Publicado pela primeira vez em 1973, As impurezas do branco e um livro singular na vasta e aclamada carreira do autor mineiro. O poeta se mostra permeavel ao concretismo, a poesia de tonalidade menos cultivada - estamos na decada que assistiria ao aparecimento da geracao mimeografo -, a espacialidade da pagina em branco. Atento aos acontecimentos do seu tempo, o poeta observa, com ironia e ate alguma malandragem carioca, o cotidiano do Brasil e do mundo. Grandes noticias, fait divers, o verao na Cidade Maravilhosa, papel da publicidade em nossas decisoes - nada escapa ao crivo critico e debochado do poeta mineiro.
Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista "A Revista". Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
Drummond sempre magistral! Foi a primeira obra que li nas novas edições da Record. Pessoalmente, gostava mais das anteriores da Companhia tanto pelo projeto gráfico, quanto pelos textos de apoio.
“[...] Como a vida vale mais que a própria vida sempre renascida em flor e formiga em seixo rolado peito desolado coração amante. E como se salva a uma só palavra escrita no sangue desde o nascimento: amor, vidamor!"
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Uma coletânea que me emocionou e me fez pensar muito. As impurezas do branco, as impurezas dos antigos ideais, o ser despido de todo encantamento, dão o tom ao livro. Drummond face ao engajamento dos poetas marginais dos anos 70, ele enxergando o desencontro entre o sonho e a realidade. Top shelf.