As páginas deste livro estão cheias de palavras de poder - palavras de grandes líderes, de homens e mulheres que tiveram uma paixão e uma causa e que, para o bem ou para o mal, mudaram o mundo. São palavras que ecoam na nossa memória colectiva e que, sob a forma de discurso, agitaram corações, moveram paixões e ódios, ergueram ideias, derrubaram barreiras e conduziram povos e nações a novas fronteiras. Foram armas de destruição maciça, provocando caos e anarquia, mas foram também origem de criação e progresso na longa caminhada que empreendemos há muitos anos. Os discursos estão ordenados cronologicamente, sendo cada um deles precedido por um texto conciso que o situa no seu contexto histórico e fornece informações sobre o orador. Para facilitar a consulta, poderá o leitor encontrar, no final, um índice alfabético ordenado pelo nome do orador. Instrumento de trabalho ou simplesmente um meio de olhar o passado, este livro captura o drama da construção da história. Os 50 discursos aqui apresentados reflectem encruzilhadas importantes com as quais a humanidade se viu confrontada e, melhor do que qualquer manual de estudo, são as palavras ditas dos grandes líderes que nos revelam os triunfos e as crises dos povos, a sua alma, os seus actos, as suas angústias e os seus sonhos. Compreendendo as suas palavras, compreendemos melhor como chegámos até aqui.
Uma prenda de Natal que serviu como desculpa para indulgenciar em history buffness e cair no clássico remoinho sem fundo de páginas da wikipédia. Os editores deixam pouco para indicar se tinham alguma “narrativa” em mente no que toca aos textos escolhidos, ou seja, alguma intenção de os interligar ao longo de um fio condutor. Mas o efeito, seja intencional ou não, é que os primeiros discursos (também os mais antigos, dada a ordem cronológica) parecem escolhidos de forma mais “aleatória”. Enquanto a seleção que cobre o período da 2ª Guerra Mundial e Guerra Fria, para além de mais extensa, tem uma estrutura bem mais interessante. Há uns contrastes muito fortes. A bazófia de Mussolini mesmo antes da republicana espanhola Ibárruri gritar o seu "No Pasarán" aos fascistas. Os presidentes norte-americanos e soviéticos a aparecer alternadamente. Mas nada carrega mais pathos aqui que o primeiro discurso de Allende como presidente, em lágrimas de esperança, seguido imediatamente pelo seu último…