenómeno no mundo editorial português, ainda que controverso entre os leitores pela sua qualidade literária. Quando lá fora o fenómeno "Sexo e a Cidade" começou a popularizar a imagem cosmopolita, chique, emancipada, da vida na grande cidade, eis que surge a versão portuguesa que quer tornar a mulher lisboeta protagonista.
E, afinal, o que posso dizer, agora que finalmente decidi ler este clássico maldito? É este o "Sexo e a Cidade" português? Ter-me-ei sentido intimidado com um livro irreverentemente feminino e directo? Quiçá, percorrerei agora as ruas de Lisboa com um glamour no passo que antes não tinha, inspirado no espírito deste livro diva?
Não, não e não.
Ao contrário da publicidade e propaganda, este "Sei Lá" não é nenhum retrato da sociedade portuguesa. Quem o diz claramente não leu para além do primeiro capítulo, páginas onde a autora escreve com algum entusiasmo o ambiente nocturno de Lisboa nos anos 90, e confesso que até achei piada a esse início. É fútil, mas é nostálgico. Mas não passa dessas primeiras poucas páginas. Acho vergonhoso descreverem dessa forma um livro que não passa de um chorrilho de lugares-comuns e desabafos repetitivos de uma mulher a recuperar de uma relação amorosa, e na verdade nem isso é interessante de acompanhar.
Mais impressionante ainda é como a escritora consegue tornar um livro já por si algo enfadonho, mas simples, numa história meio estapafúrdia e irrealista lá para o fim, que nem sequer acrescenta desenvolvimentos interessantes às próprias personagens.
Um livro sem qualquer conteúdo. Não é fútil o suficiente para se tornar uma leitura light divertida, não é apaixonado o suficiente nas suas divagações, verdadeiramente em nada o livro se esmera. Não vejo valor nisto para além de encher prateleiras, e sinceramente acho um péssimo exemplo para literatura "light". Já li melhor. Só se justifica por ter sido o "primeiro".