"Adília Lopes da Silva and Maria José de Oliveira Viana Fidalgo are one and the same person. They are me. As poppy is a poppy. And many other names that I don’t know. Adília Lopes is water in gaseous state, Maria José is the same water in solid form. I'm a woman, I'm Portuguese, I’m from Lisbon, I’m a poet, I'm a linguist (we all are), I'm a physicist, I'm a librarian, I'm an archivist, I'm shortsighted, I was born on 20 April 1960, I'm single, I have no children, I'm catholic, I have brown eyes, I measure 1.56 m, now I weight 80 kg, I use the short hair since 1981, the hair is dark brown with many white hairs. (...) it's clear that the poet is always the idiot of the family, the crazy one".
Quantas vezes me fechei para chorar na casa de banho da casa da minha avó lavava os olhos com shampoo e chorava chorava por causa do shampoo. depois acabaram os shampoos que faziam arder os olhos, no more tears disse Johnson & Johnson. as mães são filhas das filhas e as filhas são mães das mães. uma mãe lava a cabeça da outra e todas têm cabelos de crianças loiras. para chorar não podemos usar mais shampoo e eu gostava de chorar a fio, e chorava, sem um desgosto sem uma dor sem um lenço sem uma lágrima, fechada à chave na casa de banho da casa da minha avó, onde além de mim só estava eu. também me fechava no guarda-vestidos grande mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro nunca ninguém viu um vestido a chorar.
"(...) começou a acontecer-nos dizer a mesma coisa ao mesmo tempo eu dizia ou se não dizia era como se dissesse já não morremos hoje isto é muito justo porque se duas pessoas se encontram nunca mais morrem uma para a outra e por isso não morrem hoje nem amanhã nem depois (...)"