Depois dos desesperados esforços para salvar a avó Flor do Fogo de Santo António que dizimava Salamanca, Isaaque Zarco regressa ao Porto, onde retoma o seu trabalho como assistente de alfaiate e participa ainda mais ativamente nos serviços da sinagoga clandestina da cidade. A pacatez dos seus dias, porém, é interrompida quando, já com dezassete anos, recebe uma carta da filha adotiva de Flor, Sálvia, informando-o de que a velha curandeira foi presa pelo Santo Ofício. Isaaque vê-se então mergulhar num mundo pérfido repleto de traições, que culminam no terrífico auto de fé de Madrid, de 1680. Pior do que tudo, fica a saber que, sob tortura, a velha curandeira denunciou outros dois amigos como judeus secretos. Será ele capaz de os salvar, correndo o risco de ser preso? Amor, traição, sacrifício e coragem coexistem neste romance arrebatador, narrativa ímpar dos horrores da Inquisição, que eleva Richard Zimler ao pódio dos maiores contadores de histórias.
Richard Zimler was born in Roslyn Heights, New York, in 1956. He has a bachelor's degree from Duke University (1977) and a master's degree in journalism from Stanford. In 1990, he moved to Porto, Portugal, where he taught journalism for sixteen years at the university level. In 2017, the city of Porto awarded Zimler its highest distinction, the Medal of Honor. At the ceremony, Porto's mayor described the novelist as "A citizen of Porto who was born far away, who makes the city greater and grander... Zimler projects Porto out into the world and brings the rest of the world to us."
Richard has published twelve novels over the last 22 years, and his works have been translated into 23 languages. His most recent novel is THE INCANDESCENT THREADS, which was a finalist for the National Jewish Book Awards in the USA. In chronological order, his novels are: The Last Kabbalist of Lisbon, Unholy Ghosts, The Angelic Darkness, Hunting Midnight, Guardian of the Dawn, The Search for Sana, The Seventh Gate, The Warsaw Anagrams, Teresa Island (only in Portugal and Brazil), The Night Watchman, The Gospel According to Lazarus (The Lost Gospel of Lazarus in paperback) and The Incandescent Threads. His novels have appeared on bestseller lists in 12 different countries. Five of his books have been nominated for the prestigious International Dublin Literary Award: Hunting Midnight, The Search for Sana, The Seventh Gate, The Warsaw Anagrams and The Night Watchman.
Richard has also published six children's books in Portugal. He writes his children's books in Portuguese and his novels in English.
The Last Kabbalist of Lisbon, Hunting Midnight, Guardian of the Dawn, The Seventh Gate and The Incandescent Threads form the "Sephardic Cycle," a group of inter-connected - but fully independent - novels about different branches and generations of a Portuguese Jewish family. You do not need to read them in any order. Each book stands on its own. You can read the first chapters of all his books at his website: www.zimler.com
Richard's latest novel, The Incandescent Threads, is published by Parthian Books. It was a Number 1 Bestseller and Book of the Year in Portugal. It was also chosen as one of the Books of 2022 by the Sunday Times and Jewish Chronicle. Here is a brief synopsis:
From the acclaimed author of The Last Kabbalist of Lisbon and The Warsaw Anagrams comes an unforgettable, deeply moving ode to solidarity, heroism and the kind of love capable of overcoming humanity’s greatest horror.
Maybe none of us is ever aware of our true significance....
Benjamin Zarco and his cousin Shelly are the only two members of their family to survive the Holocaust. In the decades since, each man has learned, in his own unique way, to carry the burden of having outlived all the others, while ever wondering why he was spared.
Saved by a kindly piano teacher who hid him as a child, Benni suppresses the past entirely and becomes obsessed with studying kabbalah in search of the ‘Incandescent Threads’ – nearly invisible fibres that he believes link everything in the universe across space and time. But his mystical beliefs are tested when the birth of his son brings the ghosts of the past to his doorstep.
Meanwhile, Shelly – devastatingly handsome, charming and exuberantly bisexual – comes to believe that pleasures of the flesh are his only escape, and takes every opportunity to indulge his desires. That is, until he begins a relationship with a profoundly traumatised Canadian soldier and artist who helped to liberate Bergen-Belsen – and might just be connected to one of the cousins’ departed kin.
Across six non-linear mosaic pieces, we move from a Poland decimated by World War II to modern-day New York and Boston, hearing friends and relatives of Benni and Shelly tell of the deep influence of the beloved cousins on their lives. For within these intimate testimonies may lie the key to why they were saved and the unique bond that unites the
Richard Zimler é um escritor norte-americano, nascido em Roslyn Heights, Nova Iorque, mas residente em Portugal desde 1990. É conhecido pelos seus romances históricos, muitos dos quais têm Portugal como cenário.
Não foi uma grande desilusão, mas foi decepcionante este diptico de Richard Zimler. Esperava um grande romance histórico, especialmente porque, no total, são 654 + 568 = 1 222 páginas, abordando um período sombrio da nossa história – Santo Ofício | Inquisição | Judeus | Autos de fé.
No primeiro volume, acompanhamos a vida de Isaaque Zarco. A sua infância é marcada pela avó Flor, judia e curandeira. É através da relação com a avó que Isaaque descobre as suas origens judaicas, começa a compreender e, posteriormente, a enfrentar a dura realidade da intolerância religiosa, da necessidade de esconder as suas origens e da discriminação imposta àqueles que não se submetem ao Santo Ofício. O primeiro volume termina com Isaaque, agora com 15 anos, a lutar contra uma epidemia – Fogo de Santiago – para salvar a avó.
No segundo volume, a jornada de Isaaque continua. Isaaque amadurece, enfrenta desafios e continua a sua busca pela verdade. As personagens secundárias são, na sua maioria, bem caracterizadas, e destaco Sálvia, uma anã cujo destino se entrelaça com o de Isaaque.
Sucessivos episódios ocorrem com diversas personagens. Ao terminar a leitura, fica a sensação de que toda a história foi uma sucessão de episódios, alguns dos quais seria interessante conhecer o desfecho, mas que são esquecidos nas muitas páginas do livro. Alguns episódios parecem pouco credíveis, não porque não existissem, mas porque a normalidade de certos comportamentos não é adequada à época. A narrativa carece de profundidade. Quanto à linguagem utilizada, pareceu-me adequada a uma audiência mais jovem.
"E que papel terei eu na sua vida, estimado leitor? E para quem terá estado a trabalhar disfarçado na vida que leva? Bata em si próprio como se bate a uma porta!"
Este livro continua a contar-nos a estória de Isaaque Zarco. Porto, Salamanca, Castelo Rodrigo, Madrid são os pontos de passagem de Isaaque. A inquisição continua sempre presente e os seus “feitos” vividamente descritos ao longo deste livro. Sim, porque nunca é demais lembrar os crimes daquela que foi a instituição que mais nos deve envergonhar. Mas porque a “A esperança é um nosso direito absoluto”, é-nos também relatada a resistência e a forma como os judeus se uniam para tentar salvar aqueles que eram perseguidos pela inquisição. Se o primeiro livro desta série me deixou encantado, este apenas gostei bastante. Zimler continua com a uma escrita bonita e aconchegadora, mas a trama narrada no último terço do livro é um pouco mais previsível e, nalgumas partes, até inverosímil. De qualquer forma, recomendo.
Terminei com avidez a leitura deste segundo volume da saga de Isaque Zarco, adquirido na Feira do Livro de Aveiro, durante uma viagem que me levou a sobrevoar os territórios de Castelo Rodrigo e Salamanca, tão presentes nesta narrativa, e que culminou, ironicamente, em Varsóvia.
É impossível não traçar paralelos com a narrativa deste livro. A Aldeia das Almas Desaparecidas: Aquilo que Procuramos Está Sempre à Nossa Procura é uma obra que atravessa séculos para nos confrontar com uma verdade dolorosa: a intolerância, quando alimentada por medo e silêncio, repete-se. Richard Zimler dá continuidade à história iniciada em A Floresta do Avesso, acompanhando agora a idade adulta de Isaque Zarco e seus pares, que arriscam tudo para preservar a sua fé, a sua cultura e, sobretudo, a sua humanidade num mundo dominado pelo fanatismo da Inquisição.
A escrita de Zimler mantém-se precisa, empática e profundamente tocante, embora pontualmente prolixa neste segundo volume. O autor aprofunda os dilemas morais e as provas de coragem que definem a resistência silenciosa de quem recusa ser apagado.
Terminar este livro em Varsóvia, cidade-memória da perseguição dos judeus europeus, num gueto onde milhares foram confinados e perseguidos, dá-lhe uma ressonância ainda mais pungente. Particularmente quando assistimos, nos nossos dias, a episódios de violência e exclusão na chamada "terra prometida", como se a História, apesar das suas lições, fosse condenada à repetição.
Considero Zimler um escritor de eleição que nos oferece, neste romance, um espelho duro mas necessário da realidade que permanece connosco após o virar da última página. Porque a memória, tal como a literatura, não deve servir apenas para consolar, deve ter o dom de despertar.
As 5 estrelas não chegam para esta duologia, nem sequer de perto. Não consigo sequer expressar o que senti ao ler este livro. Só posso dizer que é um, senão "O", livro da minha vida. Esta história irá acompanhar-me sempre. Demorei mais do que gostaria a ler o segundo livro, porque perto do final a minha ansiedade disparou de tal maneira que nao tive de coragem de avançar com a leitura porque não tinha a certeza de querer saber o que iria acontecer aos personagens, mas o Richard acalmou o meu coração e disse-me que ia gostar. Parabéns ao Richard Zimler por esta obra, que deveria passar a estar na lista dos 1001 livros para ler antes de morrer.
A aventura de Isaaque Zarco tem aqui o seu fim, quando, depois de várias peripécias, desde dores de crescimento, a descoberta da sexualidade e da identidade, até ao tema central, o do efeito da intolerância religiosa nos indivíduos e das comunidades. É um romance de formação místico e lírico no qual a confiança e a bondade estão sempre a ser postos à prova pela Inquisição.
«(...) acredito que narrativas como a minha vão acabar por destruir a floresta do avesso- e privar os sacerdotes que aí residem do seu poder.» P.566
Lida a II parte de "A Aldeia das Almas Desaparecidas" de Richard Zimler, reforço o que escrevi aquando da I parte:
Regressamos à família Zarco, desta vez na 2.ª metade do século XVII. Acompanhamos a história de Vida de Isaaque Zarco, criança e jovem judeu, nascido em Castelo Rodrigo, numa época de forte perseguição religiosa. Como sempre, o autor presenteia-nos com um romance muito bem escrito, que reflecte muita pesquisa por base e que transmite uma enorme sensibilidade. Como "Aquilo que Procuramos está Sempre à Nossa Procura", um dia ainda nos cruzaremos novamente com a família Zarco!
“A gratidão fez de mim um homem paciente” A 2a parte desta história nem sempre é fácil de seguir, a história de Isaque zarco escondido e fugido da Inquisição foi em alguns momentos demasiado descritiva e algo lenta no desenvolvimento, mas o final é belo e arrebatador, dando sentido a todo o percurso percorrido. Hesitei entre as 3 e as 4 estrelas optei por esta pela mensagem final
Uma leitura belíssima e dolorosa ao mesmo tempo. Zimler escreve de forma maravilhosa, quase poética, mas a história é muito sofrida e carregada, marcada pela dureza do antissemitismo e por descrições intensas. É um livro pesado, que mexe connosco, mas gostei. Vale pela escrita e pela força emocional.
Segundo volume da aldeia das almas desaparecidas, que segue a história de Isaaque Zarco, da família que vimos a acompanhar com o autor. A temática é a perseguição dos judeus pela Inquisição e a diáspora judaica. Muito bom.
Agradeço a Adonai por existir e me permitir ler livros como este, que muito me agradam, que me divertem ou não e que partilham mensagens importantes e nos transportam no tempo para outras vidas.
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