A nação de Terre d’Ange é um lugar de beleza e graça sem par. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa… e que a raça resultante da semente dos anjos e dos homens se rege por uma simples regra: Ama à tua vontade.
Phèdre nó Delaunay é uma mulher atingida pelo Dardo de Kushiel, eleita para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. O seu caminho tem sido estranho e perigoso, e ao longo de todo ele o devotado espadachim Joscelin tem estado a seu lado. A natureza dela é uma tortura para ambos, mas ele jamais violou o seu voto: proteger e servir. Agora, os planos de Phèdre põem a promessa de Joscelin à prova, já que ela jamais esqueceu o seu amigo de infância, Hyacinthe. Passou dez longos anos em busca da chave para o libertar da sua eterna servidão, um acordo por ele feito com os deuses — tomar o lugar de Phèdre em sacrifício e com isso salvar uma nação. Phèdre não pode perdoar — nem a si própria nem aos deuses. Está determinada a agarrar uma derradeira esperança de redimir o seu amigo, nem que isso signifique a morte. A busca irá levar Phèdre e Joscelin mundo fora, para cortes distantes onde reina a loucura e as almas são moeda de troca, e por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de quase todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.
Jacqueline Carey (born 1964 in Highland Park, Illinois) is an author and novelist, primarily of fantasy fiction.
She attended Lake Forest College, receiving B.A.'s in psychology and English literature. During college, she spent 6 months working in a bookstore as part of a work exchange program. While there, she decided to write professionally. After returning she started her writing career while working at the art center of a local college. After ten years, she discovered success with the publication of her first book in 2001.
Currently, Carey lives in western Michigan and is a member of the oldest Mardi Gras krewe in the state.
Já há muito tempo que não pegava nesta maravilhosa série, trilogia no original, e que saudades que eu tinha! Lembrava-me, claro, de quão bons eram os livros, mas vivenciá-lo recordou-me e mostrou-me de outro modo, do modo que só a leitura efectiva o consegue fazer. E que bom que foi!
Por isso, fiquei muito satisfeita por ir fazer leitura conjunta destes dois últimos volumes com a minha amiga Sara e como se não bastasse, me calhasse como desafio do passado mês de Outubro, o papelinho "Ler um livro de uma série já começada".
Confesso que estava com medo de ser difícil regressar a este complexo universo, depois dos anos que se passaram, mas a forma como a autora narra a história tornou este regresso surpreendentemente natural.
Estou a adorar a(s) demanda(s) de Phèdre e do seu fiel Joscelin. Cheias de perigos e de momentos fortes, ao ponto de um em particular, ser quase de revirar o estômago. Phèdre é sem dúvida um ser muito especial, que vive com a angústia do prazer que a dor lhe traz e com o que isso faz ao seu companheiro. Neste volume dá mesmo para perceber que lhe custa obter prazer de certos actos, e que ela não gosta sequer de pensar e se lembrar deles. No entanto houve algo neste Avatar de Kushiel que me fez pensar que esta anguisette pode não estar condenada a estes sentimentos eternamente.
Estou muito intrigada com os Skotophagotis, em como é que eles fazem o que fazem. Quero muito ver Phèdre a escapar daquilo em que se meteu mais Joscelin. Quero também ver que destino terá Imriel e se Hyacinthe ficará livre da maldição do senhor do estreito. E por isso mesmo já dei continuidade a esta belíssima história com A Justiça de Kushiel.
Quero acabar este livro. Mas não quero acabar este livro porque, se o acabo, fico mais perto do fim desta saga. Mas quero acabar este livro e saber como Phèdre e Joceline resolvem mais este imbróglio em que se meteram. Mas não quero acabar este livro porque a escrita de Jacqueline Carey é única, maravilhosa, intensa, fluida, sofisticada, extraordinária. Mas quero saber o que reserva o destino para Imriel e Hyacinthe. Mas não quero… e quero. Conseguem perceber o meu dilema? Avatar de Kushiel é o penúltimo livro da saga Kushiel, únicos livros publicados em Portugal desta extraordinária autora. Lamentavelmente esta saga teve pouco sucesso em Portugal, contrariamente a outras que merecem muito menos ser conhecidas dos leitores. Muitos fãs de fantasia não a conhecem e nunca a leram (e nem sabem, honestamente, o que perdem). Avatar de Kushiel é, talvez, o mais violento de todos os livros. Se, dos outros 4, apenas uma descrição me deixou com o estomago em vias de se revoltar (felizmente o meu estomago percebe o que é ficção e realidade e não se revolta com facilidade – apesar de andar lá perto), neste quinto volume foram duas ou três descrições que o fizeram. E que descrições. Quase que sentimos que nos acontece a nós ou que somos espectadores em primeira fila, tirando-nos o folego e deixa-nos arrebatados pela beleza ou pelo horror. Violento. E intenso. E extraordinário. Uma saga que, seguramente, um dia voltarei a ler. Porque de certeza que lhe descobrirei, a cada leitura, mais razões para considerar esta saga como uma das melhores sagas de fantasia que já li, a par das Joias Negras de Anne Bishop. E nem se compara com A Guerra dos Tronos. Pego, por fim, no sexto volume. Menos páginas (obrigado à Saída de Emergência por pensar nas minhas costas e nos meus ombros) logo será lido mais rapidamente. Mas será mesmo isso que quero? Ou quererei prolongar o prazer que me dá esta leitura? A ver vamos…
Geroge R. R. Martin, Robert Jordan e Juliet Marillier não pouparam elogios à esta trilogia. Desde sofisticada, elegante a inesquecível, O Legado de Kushiel ganhou um lugar no mundo da Fantasia através de uma imagem única da Europa Renascentista e de um enredo complexo fascinante pontuado por personagens únicas que deixaram rendidos os amantes deste género de leitura. De livro para livro, a acção torna-se mais intricada, levando-nos por caminhos tão tortuosos quanto magníficos que nos tiram o fôlego a cada descoberta e nos deixam arrebatados perante a beleza obscura desta história. Neste Avatar de Kushiel, dez anos após os acontecimentos anteriores, o encanto mantém-se mas tudo o que podiam esperar é ultrapassado. Como já devem ter percebido esta é uma das minhas séries mais queridas a par de Jóias Negras e de Crónicas de Gelo e Fogo. Depois de à três anos atrás o primeiro volume me ter chamado a atenção na montra da Bertrand do Colombo de tal maneira que tive de o comprar nesse mesmo dia, e sim tinha a primeira capa portuguesa, tem sido com ansiedade que tenho aguardado cada lançamento e com voracidade tenho lido cada um destes livros. Agora, a aproximarmo-nos do fim, já foi com nostalgia e ainda mais vontade que me agarrei a este quinto volume. Encontrar algumas das minhas personagens mais queridas dez anos mais velhas, naqueles que foram anos de paz sobre o reinado de Ysandre, foi um dos motivos da nostalgia. Como o próprio Joscelin diz a Phèdre, eles já foram jovens e impulsivos, e é amadurecidos pela experiência e pela convivência que os vamos encontrar neste livro, longe da tempestuosidade que marcava o início da relação deles. Mais calmos e menos orgulhosos, é isso que vai proporcionar alguns dos maiores obstáculos à sua relação, momentos que nos deixam com o coração nas mãos e que demonstram que a perícia da autora aumenta de livro para livro, conseguindo ultrapassar-se a si própria. Rever personagens como Hyancinthe, Melisande ou Ysandre e o Cruarch em panoramas completamente diferentes ao que estamos habituados é uma mais valia e torna este livro ainda mais intenso do que a restante série, a juntar a curiosidade que o leitor tem sobre o que aconteceu com cada um deles e restante elenco, cada reencontro é um intensificar das emoções do leitor. Também aparecem outras de livros anteriores, o que nos faz reviver as circunstâncias em que apareceram e ajudam, mais uma vez, a matar a curiosidade acerca dos acontecimentos que ocorreram do último livro para este. A juntar a isto a nova demanda de Phèdre, entrelaçada com a do passado, esta leitura é muito mais intensa e complexa, mais pelo psicológico do que pela acção propriamente dita, que nos arrasta num turbilhão de emoções através da beleza indiscutível da escrita de Carey e de todos os novos cenários que autora nos oferece neste livro, tornando-se uma viagem alucinante pelo passado europeu transformado para esta narrativa. Em cada nova cidade e relato terão reminiscências de memórias de cidades já descritas e que neste livro ganham uma nova consciência e que vai mexer com os vossos sentidos. A provar que é uma mestra, Carey pega em coisas conhecidas de todas nós e torna-as algo deste seu mundo sofisticado e belo, dando-lhes um novo espírito. Descrições de intensa mestria que levarão os amantes mais eruditos desta trilogia à um novo patamar, transformando algo banal em algo de surpreendente. Como se não bastasse, as almas mais sensíveis preparem-se para descrições de arrepiar que impressionam até um coração mais forte. Até a mim que nunca me senti atacada pelos pormenores únicos desta série, este livro impressionou. A autora pega no que de mais macabro existe no imaginário do ser humano e dá-nos a maior provação pelo que os nossos heróis já passaram. Para uma leitura calma no início, temos um final que nos vai deixar obcecados para saber o que irá acontecer a seguir. Mais escuro, mais forte e imensamente mais intenso, Avatar de Kushiel é a preparação perfeita para um grande final que deixará os fãs arrebatados e que nos levará a loucura em cada página. E prova, mais uma vez, que Jacqueline Carey é um nome a guardar quando se fala de Fantasia.
PT: Este é o quinto livro da saga. Atrevo-me a dizer que é o maior desafio que Phedre, já teve de enfrentar. Em busca de uma criança perdida, Phedre e mais uma vez o seu eterno companheiro Joscilin, vão até ao fim do mundo, para encontrar apenas uma terra cheia de crueldade governada por um lunático. Continuo a admirar a brilhante escrita da escritora, que faz com que sejamos transportados para Terre D'Anje.
EN: This is the 5th book of the saga. I dare say it's the biggest challenge Phedre has ever faced. In search of a lost child, Phedre and once again his eternal companion Joscilin, go to the end of the world, to find only a land full of cruelty ruled by a lunatic. I continue to admire the writer's brilliant writing, which causes us to be transported to Terre D'Anje.
Mais um maravilhoso livro e mais uma trama relacionada com toda esta aventura! Quando achava que, finalmente, Phédre seria capaz de libertar Hyacinthe, os Deuses decidem pregar nova partida e enviá-la para um destino assaz horrendo e obscuro. Uma parte da sua demanda está parcialmente cumprida, com o encontro do pequeno Imri, mas o seu salvamento não está garantido. Até que ponto esta situação irá interferir com a relação de Phédre e Joscelin? Quando serão capazes de escapar da loucura de Mahrkagir e qual o preço dessa fuga? Que será feito da sua demanda pela libertação de Hyacinthe? Com estas questões e tantas outras, estou pronta para ler o último livro e encontrar respostas!
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Para mim os pontos altos da obra de Jacqueline Carey são as suas personagens e a magnífica escrita, rica e cuidada, com que nos pinta cenas tão vividas que nos fazem sentir parte integrante da narrativa. Este volume não foge à regra.
Dez anos passaram sobre os acontecimentos de “A Promessa de Kushiel”, dez anos de paz que foram generosos para a maioria dos personagens. Contudo, sem que houvesse grandes avisos, os acontecimentos vão precipitar-se e Phédre vai ver-se mergulhada em duas demandas que, numa fase inicial, não parecem ter nenhuma relação entre si. Ainda assim, nada é o que parece a teia de intriga é tão densa e intrincada que nem sequer a herdeira de Delauney é capaz de abarcar a totalidade do mistério e quem poderá estar por detrás dele.
Correspondendo este volume da edição portuguesa a metade do livro na sua edição original, não é um texto que consiga responder-nos a todas as questões que haviam ficado pendentes mas, em muitos aspectos, é mais do que estávamos à espera. Também por causa desta divisão o ritmo da narrativa é bastante pausado em cerca de ¾ do mesmo sendo que a sua intensidade apenas começa a aumentar nos capítulos finais. Apesar disso, a acção vai-se desenrolando a um ritmo constante e sem quebras, guiando-nos por terras que já conhecíamos - Siovale, La Sereníssima…- passando por locais que já haviam sido referidos em anteriores volumes – Aragonia e Menekhet – para terminar por nos levar ao território verdadeiramente assustador que é Drujan.
Neste ponto não posso deixar de referir a forma realista com que Carey nos pinta uma capital africana, com todas as misturas de culturas e povos que podemos encontrar nestes locais, no caso de Menekhet, e o pequeno frio no estômago com que consegue deixar o leitor à medida que o vai preparando para Drujan. Toda a geografia, a história deste povo, a sua cultura e o povo em si, estão fortemente marcadas pelo derramamento de sangue e por uma entidade negra e mortal que ninguém consegue explicar porque ninguém conhece. E é aqui que a narrativa nos deixa, numa terra selvagem e inóspita onde, longe de se resolverem, as coisas apenas parecem complicar-se. O ponto fulcral de interrupção deixa –nos cheios de curiosidade… O que se esconderá verdadeiramente na negra fortaleza de Drujan? De que será capaz um bem treinado cassiline quando levado às profundezas do desespero? Que alianças poderão vingar entre os prisioneiros no zenana? E, acima de tudo, quais as consequências que poderão advir do encontro da mais perfeita e única anguisette com o mais pérfido dos sádicos?...
10 anos passaram de paz e tranquilidade, mas phédre nunca esqueceu que devia tentar libertar o seu amigo hyacinthe o tsingano que ficara preso nas ilhas 3 irmãs para ser o próximo senhor do estreito quase para a eternidade. Ao mesmo tempo melisande chama-a a la sereníssima, pois o seu filho Imriel que ela tinha num esconderijo secreto (uma abadia em terre d'ange) desaparecera. Phédre promete-lhe encontrá-lo e para isso desmonta o rapto que nada tinha a ver com a importância do rapaz mas era um simples acidente. Bandidos de merkereth tinham raptado crianças para enviar para oriente mais precisamente para um culto do mal. Phédre em iksandria, entre ir para sul para procurar uma tribo perdida de Israel, que tinha a chave para libertar hyacinthe, vai rumo a ninive e cai no meio do tal povo com instintos satãnicos, consegue revoltar o harém do mau da fita e em liberdade regressam a ninive a daí para o mediterraneo, não sem que tentem matar o imriel. Planeia enviar o miúdo para terre d'amge mas ele troca-lhes as voltas e esconde-se no navio de phédre e joscelin e vai para iksandria para seguirem pelas margens do grande rio abaixo para o interior de áfrica. Suspeito que se tivesse ficado no navio que lhe era destinado teria sido morto.
O que dizer sobre a escrita de Jacqueline Carey? Uma escrita tão rica, musical, com cenas tão bem descritas e personagens tão bem criadas que nos parecem reais. Encontramos as personagens com mais 10 anos e nota-se que estão mais maduros. Mas, de repente Phèdre tem uma nova demanda e é essa nova aventura que vamos acompanhando (a par do destino de Hyancinthe). Um livro com um ritmo mais lento, ou não fosse este a primeira metade da versão original, mas ainda assim, com acontecimentos muito intensos e descrições impressionáveis e que nos atingem e afligem, tais são as provações dos nossos heróis e amigos. Acredito que o último livro, que será a minha próxima leitura, será ainda mais intenso e negro. Jacqueline Carey é, sem dúvida, uma das autores de fantástico a seguir!