| a essência (des)natural do ma(l/u) |
No quarto volume dos “Contos de Kolimá”, Varlam Chalámov, excede a construção literária e transforma seus escritos em contos de reflexões ensaísticas. A escolha parece um diagnóstico da estafa sofrida pelo autor, que já na apresentação deste volume descreve como sua alma se sente com relação aos criminosos nos campos de concentração russos e sua representatividade nas artes de seu país. Os contos ensaios propõe uma revisão sobre o assunto. Diferente dos outros volumes anteriores, em “Ensaios sobre o mundo do crime”, Chalámov prefere ser sucinto e direto em seu olhar e descrição deste universo. Faz as devidas divisões com relação a quem faz o mal e quem o incorpora. Tais ensaios desenvolvem um corpo físico que corrobora o estado natural das coisas, criando e recriando proporções devidamente encaixadas na rotina das prisões. As facções amparam seus parceiros de forma duvidosa, mas com garantias, excedem leis, como qualquer grupo rebelde, e traçam perfis para cada posição da hierarquia criminosa. No entanto, segundo o autor em seus contos, tais grupos cometem muito mais que crimes, eles confabulam métodos extremos de terror sem justificativa para com os outros presos. São também alimentados pelo sistema dos soldados, que estabelecem vínculos em garantia de alguma ordem dentro do caos. Tais grupos eternizam uma sociedade vítima de inseguranças, com a diferença de que agora, a violência parte de dentro do espaço que representa a morte da liberdade, e para muitos, da vida, ou seja, até no fim à violência não cessa. Outro ponto que Varlam discute é a formação de uma cultura artística do crime e sua socialização, com músicas, romances e poemas que exaltam os criminosos. A crueldade contra Chalámov foi extrema, e posteriormente bem escrita, que consome todas as forças do leitor em defender uma crítica que contraponha seus pontos de vista com relação a estes grupos. No entanto, existia um contágio para se sobressair da situação, a sensibilidade humana nos campos se altera e desacelera, o tempo para o campo psicológico é fulminante. e talvez o autor tenha se excedido ou (provavelmente) não.