“Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento pleno da verdade.” (1 TM 2,3)Louis Gaston de Ségur nasceu em Paris a 15 de abril de 1820. Descendente de uma família nobre, era filho do marquês Eugène de Ségur e da célebre condessa de Ségur, conhecida escritora de livros infantis.Zeloso nos estudos, logo que se formou em Direito foi enviado como adido à Embaixada Francesa em Roma, junto a Santa Sé (1842-1843). Perto dos Apóstolos Pedro e Paulo, sentiu o chamado para o sacerdócio, e, ao retornas a Paris, ingressou no Seminário de Santo Súplico, sendo ordenado sacerdote em dezembro de 1847.Dedicou-se a evangelização de crianças, pobres e soldados prisioneiros de guerra. Mas devido a um problema na visão que o levaria à cegueira, passou a ditar livros explicando – e defendendo com fervor – a doutrina católica em linguagem popular. Até o momento de sua morte, em 1881, seus livros somavam 700 mil cópias vendidas na França e na Bélgica, sem contar as edições em italiano, espanhol, alemão, inglês e até mesmo na língua hindu. O Inferno foi publicado em 1876, e a idéia inicial, segundo o autor, partiu do que dizia o Papa Pio IX: “nada é mais capaz de fazer os pobres pecadores refletirem e, conseqüentemente, fazê-los retornar a Deus, do que as verdades do inferno”. Para Ségur, “o grande missionário do céu é o inferno”, pois no momento em que alguém se dá conta de que se trata de algo real, não apenas um símbolo, passa a compreender perfeitamente que, como diz o salmista, “a sabedoria começa com o temor a Deus” (Sl 111,10).Enfim, o inferno realmente existe! Essa é a crença de todos os povos de todos os tempos.
Neste pequeno e muito útil livro, Monsenhor de Ségur trata de duas questões, sobre a existência do inferno e do que se trata.
Inicia mostrando que é uma crença comum de todos os povos, um lugar onde os maus pagarão pelos seus erros, como existia não só nas religiões monoteístas, mas também nas religiões pagãs. Trata-se de algo inato ao ser humano.
Mostra diversos relatos de casos, confiáveis, de almas que tiveram a permissão de retornar para mostrar a verdade da existência do inferno. Salienta o fogo do inferno, um fogo que queima mas não consome. Só de se imaginar a existência de um inferno sempiterno, imutável, onde não há diminuição das penas, já deveria ser razão mais do que suficiente para acordar da vida de pecado.
Uma citação interessante é a de São Jerônimo, logo após sua morte, para Santo Agostinho, que buscava compreender a eternidade: "os olhos do homem não podem ver, os ouvidos do homem não podem ouvir e o espírito do homem jamais poderá conceber o que procuras compreender".
Mostra também como não devemos dizer que determinada pessoa está no inferno, visto que não sabemos o que se passa na alma da pessoa no momento da morte, trazendo aqui relatos de arrependimento no último instante e de conversão. Devemos acreditar também na infinita misericórdia divina e não cair em desespero.
Finaliza com orientações práticas de se confessar e comungar frequentemente, além de evitar toda ocasião de pecado, dizendo que o grande missionário do céu é o inferno.
Tenho um medo da porra do inferno e, aparentemente, é um bom sinal; como tudo nessa vida, esse medo inicial, o espanto, é condição para adentrar em uma verdade nova. Nao no sentido de participação. Nao, nao. O sentido do medo é bom, deixa ele aqui, como um homem na selva precisa de seus instintos para se preparar da ameaça circundante. Como essa ameaça, por definição, nunca vai se mostrar antecipadamente, só nos resta aguardar, usando tudo tudo que temos, inclusive nosso, natural, medo