Neste livro, As Palavras do Corpo, Maria Teresa Horta reúne toda a sua poesia erótica. Uma obra ousada e corajosa que nos dá a ver a libertação do corpo das mulheres: o seu gosto, o seu prazer, o seu modo de amar. Uma ode aos sentidos.
Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros was a Portuguese feminist poet, journalist and activist. She is one of the authors of the book Novas Cartas Portuguesas (New Portuguese Letters), together with Maria Isabel Barreno and Maria Velho da Costa. The authors, known as the "Three Marias," were arrested, jailed and prosecuted under Portuguese censorship laws in 1972, during the last years of the Estado Novo dictatorship. The book and their trial inspired protests in Portugal and attracted international attention from European and American women's liberation groups in the years leading up to the Carnation Revolution.
Carnaval para quem é de carnaval, poesia para quem é de poesia. Durante os anos 2010 pesquisei muito a literatura erótica e obscena, mas esse livro imprescindível da Maria Teresa Horta só me chegou em mãos esse fim de semana. Lembrando que tanto a literatura erótica quanto a obscena comungam com Eros, a vitalidade pulsional, mas a obscena se apresenta como chiste para além disso. Maria Teresa Horta neste livro é a pura sorvência sexual, escorre libido por cada palavra, é o erotismo battailiano em essência (o da sua teoria, já que na literatura ele era obsceno), é o erotismo do Eros sem a conspurcação cômica do chiste. Muito feliz fiquei com a dupla epígrafe citando tanto Hilst quanto Cixous, Hilst em sua prosa provou que foi a rainha da obscenidade (gente, é pra rir da trilogia obscena e não se escandalizar), mas na sua poesia ela levava o Eros bem a sério. Conhecia outros livros de poemas da Horta, mas este desde já se tornou o meu trabalho favorito dela.
que me deixa no corpo este calor da falta do teu corpo como sempre
Como escrever uma review de um livro de poesia?
O primeiro livro de poesia que trouxe para a minha página foi o Ano de 1993 e nesse fez-me sentido escrever sobre ele. Todavia, tinha muito de prosa poética. Afinal de contas seguia toda uma narrativa. Neste não me sinto capaz.
Esta foi a minha estreia com uma das Marias, a Maria Teresa Horta e que estreia 😍. Não tenho como hábito ler prosa ou poesia eróticas, principalmente pela sensação de vergonha alheia que a nossa língua me causa aquando da leitura. Não senti nada disso. Foi tão bonito, tão singelo. Quem diria que poderia ser esta a minha experiência num livro que trata a sexualidade e o prazer feminino de uma forma tão crua, graciosa e apaixonada.
Comecei-o no mês passado, mas decidi lê-lo devagar, devagarinho, sem pressas. Nem todos os poemas ressoaram em mim da mesma maneira, julgo que será um sentimento consensual no que toca à poesia.
É um tabu na nossa sociedade e devemos lutar contra tal. Devemos ter a liberdade de ser, de sentir, de falar, de desejar. Será isso assim tão difícil?
não me permito escrever opiniões sobre livros de poesia. por mim, pelos que me leem e pela poesia em si. ainda me sinto a aproximar dela. por isso, vou partilhar apenas algumas palavras sobre a poesia de maria teresa horta, que há muito queria explorar.
conheci a sua belíssima escrita através do seu livro de crónicas “quotidiano instável”, e decidi, então, que era o momento certo para ler esta antologia de poesia erótica. e foi, também, uma bonita descoberta.
iniciei esta leitura em janeiro, mas fui lendo devagar. se há leitura que não gosto de forçar é a da poesia. preciso do meu tempo para lê-la e dela retirar o melhor que consigo.
acho que é a primeira vez que leio poesia erótica. não me recordo. e foi belo. belo, cru e verdadeiro. como mulher, foi uma forma de reconhecimento: também sentimos, temos um corpo, sentimos prazer, portanto, podemos e devemos falar sobre isso, sem nada que nos restrinja. no entanto, para uma mulher, em portugal, falar destes temas não pode deixar de ser associado a coragem.
admito não ter sentido todos os poemas na totalidade, mas encontrei muitos que me falaram ao coração e aos sentidos. ler sobre sexo, prazer no feminino e amor, pela perspetiva de uma mulher que o viveu – parece-me – da melhor forma, foi belo e inspirador.
são poemas carregados de romantismo, doces nas palavras, mas perversos, também. na tentação, na intenção. e ao mesmo tempo que revelam a familiaridade dos corpos, transbordam de loucura e paixão. de liberdade e possibilidade. de sentimentos e de sentidos.
O lado interdito e incómodo do nosso corpo liberta-se pela palavra. Maria Teresa Horta resgata-o num banquete de partilha onde o amor assume o seu lado carnal. As palavras são esse corpo desvendado sem falsos pudores. Onde o poema se despe e se deita ao nosso lado.
Poesia maior e de maioridade que resgata para todo o sempre a mulher (poeta) de qualquer laivo de menoridade; morreram as poetizas, nasceu a poesia completa, com o seu lado homem e o seu lado mulher.
Maria Teresa Horta é um ícone da literatura portuguesa e uma mulher importantíssima no feminismo em Portugal. Foi revolucionária em várias frentes através da sua escrita, desafiando a censura e o patriarcado para dar voz à reivindicação da liberdade e emancipação das mulheres, explorando e desconstruindo a sexualidade e o prazer feminino, à luz da política e do preconceito (mas não só).
Andava para ler algo seu há muito tempo, e a sua referência destacada e repetida em “A Devastação” foi o último empurrão que precisava. Este livro é arrebatador e assombroso por todo o impacto que sustem nos seus versos e no significado das suas palavras.
Com ele, MTH reclama a autonomia do corpo, invertendo a lógica de quem detém o poder da narrativa do desejo e transforma-o num instrumento de sublevação política. É absolutamente brilhante.
Enquanto obra poética, utilizando a linguagem como arma de resistência, deixando um legado que transformou e moveu tantas vidas, ainda hoje, segurando a minha mão e levando-me com ela, temos uma antologia de poesia erótica que eleva o prazer feminino a um patamar que, para as mulheres, é tão intimamente conhecido e, para o mundo, tão profundamente condenado.
O erotismo ascende a um nível de espiritualidade que reclama a sensualidade e o prazer feminino como integral e natural à sua existência. Explícito, descritivo, audaz - quando esta audácia reflete muito mais sobre a mentalidade transversal a todos estes anos do que sobre o que é escrito.
Sobre amor, sexo, paixão, prazer, desejo - sobre tudo o que uma mulher é e tantas vezes inibe, mais ou menos consciente, mas que, com esta obra, sentimos que é nosso por direito. Um grito de pulmões abertos, um abanão que nos alerta para o nosso dever de o assumir e reclamar com orgulho (e ousadia).
As Palavras do Corpo foi construído sem pudor, mostrando-nos que o romantismo e o erotismo se entrelaçam sem culpas. Por isso, alimenta-se da tentação, da intenção, do que é familiar, da coragem, do que é dito, do que fica em silêncio, da finitude de um ato, do vazio e dos sentidos que se ativam de imediato. Por isso, é terno, é bruto e é cheio de contradições que nos impulsionam a oscilar entre a malícia e a timidez. Na lista de poemas favoritos destaco Delírio, Lã, Felicidade, A Voz, O Clitóris, Fazer o Poema e Fazer Amor Com a Poesia, porque evidenciam a liberdade de ser e sentir por inteiro.
adorei adorei adorei. sou um lover leitor de poesia, e poesia portuguesa é outro nível de belo. foi mesmo calmo e relaxante de ler. só não gostei muito que é sobre sexo hetero, por isso, menos uma estrela.
“Um desejo revolvido/ A chama arrebatada/ O prazer entreaberto/ O delírio da palavra” – a cada poema terminado, um pedaço da pele tocado. Um recanto do corpo pressionado pelo desejo, à mistura com o amor e com a loucura. Não fosse o corpo um dos objectos mais complexos do ser humano, um dos ingredientes mais ferozes para instigar os comportamentos mais instintivos, e não existiria toda a riqueza associada à sua exploração.
Escreve-se sobre o corpo, mostra-se o gosto e dá-se a ver o infinito, tal como escreve Maria Teresa Horta no primeiro poema de As Palavras do Corpo (Dom Quixote, 2012). É com ousadia que explora o gosto, a sexualidade e o prazer feminino em poemas crus e ferozes, equilibrados pela doçura e suavidade do amor. Palavras arrebatadoras, sôfregas e exaustivas, capazes de circularem nos confins do pensamento de qualquer ser humano (“Pedir-te que me peças/ que te queira/ no separar das horas/ sobre a língua”).
Se a sexualidade exposta em todas as livrarias combina o prazer com a submissão, com o olhar da mulher subjugado à presença masculina, os poemas de Maria Teresa exploram o prazer com a liberdade. Nascem numa única mulher e permanecem, ao longo de poemas doces e perversos, por todo o seu corpo. Às palavras do corpo engrandece-se a loucura e o inebriamento (“Bebi de ti/ o suco do teu corpo/ Inclinando baixo a boca/ em tua taça”), a exploração através da masturbação, o calor dos lençóis e a presença de um segundo corpo. Deitado ao seu lado, para levá-la a conhecer os seus cantos (“Põe devagar os dedos/ devagar…/ e sobe devagar/ até ao cima”) e os terrenos desconhecidos.
Simplesmente maravilhosa, aliás como toda a escrita de Maria Teresa Horta, que muito admiro.
Tenho em mãos uma 4ª edição que estou a ler prazerosamente. Poemas arrojados de alguém que escreve com ousadia sobre as mulheres, o seu gosto e o seu prazer.
Felicidade Retomo estes anos/nos teus braços/diariamente calma e segura os dias caminhando passo a passo/prendem-me aos teus braços com ternura E o prazer mais louco/de te ter/aquele mais sedento de ser tua Dos beijos que me deixas/num doer/ e devagar no corpo se insinuam