Flávio Moreira da Costa, a exemplo do que fez em 'Os 100 Melhores Contos de Humor da Literatura Universal', oferece novamente ao leitor o melhor, desta vez das histórias de crime e mistério. São quase três mil anos de excelente literatura, abrangendo autores de variados tempos, estilos e países, nestas memórias do crime que vão de Sófocles a Dashiel Hammett, de Maurice Leblanc a Rex Stout, passando ainda por Chandler, Poe, Machado de Assis, Borges e Simenon. Casos criminais e policias, histórias de investigação, suspense, thrillers, enigmas, pulp fiction, hard-boiled e outras tantas que se originam em antiqüíssimas narrativas ('Bíblia', 'Mil e Uma Noites', 'Édipo Rei' etc.) e se apresentam ao lado de histórias góticas e sobrenaturais - tudo está de alguma forma representado nesta nova e exaustiva pesquisa à prova dos mais zelosos detetives na qual, além dos incontestáveis clássicos, há achados dignos do aplauso de um minucioso Sherlock Holmes; autores e textos hoje praticamente fora dos catálogos nacionais e internacionais foram por ele resgatados e trazidos à tona neste 'Os Cem Melhores Contos de Crime e Mistério da Literatura Universal'.
Um apanhado de histórias curtas que oferece uma visão geral sobre a literatura de diferentes locais e épocas. A maioria dos contos são envolventes e é difícil interromper a leitura; outros nem tanto. E alguns são definitivamente ruins, ao menos para quem, como eu, que curte palavras bonitas e bem apresentadas, mas não abre mão de que tenham sentido e que a história tenha um fim.
Inclui, por exemplo, o conto egípcio “O Tesouro de Rhampsinit”; talvez o primeiro policial escrito. Outro capítulo mostra, como uma história independente, um trecho de “Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski.
De modo geral a seleção é boa. Mesmos os contos que deixam a desejar permitem conhecer um pouco da prosa de autores famosos como Kafka, Charles Dickens e o tcheco Karel Capek, escritor de histórias fantásticas e pioneiro da ficção científica como “A Guerra das Salamandras” e a peça “R.U.R.”, que teve a força de incluir a palavra robô, inventada por ele, em todas as línguas do mundo.
É interessante poder comparar diferentes estilos e épocas. Também me permitiu entender melhor porque não gosto da maioria dos escritores brasileiros. Achava que era por ter sido obrigado a ler muitos deles na escola. Mas, agora, — pela amostra desta coletânea — percebo que eles, refletindo a cultura nacional, estão mais preocupados com a embalagem do que com o conteúdo, mais em usar construções bonitas do que em contar uma história interessante.
Agora, com a experiência de já ter lido todo o livro, eu pularia toda a parte relativa ao Crime à Brasileira. Também iria ignorar os quatro contos finais, que privilegiam a descrição da violência sobre algum conteúdo criativo. Certamente perderia alguma coisa interessante, mas, com certeza, não perderia meu precioso tempo. Mas, claro, é apenas minha opinião. Leia, compare e discorde.
“Tudo está na forma e nada há, entre o crime e a inocência, além da espessura de uma folha de papel timbrado.” – Anatole France, na obra Crainquebille