Apesar de toda a arquitetura "teórica" do livro ser um grande blá blá blá pretensioso e sem sentido, grande parte do livro -leia-se o "diário sabático" que recheia o miolo desse volume - consegue trazer algum deleite ao leitor se considerado apenas em sua perspectiva ensaística despretensiosa.
NOTA SOBRE A POLÊMICA DAS LITERATURAS PÓS-AUTÔNOMAS: o texto da Ludmer, apesar de ter algumas considerações interessantes, nesse exato momento (um dezembro de 2021 que vê o fenômeno da "literatura do eu" já distante e um cenário político marcado pela ascensão meteórica de ultra direita com as eleições de Trump e Bolsonaro, por exemplo, já em mingua) parece ter ficado datado rápido. Para além do uso de um léxico conceitual tosco, a leitura de Ludmer me parece ser historicamente (seja sobre a história do romance enquanto gênero, seja numa hipervalorização do "contemporâneo") míope.