Ao acordar em sobressalto naquela noite de junho de 1848, a jovem Benedita não podia imaginar a transformação radical que a sua vida iria sofrer. Um ano volvido, tendo perdido tudo o que a prendia a Pernambuco, embarcava com escassos haveres e o coração apertado em direção a Moçâmedes. Consigo seguia mais de uma centena de portugueses que, desiludidos com o Brasil, procuravam uma nova oportunidade, fundando uma colónia agrícola do outro lado do Atlântico. Uma Fazenda em África acompanha a vida e as histórias dos primeiros colonos numa terra brutal, trazendo à superfície os sucessos e desaires, os perigos e as surpresas da sua fixação num território inóspito e selvagem.
JOÃO PEDRO MARQUES nasceu em Lisboa, em 1949. É desde 1987 investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical e foi Presidente do Conselho Científico desse Instituto em 2007-2008. Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou a cadeira de História de África durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial, e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006, e Who Abolished Slavery? A debate with João Pedro Marques, 2010).
Uma estreia nos livros deste escritor português. Gostei de saber mais sobre a época da colonização de África. E gostei particularmente do papel importante de uma mulher em toda a história. Imagino que tal não seria fácil numa época em que os homens que é davam cartas e as mulheres eras completamente subjugadas. Achei no entanto que existiam algumas personagens cujo existência era completamente dispensável e achei o final um pouco abrupto, depois de tudo o que aconteceu ao longo do livro. mas o balanço é bastante positivo
Como estava a apetecer-me um romance histórico achei que talvez gostasse deste Uma Fazenda em África. A premissa era interessante: uma história de amor e aventura nos primórdios da colonização de Moçâmedes, o Brasil pós-independência e as atrocidades cometidas sobre aqueles que optaram por continuar a ser portugueses; o tráfico de escravos na costa do atual Daomé; e os primórdios da colonização da costa ocidental africana.
João Pedro Marques escreve bem e não foi esse o motivo que me fez abandonar esta obra.
Achei a história enfadonha, não consegui desenvolver qualquer interesse pelas personagens, que são muitas, e não me apetece ler sobre a violência e as atrocidades cometidas.
Uma Fazenda em África tem sido o maior sucesso editorial de João Pedro Marques, com 11 edições até ao momento. A história decorre em três continentes (Europa, América e África), com evidente protagonismo para o terceiro, como o título indica. O quadro temporal é os meados do século XIX, uma época que o autor, historiador, conhece muito bem.
O enredo começa no Brasil, no Recife, com brotes de violência contra os imigrantes portugueses que se cobram várias vidas e que leva a um dos protagonistas, uma figura que realmente existiu na História, a organizar uma leva migratória para Angola, na altura território português pouco desenvolvido. O local de destino é Moçâmedes (actual Namibe), que se encontra nos primórdios da sua colonização.
À volta desse personagem real, chamado Bernardino de Figueiredo, há outros que são criação do autor. A mais importante é Benedita, uma mulher que começa a sua aventura numa situação de extrema fragilidade e que em África, em parte ajudada por alguns golpes de sorte e em parte por talento próprio, terá ocasião de evoluir e libertar-se dessa situação precária.
Mas a história envolve também muitas outras personagens, algumas documentadas e outras de criação literária. Sendo o romance ligeiramente superior em extensão aos outros de JPM, consegue constituir um fresco de uma migração a um território hostil e ainda por desenvolver.
Como leitor, uma das coisas que mais me impressionou é que a divisão entre os bons e os “maus da fita” não é tão evidente como noutros romances considerados best seller. Há bons e maus, sim, mas também há muitas gradações intermédias e nem sempre os maus são castigados e também nem sempre os bons acabam por triunfar. Há no romance uma mistura permanente entre o doce e o amargo que talvez sintetize a figura da protagonista, Benedita: consegue triunfar como empresária e empreendedora, mas a sua vida amorosa é muito mais frágil e com frequência tingida de desamor.
Uma Fazenda em África é uma obra que recomendo vivamente, sobretudo aos que como eu se interessam por África e, também, aos que gostam de romances realistas, onde a vida é como é e o bem não tem todas as garantias de triunfar.
Gosto muito do género literário dos romances históricos, mas nem todos os escritores o conseguem fazer bem. Este livro ensinou-me uma parte da história de Portugal e de África que desconhecia, nomeadamente, a fundação de colónias em Angola, o relacionamento entre colonos e os povos indígenas e a exploração do interior de África. É também interessante verificar que os políticos do século XIX não são assim tão diferentes do século XXI e que Portugal continua durante os tempos a padecer dos mesmos males: excessivo endividamento, oportunismo, falta de visão futura, etc.. Acho também interessante a construção das personagens: como na vida real ninguém é perfeito, todos vivem os seus conflitos interiores e paradoxos.
Infelizmente achei a história um pouco cansativa. Apesar de me ter cativado e de ter sentido curiosidade para ver o desfecho de algumas personagens, considero que o livro é demasiado longo e com alguns momentos maçadores.
Fiquei cativado logo no primeiro parágrafo. Uma escrita corretíssima e simultaneamente altamente cativante. Uma entrada profunda no interior das diversas personagens.
É um romance histórico escrito por um historiador, logo dá a ideia de que toda a narrativa é um retrato fidedigno e real do tempo em que os Portugueses se achavam grandes colonizadores de possessões em África. A história vai-se desenrolando à medida que o Autor vai introduzindo cada personagem nova. Aflora a questão racial e da escravatura. Dá relevo ao papel da mulher nos Descobrimentos, o que é raro encontrar-se. Gostei bastante, mas, do mesmo Autor, preferi "O Estranho Caso de Sebastião Moncada".
A obra é difícil entrada. As primeiras páginas são bastante difíceis de digerir. Da mesma forma, o final deixa bastante a desejar. Com efeito, a história fica no ar, possivelmente por ficar com a eventual hipótese de fazer uma continuação deste livro.
É um mergulho em Africa com muitos dados históricos, como não podia deixar de ser, visto que o autor é doutorado em história. O mergulho e eficaz, pois senti-me em Africa, naquele mundo incontrolável, com outro ritmo e selvagem. Boa ficção à mistura com os factos reais. A literatura portuguesa devia ter mais livros como este. Muito bom!!!!
Demorei muito tempo a fazê-lo porque tinha medo de o terminar muito depressa. Mas agora posso dizer que value a pena cada minuto que passei mergulhada no mundo incrível que o autor criou de Moçâmedes colonial. Sou estudante de história (com foco na história colonial portuguesa), por isso sempre pego em livros deste género com muita cautela - há autores que não pesquisam, que vivem num mundo de fantasias que não corresponde nada ao mundo histórico que querem representar. Felizmente não foi esse o caso aqui.
Acho que a sociedade colonial africana foi muito bem retratada e as suas complexidades de raça, género e classe foram abordadas com muita inteligência. A história é arrebatadora desde o início e as personagens crescem muito ao longo do livro, o que eu adorei. Só me queixo é da figura de Benedita, que prometia tanto, mas o autor não soube desenvolvê-la. Isso é algo que tenho reparado em muitos autores masculinos (como Miguel Sousa Tavares, por exemplo), que eles não sabem construir personagens femininas complexas. Nem todas as mulheres de todos os tempos têm de existir só como objetos de cobiça masculina e ter corpos "perfeitos" que fazem com que todos os que o vejam o queiram para eles. Estou cansada desta tendência que não acrescenta nada ao enredo.
Fora isso, gostei do livros, da escrita simples mas bonita, e vou certamente ver os outros livros que este autor já escreveu.
Um encontro com o passado que nos leva a deambular por realidades tão distantes da nossa quanto interessantes do ponto de vista histórico, cultural, sociológico... Por costumes, terras e rituais que impressionam e nos fazem até questionar a condição humana. Que nos torna testemunhas do colonialismo, das suas motivações, contrariedades, conquistas e consequências. Que enaltece o significado intemporal do Amor, lado a lado com os relacionamentos mundanos e que coloca a mulher no centro da ação como uma personagem de força, cuja transformação cativa e surpreende. Que nos relembra como a vida pode sempre dar a volta e que, mesmo quando tudo parece perdido, há sempre forma de recomeçar... Obrigada, JPM!
Uma história interessante e uma pesquisa história irrepreensível. Mas excessivo uso de adjetivos e de advérbios, personagens com pouca ou nenhuma densidade emocional. Um início confuso e um fim abrupto.
An historic novel that links the history of 3 different continents, where the center is the beginning of a Portuguese colony in Moçamedes, the story of everybody around it and the amazing turnarounds in the life of Benedita.
This story is rich not only due to historic facts but also empowering for women.
“- disse ao Munibumbo que tinha atravessado as terras dos seus antepassados e perguntei lhe se não sentia vontade de as voltar a ter. Sabe o que ele me respondeu, Benedita? - que queria recupera las, imagino. - nada disso - respondeu, Peter, sorrindo. - olhou me nos olhos como se fosse capaz de me ver e disse me: “ se essas terras podem viver sem mim, eu também posso viver sem elas” da que pensar, não da?”
“E, quando se surpreendia com a intensidade do seu desejo, dizia a si próprio que entre um homem e uma mulher amor era isso mesmo: uma vontade forte, persistente, de contacto físico. O resto era amizade, meiguice, companheirismo, que sendo bons, não eram aquele jogo de estimulação de si mesmo e do outro que só o amor físico podia dar.
Eram tristes os desencontros dos afectos. O mundo seria um lugar bem mais harmonioso se houvesse total reciprocidade de sentimentos e se o amor fosse isento de sofrimento.”
João Pedro Marques consegue transportar-nos para o tempo de colonização e para as paisagens angolanas. Apesar do óptimo detalhe descritivo, não só dos locais como da época e das próprias características das personagens o enredo fica algo confuso e o autor perde-se na sua história. De qualquer forma e porque este é um assunto que me é próximo gostei muito de ler o livro. Consegui ligar-me às personagens e acima de tudo revisitar África e sentir-me neste continente de novo.
Tinha tudo para ser um livro incrível, a história em si é interessante mas achei a escrita tão aborrecida que tive que ler outros livros pelo meio enquanto lia este. Há personagens que não fazem sentido e não trazem nada à narrativa, é exaustivo... Não gostei mesmo nada.
A escrita não é incrível mas lê-se relativamente bem. Capítulos longos (cc 30 páginas) onde se encontram estórias de diferentes personagens, sob o mesmo tema/tempo. Dou 3 estrelas pelo interesse do contexto, a formação de uma colónia na costa de Angola, no século XIX.