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O Cardo e a Rosa - Poesia do Barroco Alemão

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(...) este livro de poesia barroca é para todos os leitores um bom motivo para fazer uma viagem. Uma viagem onde? Ao coração dos grandes criadores da poética alemã sob o signo da melancolia (...) O leitor escolhe. O livro acolhe. Mas, com excelente tradução de João Barrento, é bem provável que quem não acolha este livro perca a oportunidade de entrar numa grande literatura.
António Carlos Cortez in «os meus livros» Outubro/2002

128 pages, Paperback

First published January 1, 2002

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About the author

João Barrento

107 books15 followers
Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1964) com uma tese sobre a obra do dramaturgo inglês Harold Pinter. De 1965 a 1968 foi leitor de Português na Universidade de Hamburgo e, depois, leitor de Língua Alemã na Faculdade de Letras de Lisboa. É desde 1986 professor de Literatura Alemã e Comparada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Professor convidado e conferencista nas Universidades alemãs de Hamburgo, Göttingen, Düsseldorf, Heidelberg, Erfurt, Leipzig, Mainz, Bielefeld e nas Universidades de Viena (Áustria), Louvain-la-Neuve (Bélgica), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Federal da Paraíba (Brasil).

Autor de numerosos artigos e ensaios sobre temas de literatura alemã, portuguesa, inglesa, literatura comparada, teoria da literatura e da tradução, designadamente em revistas da especialidade – Colóquio/Letras, Revista da Faculdade de Letras (Lisboa), Biblos, Binário, etc. –, bem como nos jornais Expresso e Público, tem-se distinguido pela selecção, tradução e apresentação de edições de J. W. Goethe, Hugo von Hofmannsthal, Erich Fried, Michael Krüger, G. Benn, Christa Wolf, Paul Celan, Johannes Bobrowski, Thomas Bernhard, Georg Trackl, Peter Handke, Heiner Müller, entre outros, e também pela organização e tradução de antologias de textos e poemas de língua alemã. É ainda autor de livros de divulgação da literatura portuguesa na Alemanha.

É desde 1994 vice-presidente do Pen-Clube Português e foi vice presidente da Associação Portuguesa de Germanistas (1994-96) e presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Tradutores, desta sendo, aliás, membro fundador. É ainda membro da Associação Portuguesa de Escritores, da secção portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários, da Associação Portuguesa de Estudos Germanísticos, da Internationale Robert Musil-Gesellschaft (Viena) da IVG-Internationale Vereinigung für Germanische Sprach und Literaturwissenschaft e da Deutsche Schillergesellschaft (Alemanha). Foi agraciado com vários prémios e condecorações, designadamente o Grande Prémio de Tradução do Pen-Clube e da Associação Portuguesa de Tradutores (1993), o Prémio de Ensaio "Jacinto do Prado Coelho", da Seccção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários (1996), o Grande Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores (1996, atribuído a A Palavra Transversal), a Bundesverdienstkreuz (Cruz de Mérito Alemã, 1991) e a Medalha Goethe da República Federal da Alemanha (1998).

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews63 followers
February 8, 2022
(3,5*)

"Não te assustes com o sinal de amor:
Ele traz do futuro a imagem nossa,
Da qual apenas foge, com temor,
Aquele que à razão faz vista grossa.
Como pode unir-se o gelo ao calor?
Como se casa a morte com o amor?
A união e o casamento são perfeitos ,
Pois são os dois por igual poderosos
E fazem seus efeitos milagrosos
Neste mundo sobre todos os sujeitos.

Dou-te esta prenda, vais com ela aprender:
O ouro quer dizer fidelidade,
O anel, que o tempo nos venere,
As pombas são jovialidade;
Para te lembrar a vida há a caveira,
É vão na morte tudo o que se queira.
Por isso, enquanto podes, vive e ama:
Quem sabe quanto tempo inda teremos!
A vida está nos beijos que nós demos —
Começa já a atear-me essa chama!

Quando Ele Ofereceu a Filis um Anel com uma Caveira
Johann Christian Günther

***

"Já se apagam as luzes na eterna e clara via,
Ergue-se a pálida Diana, Aurora ri
Para o céu pardo, acorda a leve brisa ali
E a emplumada plêiade saúde um novo dia.

A vida deste mundo quer o mundo beijar
E aflora, vê-se já toda a magnificência
Da luz do Sol no mar: oh, suprema potência,
Ilumina a teus pés quem te vem adorar!

Rompe a noite de chumbo que a alma atormenta,
O negrume da dor que o espírito apoquenta,
Alivia-me o ânimo e dá-me confiança.

Concede que este dia ao teu serviço o passe:
E quando então um dia a vida o fim alcance,
Sê meu sol, minha luz, e minha eterna esperança."

Soneto Matinal
Andreas Gryphius

***

"Virá a pálida morte com a sua fria mão
Um dia finalmente esses seios afagar;
E o coral aprazível dos lábios vai murchar;
Do colo a neve quente vai ficar frio chão,

A doce luz dos olhos, as forças dessa mão
Sobre a qual ela cai, com o tempo vão faltar,
O cabelo que agora qual ouro está a brilhar
Dia e ano o destroem como simples cordão.

O pé tão delicado, os gestos tão amenos,
Em parte serão pó, em parte ainda menos,
E então ninguém mais reza a esse Deus brilhante.

Isto e mais do que isto um dia há-de acabar,
Só o teu coração para sempre há-de ficar,
Porquanto a natureza o fez de diamante."

Transitoriedade da Beleza
Christian Hofmann von Hofmannswaldau

***

A poesia do Barroco alemão deixou-me, em grande medida, algo indiferente, mas essa indiferença não foi absoluta e algo se agitou dentro de mim durante a leitura. O último poema que transcrevi, por exemplo, remeteu-me de imediato para uma pintura de Hans Baldung ("As Três Idades da Mulher e a Morte – Alegoria da vaidade de todas as coisas terrenas", 1958) e essa associação estética imediata, não-pensante (antes intuitiva, automática, como se poema e pintura fizessem parte integrante um do outro), fez-me dedicar uma maior atenção aos restantes poemas.

Embora não tenha terminado o livro com a sensação de que encontrei aqui afinidades que vou manter e estimar (talvez com a excepção de Andreas Gryphius), da leitura sobrevive a curiosidade e a compreensão que outros leitores possam sentir em relação aos poetas do Barroco alemão: a título de exemplo, achei curioso o conceito de jogo aplicado aos poemas, criando uma estrutura visual que seja coerente com o tema abordado (como o poema em forma de coração, que versa sobre o amor, da autoria de Georg Philipp Harsdörffer, ou o poema sobre a passagem do tempo, de Theodor Kornfeld, em forma de ampulheta), algo que será recuperado no século XX.
Profile Image for MT.
201 reviews
June 3, 2021
“Não te assustes com o sinal de amor:
Ele traz do futuro a imagem nossa,
Da qual apenas foge, com temor,
Aquele que à razão faz vista grossa.
Como pode unir-se o gelo ao calor?
Como se casa a morte com o amor?
A união e o casamento são perfeitos,
Pois são os dois por igual poderosos
E fazem seus efeitos milagrosos
Neste mundo sobre todos os sujeitos.

Dou-te esta prenda, vais com ela aprender:
O ouro quer dizer fidelidade,
O anel, que o tempo nos venere,
As pombas são a jovialidade;
Para te lembrar a vida há a caveira,
É vão na morte tudo o que se queira.
Por isso, enquanto podes, vive e ama:
A vida está nos beijos que nós dermos —
Começa já a atear-me essa chama!”

Johann Christian Günther
QUANDO ELE OFERECEU A FILIS UM ANEL COM UMA CAVEIRA
Profile Image for João Moura.
Author 4 books23 followers
August 11, 2019
Uma colectânea de poesia barroca alemã, com mais momentos altos do que baixos. Um olhar para o mundo, para a vida, para a morte e para o interior do homem.
Profile Image for Hugompf.
9 reviews4 followers
January 27, 2013
De uma simplicidade soberba. Bastante interessante.
Displaying 1 - 4 of 4 reviews

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