Hlapec Jernej je 40 let delal na domačiji pri starem Sitarju. Po smrti starega gospodarja je verjel, da bo zaradi vloženega dela pripada posest njemu, dobi pa jo, seveda, gospodarjev najstarejši sin. Jernej se je razburil in zahteval, kar mu, po njegovem mnenju, pripada. Ko ga mladi Sitar nažene s posestva in tako prepusti kruti usodi, išče razumevanje in pravico tako pri odvetniku kot župniku in drugih ljudeh, a ker je ne dobi, si jo nazadnje vzame sam …
A terra é de quem a possui ou de quem a trabalha? Debate antigo mas sempre actual a que Ivan Cankar, escritor e activista político do início do século XX, não ficou imune.
O Yerney trabalhou durante 40 longos anos. Deus abençoou o seu trabalho, que produziu frutos maravilhosos. De quem é a labuta, de quem são os frutos? Agora, diz-me: que lei humana é essa, que divinos mandamentos são esses, que eu nem sei onde descansar a cabeça, apesar de ter ceifado feno suficiente para fazer uma pilha tão alta como a montanha além? E não tenho nem uma côdea de pão, eu que enchi celeiros enormes com trigo.
Posto na rua após a morte do seu patrão, Yerney, um lavrador ingénuo e ignorante das leis mas com um forte sentido de moral e honra, parte em busca de alguém que lhe dê razão e o apoie, primeiro na sua aldeia, junto do presidente da câmara, do juiz local, de outros camponeses e até de um andarilho, homem vivido e sábio que tenta levá-lo a resignar-se.
Não discutas acerca de direitos e injustiça das leis dos homens e dos mandamentos de Deus. Já o fiz e olha: agora sou vagabundo e não tenho amigos. Tentei mostrar aos homens a injustiça do mundo e as suas leis; e chamando-me rebelde, empurraram-me para a rua. Engole a injustiça, Yerney, e nunca chames pelo seu nome.
É um conselho e uma profecia a que Yerney, na sua obstinação, não dá ouvidos. Parte, então, para Liubliana para pedir um parecer ao tribunal, onde a resposta é sempre a mesma e o leva a perder a cabeça, com repercussões inesperadas. E volta a encontrar pessoas mais desiludidas e cínicas que tentam demovê-lo da sua demanda.
Acredito perfeitamente que não roubaste; aquele que acredita na justiça nunca roubou nem matou. Mas, pouca sorte a tua, que, apesar de inocente, te cruzaste com a justiça! A justiça é uma senhora severa e exigente e não gosta que lutes contra a sua vontade.
Desesperado, decide pôr-se a caminho de Viena, primeiro a pé e depois de comboio, transporte em que nunca andara, para falar com o imperador. Tendo recorrido a todas as instâncias, resta-lhe apelar ao topo da hierarquia.
Ficou acordado durante longo tempo... a conversar com Deus. Mas agora não falou com ele como um criado para o patrão; pelo contrário, falou como um credor para o devedor. -Cumpre agora as Tuas promessas. Tu deste a justiça aos homens e elas esconderam-na. Não a recebi de polícias, nem de juízes, nem mesmo do Imperador.
Gostei bastante deste pequeno manifesto social com um desfecho apoteótico, o meu primeiro contacto com a literatura eslovena.
- Endoideceste, Yerney? Yerney, fingindo não compreender, olhou fixamente para o orador. - De que estás a falar? Eu não te perguntei nada acerca do meu espírito; perguntei-te acerca dos meus direitos. E imaginemos que eu era demente. (...) Até um doido tem os seus direitos!
«Encontrareis mais depresss um tesouro ao luar de que a justiça em pleno dia.»
Cankar cria uma espécie de Dom Quixote quando escreve a personagem Yerney: um idealista, um crente ferveroso que parte numa demanda pela justiça que os homens lhe não podem dar. Expulso da casa que construiu e dos campos que lavrou, o seu objetivo é o de conseguir que lhe seja admitida a justa parte do seu trabalho em vez de, depois de despedido pelo patrão, ser obrigado a implorar a sua caridade.
«Um homem vive um ano, dez anos, quarenta anos numa casa e nota que a casa se torna semelhante a ele como um irmão, e existe um laço de amor entre eles.»
Para isso, Yerney está disposto a ir longe, muito longe, tão longe que a justiça divina de tão próxima, tocando a dos homens, lhe desse a razão e com ela a paz para os últimos anos da sua vida. Mas a senhora justiça não se dá a ver, e esse facto adicionará ao peso dos anos o da mágoa que leva não à morte do corpo, mas do espírito.
«O lamento é como uma semente que produz mil vezes mais. Logo que cai sobre o coração multiplica-se tão rapidamente que o coração fica sufocado, tão sufocado que a esperança não pode irromper.»
Para mim, a dimensão religiosa de A Justiça de Yerney é um enorme obstáculo à fruição da leitura: a crendice que se sustenta na ignorância é um tema que me choca profundamente e me repugna - mas as questões da propriedade, dos direitos dos trabalhadores e da ética das nossas leis (e comportamentos) permanecem pertinentes.
A narrativa de Cankar é inevitavelmente uma narrativa em que o pecado, o castigo e a redenção são pontos fulcrais (o final catártico é um excelente exemplo disso); a espiritualidade e o materialismo são debates demorados que o autor incentiva em pouquíssimas páginas; a interrogação mística, a humildade e a simplicidade o pano de fundo para uma reflexão social que não tentarei sequer começar aqui a fazer. Não sendo um favorito, é uma leitura que deixará a sua marca.
«Yerney, Deus tem sido mais complacente comigo do que contigo. Mostrou-me a injustiça logo no começo, mas manteve-a afastada de ti até ao fim. Eu só vivi uma escassa meia hora na ilusão; mas tu viveste nela ao todo quarenta anos.»
São apenas 94 páginas, mas que dariam horas de discussão sobre as vicissitudes justiça.
Encerrastes a justiça nesta grande casa, para que não possa espalhar-se pelo mundo. Destes duas voltas à chave; mantiveste-la guardada atrás de portas duplas, para que eu não me arriscasse a descobri-la. Roubaste-la e guardaste-la debaixo da beca, para que não se possa mostrar aos olhos que a procuram… Mas conheceis mal o Yerney. Procurá-la-ei ainda que esteja enterrada na terra tão funda quanto o meu suor; usarei uma pá; escavarei e removerei a terra até onde as forças me deixarem…
Hlapec Jernej je res globoko zaverovan v svojo pravico, ki je, vsaj tako je bralcu predstavljeno, vsekakor nekaj, kar mu pripada. Tekom zgodbe pa je to slepo verovanje v pravico in ze blazna obsedenost s tem pripeljala tako dalec, da bralec podvomi v dusevno stabilnost Jerneja in v to, ali si pravico sploh dejansko zasluzi. Kot protagonist mi je proti koncu sel ze precej na zivce, kljub temu, da so razlogi za njegova dejanja povsem smiselni, nekaj na njegovem pristopu povzroca, da mu pravice ne privoscis. In to te dela enakega kot ljudi, ki jih Jernej srecuje tekom zgodbe, ki mu kjlub smiselnosti argumentov, ne prisodijo pravice. Jernej se ni vdal in je do konca veroval v svoja prepricanja, kar ga je stalo zivljenja.
Човечка приказна за неправдите, потрагата по правината и опстојливоста во таа потрага. И за добрината што во нас длабоко ја носиме. Не може да не го сакате и да не сочувствувате со старецот Јернеј, кој и покрај сета неправда, останува чист во душата и срцето свое и верува во добрината на луѓето. П.С. Омилената книга на баба ми.
Več je izdaj Cankarjevega "Hlapca Jerneja" in verjetno tudi več predgovorov ali spremnih besed. V predgovoru izdaje knjige, ki je pristala v mojih rokah, se Boris Ziherl esejsko loti razlage časa, v katerem je Cankar ustvarjal in tudi delal. Knjiga, za katero je sam Cankar rekel, da je želel agitacijsko brošuro za volitve, na katerih je leta 1907 kandidiral za poslanca v avstrijski državni zbor, nastala pa je njegova najboljša novela. Da je bil pisatelj socialist in velik zagovornik pravic delavskega razreda, je skozi to novelo brez dvoma izrazil. Ko sem že med branjem razmišljala o bistvu zgodbe, si nisem mogla pomagati, da ne bi razmišljala širše, politično. Da ne gre le za delavca, ki je vse življenje garal, ampak tudi za majhno, premajhno deželo Slovenijo, katere ne le narod, ampak tudi politika, se obnaša hlapčevsko, ko pride do odločanja o pomembnih vprašanjih npr. Evropske unije v današnjem prostoru in času. Majhen faktor, premajhen, da bi iskal pravice pri velikih, kapitalistično izredno usmerjenih narodih. Ivan Cankar je bil brez dvoma velik umetnik, ni pa bil samo to. Bil je tudi velik ne le človek, ampak tudi vizionar, ki se je, po vsej verjetnosti zaradi lastne revščine v otroštvu, boril za pravice malih ljudi. Hlapci oz. hlapčevstvo se pogosto pojavlja v njegovih delih, ki skušajo z objektivnostjo prebuditi vse "za hlapce rojene". Odlična novela, časovno neomejeno delo, ki poleg pravice razkriva tudi kolektivno (ne)empatijo nekega naroda.
Ugh, Hlapec Jernej je sicer precej kratko besedilo, a meni precej mučno za brati. Sicer res odpira vprašanja pravice in svobode, podaja idejo o večji enakopravnosti, a mislim, da bi bilo vse skupaj lahko veliko bolje izvedeno. Scene se neprestano ponavljajo, kar je bilo verjetno namenoma tako napisano, a čez čas brati eno in isto postane tečno in nadležno. Verjetno bi bralci morali simpatizirati z Jernejem in 'navijati' zanj, a njegova 'z glavo skozi zid' metoda reševanja stvari ne prebuja usmiljenja.
Kada sam je prvi put čitala, a to je bilo još u osnovnoj školi, na mene je ostavila tako mučan utisak da nisam sigurna da bih pokušala ponovo. Sjajna priča, ali zaista teška.
Il servo Jernej e il suo diritto è un racconto dello scrittore e poeta sloveno Ivan Cankar. Quest'opera è considerata il suo capolavoro; ed effettivamente la prima cosa che devo dire a suo riguardo è che la scrittura di questo centinaio di pagine è magistrale.
E' necessario uno scrittore di qualità per affrontare bene ed esaurientemente tanti temi in modo conciso. Attraverso la disavventura dell'anziano contadino Jernej, Cankar illustra, perfettamente, come sia lo stato che la chiesa del tempo non tutelassero minimamente i diritti delle classi più povere e in particolare dei lavoratori e contadini. Ed impossibile da trovare era un conforto che sapesse di giustizia.
La storia è semplice, ma ricca di spunti. In pratica, dopo aver fatto sorgere col proprio sudore una fattoria e coltivato i campi per tutta la vita, insieme al suo padrone, Jernej - alla morte di questo - verrà allontanato dall'erede, senza un reale motivo e senza alcuna pietà per la vecchiaia del servo. Da qui parte la ricerca di giustizia da parte del religiosissimo Jernej. La cercherà nei tribunali, nelle chiese, tra la gente comune, interpellando passanti e bambini, chiunque.
E nonostante la sua cieca fiducia nella legge civile, nelle leggi divine e nel cuore degli uomini, il povero contadino non troverà nessuno che lo prenda seriamente o si schieri dalla sua parte. Tutti ritengono che il padrone abbia un diritto assoluto di cacciare Jernej, benché tutto ciò che esista in quella tenuta sia opera del sudore e della fatica di anni di lavoro del protagonista.
Il finale è un climax, che si concluderà in modo tragico, con uno Jernej la cui fede nell'umanità e nel divino sarà completamente spezzata. Ci sarà soltanto la disfatta di Jernej, il tramonto di ogni speranza, la vendetta e la orribile e triste sua morte, senza giustizia alcuna.
Il tutto è scritto in modo semplice e diretto e tocca davvero molti temi: i diritti dei lavoratori, la fede, la solidarietà (e la sua assenza), il valore degli anziani e il rispetto loro dovuto, e la mancanza di giustizia nel mondo (parola che ritorna spesso nel testo, come se fosse l'acqua disperatamente ricercata da un assetato).
Io credo che Cankar voglia ammonirci e dirci che la giustizia non è scontata. Esiste solo se noi tutti ci impegniamo a far sì che esista. Richiede la nostra costante attenzione e azione ed empatia e apertura ad ascoltare e valutare differenti situazioni e motivazioni. Solo la nostra coscienza attiva la può portare all'interno di un sistema economico e sociale.
Un racconto cupo, ma che può insegnare davvero tanto a tutti noi, sia su come comportarsi col prossimo, sia sulla necessità di creare tutele per i più deboli.
Cankar scriveva all'inizio del 1900. Da allora molto è stato fatto. Ma direi che nel frattempo molto è stato anche disfatto. Oggi più che mai questo racconto è attuale e bello. Dovrebbe essere riscoperto e spero proprio non si perda nell'oblio della storia.
E dovremmo proprio cercare di prestare attenzione agli ultimi, proprio come Ivan Cankar ci chiede di fare. Si trova ancora in e-book e in qualche copia usata, edita decenni fa. Lo consiglio. E - personalmente - spero di leggere anche qualche altra cosa di questo autore.