Zulmira Ribeiro Tavares (São Paulo, 27 de julho de 1930) é uma escritora brasileira. Filha do engenheiro civil Brenno Tavares e da dona de casa Evangelina Ribeiro Tavares, é pesquisadora e ministrou curso de pós-graduação em cinema na Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (USP). É integrante do conselho da Cinemateca Brasileira.
Desafio literário 2018: Um livro vencedor do Jabuti
Escolhi justamente o vencedor do ano em que nasci (1991) para começar a explorar esse mundo do Jabuti - que percebi que conheço pouquíssimo! "Jóias de Família" ainda é um livro bastante atual, questionando as falsidades (físicas e psicológicas) e ainda trazendo à tona outras questões urgentes, sobretudo o elitismo. Maria Braulia me lembrou muito uma ex chefe que tive, que justificava tudo com a certeza de que ela fazia parte de uma classe sócio-cultural privilegiada. E acho que tem um pouco dos outros personagens em pessoas que conheço e conheci ao longo da vida.
É um livro curto, rápido e simples de ler. E coloca todas as pautas que busca discutir de uma maneira que vai perpassando os personagens, criando camadas de texto e subtexto que se completam. É gostoso de ler!
PS: De certa maneira, o Itaim Bibi continua o mesmo!
Back in the day, Maria Munhoz was swept off her feet by a promising young man who won over both her and her parents with the promise of some serious bling. Once they got hitched however, things took a turn for the non-existent with regards to the pair engaging in any super sexy adult-like wickedness together. Now aged and widowed, Maria lives alone in an apartment with her maid and spends her time playing mind games with a devious nephew who wants to convert her precious jewelry into cold hard cash. Will this stubborn old master of the materialistic eventually see beyond her set ways or has she always been destined to live a life of mediocrity?
When author Zulmira Riberio Tavares’s novella Family Heirlooms was originally published in Brazil in 1990 it took home the prestigious Prêmio Jabuti Prize, and even after reading only four or five pages it’s pretty easy to understand why. With a narrative that centers on the ways in which we each build our family traditions, questions the value we place on originality over replication, and forces us to confront the disastrous consequences of living a life that’s both financially and morally bankrupt, Tavares commands our utmost attention from the very first sentence, and as she weaves her way through a landscape that’s both humorous and bleak in equal measure, she meticulously crafts a tale that, with every turn of the page, becomes increasingly more difficult to shake free from.
Difícil fugir das metáforas com as tais jóias. Parece mesmo algo pequeno, multifacetado, fascinante, que pode refletir tantas e tantas coisas, sem medo dos seus defeitos internos. Quem dera escrever tanto com tão poucas palavras. Apesar das pouquíssimas páginas não li de uma vez, demorei até, com 4 ou 5 paradas e intervalos, muita coisa pra digerir e pensar.
(4.5) uma grata surpresa. brau é um cretina hipócrita interessantíssima, o juiz é mt juiz e forma q ele morre (n é spoiler) me fez rir. deu peninha do secretário-sobrinho, e forças pra bene, espero q dê bom pra ela.
a história é muito bem construída, um pouco cômica e é impressionante como ela deu personalidade e faz a gente se interessar por cada personagem do livro em apenas 88 páginas
Este livro foi uma indicação entusiasmada do Lucas, do canal do YouTube Diário de Leitura. Ele descreveu o livro como “uma verdadeira joia”.
Joia falsa ou verdadeira, aliás, é uma questão bem discutida nesta história, não só literalmente. Ela serve de metáfora para retratar, através da história de vida de Maria Bráulia Munhoz, a hipocrisia da burguesa sociedade paulistana.
A narrativa começa com Maria Bráulia já idosa e viúva, moradora do 9º andar de um prédio no Itaim Bibi, onde também mora sua fiel escudeira Maria Preta, há anos sua empregada e que “é como se fosse da família”.
“Em algumas circunstâncias isso quer dizer exatamente o que enuncia: que Maria Preta é como se fosse da família. Em outras, que Maria Preta não é como se fosse da família, uma vez que não é da família, é apenas “como se fosse””. - págs. 8/9. E Maria Preta nem é o seu nome, é só uma forma de diferenciá-la das outras Marias (incluindo sua patroa) que viviam ou frequentavam a casa da Eugênio de Lima quando Maria Bráulia era jovem e seu marido, o juiz Munhoz, ainda era vivo e em plena atividade. Inclusive com seu secretário-fisioterapeuta.
Por causa de um inventário de suas joias - que começou com o valioso rubi sangue-de-pombo -, feito por seu secretário Julião, que na verdade é sobrinho de seu falecido marido, a viúva começa a se recordar do passado a partir de seu relacionamento com o juiz. Juiz esse que “nesses anos de Estado Novo nunca havia se metido com política nem havia de.” Mas “tinha dois ou três galinhas-verdes [1] como amigos”. - pág. 54.
As recordações de Maria Bráulia duram um único dia, mas nos revelam como a antes rica e ingênua jovem vai, graças ao marido e ao mais-que-amigo joalheiro Marcel aprendendo sobre o que é falso, sobre ser falso e ter “seu rosto social (…) firmemente afivelado ao natural” - pág. 21.
“Agora Braulinha seu casamento é um pouco como esse rubi. Você sabe e eu também sei como ele é. Tem dentro dele uma pequena inclusão (…), eu sei e você sabe qual é (…). Vamos então aproveitar essa inclusão para produzir com ela um bonito efeito-estrela (…). Acho que você está me entendendo Braulinha.” - pág. 52.
Ah, gente, sensacional! Em menos de 100 páginas Zulmira Ribeiro Tavares, com sutileza e ironia, faz um retrato perfeito da tradicional família brasileira e suas (falsas) joias de família.
NOTAS: [1] Galinhas-verdes era como eram chamados os integralistas, partidários da Ação Integralista Brasileira (AIB), partido nacionalista católico de extrema-direita inspirado nos princípios do movimento fascista italiano. Fonte: Wikipédia.
Por Joias de Família a autora recebeu o prêmio Jabuti em 1991 nas categorias Livro do Ano de Ficção e Romance.
Em 2015, um rubi birmanês de 25,59 quilates estabeleceu um novo recorde mundial ao ser vendido por U$ 30,3 milhões em um leilão organizado pela Sotheby’s na Suíça. Era um sangue-de-pombo encaixado num anel Cartier. O comprador anônimo fez o lance pelo telefone.
SOBRE A AUTORA: Nasceu em São Paulo, em 1930 e faleceu em 2018. Fez curso de formação em cinema no MASP e trabalhou como crítica de cinema. Escreveu poemas, ensaios, ficção, fazendo também uma fusão destes gêneros. Joias de Família, junto aos livros O nome do bispo e Café pequeno “formam uma pequena e ácida trilogia familiar, que desmascarara os convencionalismos da classe burguesa paulistana, ensaiando sua ruína.” (Luciano Dias Cavalcanti, em A mentira encenada em Joias de Família, de Zulmira Ribeiro Tavares).
Tavares accomplishes in an hour and a half read what many modern authors fail to accomplish in a lifetime: an incendiary story replete with vivid and engaging characters, engrossing conversation, and profound analogy. Tavares' tale amazes and proceeds with gripping intensity from its very first words.
A multi-layered novella of one woman's realisation of the illusion of her marriage, a mirage so strong and enduring, she continues to live with the illusion, long after her husband has passed on.