Minha primeira avaliação do livro foi de quatro estrelas, mas, alguns dias depois de ter lido, reconsiderei minha avaliação inicial e por isso tirei uma estrela e, posteriormente, outra. É um livro que me marcou, mas pelos motivos errados.
Acho que vale a pena dizer que se o livro me causou uma impressão forte o bastante para me fazer voltar aqui depois, então ele foi bem-sucedido em algum ponto. Porém, tenho pensado na natureza desse impacto e como nós reagimos a livros que se usam muito de fator choque, e em como gostamos de criticá-los, especialmente quando são escritos por homens, como no caso do Raphael Montes, por exemplo.
Em retrospecto, toda vez que eu penso em 'O Peso do Pássaro Morto', menos eu gosto. Depois da primeira reação, que é muito visceral, ele parece que perde muito do seu impacto. Um certo argumento pode ser usado aqui, como: este não é um livro pra você "gostar". O que é justo. Não é um livro pra você ficar feliz depois de ter lido. Mas acho que a falta de nuance nas situações acaba pesando contra a história que a autora quer contar, tira muito de sua complexidade e de sua profundidade. No fim, acaba sendo uma coleção de tragédias seguidas de mais tragédias e assim sucessivamente até o trágico final. Tudo bem, o livro é uma tragédia, mas quanto mais eu penso sobre ele, menos acho que ele diz algo de profundo ou revelador acerca da condição humana, acerca da condição da mulher e, principalmente, acerca da condição da mulher no Brasil (o que não é o mesmo que dizer que o Brasil é um país fácil de se viver para as mulheres, porque definitivamente não é).
Então assim; uma vez terminada a leitura, como um livro se sustenta ao longo do tempo, especialmente quando o tom dele é baseado no recurso de tocar uma nota cada vez mais pesada do começo até o final?
No fim das contas, acho que tudo o que eu falei é um jeito embromado de dizer que achei o livro exagerado, que achei que ele peca por excesso.