Eis alguns trechos que mais me tocaram: “...Quem tem muito não aprende a valorizar o pouco. E na vida o que realmente conta é o pouco, que vira um detalhe pequeno-enorme... Na infância nos ensinam a controlar os sentimentos e a mantê-los sufocados. Se falamos a verdade ou revelamos nossos desejos, somos rejeitados ou punidos. Escondemos as feridas e as coisas negativas do passado. Não queremos reconhecer ou admitir. Temos medo da repressão e discriminação. Com isso vivemos lutando por salvar as aparências. A primeira gota que precisamos deixar cair em nosso coração é a gota da sinceridade e da verdade. Precisamos admitir nossas fraquezas, especialmente o fato de não conseguirmos mais controlar nossas aparências… Antes de mais nada, para experimentar a graça da cura interior, necessitamos reconhecer que somos dependentes de nós mesmos, de pessoas, de nosso passado e de nossos traumas. Percebemos isso tendo a coragem de tomar nossa vida nas mãos, sem medo e sem condenação. Percebemos sinais de necessidade de cura quando nos descobrimos inseguros diante da vida. Um coração ferido e machucado tem medo de se expor diante dos outros. Vive no isolamento, tentando esconder-se. O isolamento gera a baixa autoestima, transformando-nos em pessoas duras demais, controladoras, críticas, fofoqueiras e altamente exigentes com tudo e com todos... A cura interior depende mais da soma constante e permanente de decisões corretas do que de uma fórmula milagrosa. A cura interior é fruto de uma certeza: não importa o que você esteja vivendo ou o que esteja enfrentando, é possível encontrar a paz dentro de seu coração. A paz é, em primeiro lugar, uma decisão interior que independe das situações exteriores. O exterior não passa de um estímulo… Como perdoar com o coração ferido? Aí está um segredo fabuloso. O perdão não é um sentimento, mas uma decisão. Logo, é preciso que a compreensão do perdão seja deslocada do campo das emoções, sobre as quais não temos controle, e assim chegar ao campo da vontade, que é dominada pela razão e não pela emoção… Não devemos pensar que, quando perdoamos e continuamos sentindo a ferida, o perdão tenha sido falso ou mentiroso... O perdão não é um ato mágico que produz esquecimento da ofensa recebida. O perdão é um ato voluntário, uma decisão da inteligência, que supõe manter-se perseverante na decisão - ou melhor, nas decisões, já que não basta uma única decisão. Ele precisa ser gotejado, de maneira lenta e constante. Perdão é convicção firmemente mantida e expressamente manifesta… Mais do que desejado e pensado, o perdão tem de ser declarado. O perdão exige uma palavra de proclamação. Nem que seja sozinha, no banheiro ou no automóvel, a pessoa, quando se decide pelo perdão, precisa falar em voz alta: eu perdoo! E precisa falar num tom de voz que ao menos ela mesma possa ouvir. E falar repetidas vezes. O perdão precisa ser gotejado no próprio ouvido. É do ouvido que chega ao coração… Manifeste para Deus sua decisão de perdoar. É importante não se esquecer de que o primeiro beneficiado pelo perdão é a pessoa ofendida e machucada. Além de libertar quem me agrediu e machucou, o perdão primeiro liberta a mim mesmo de sofrer as consequências negativas da ofensa recebida. Acima de tudo, o perdão beneficia quem o pratica… Quando a pessoa tem coragem de escrever declarando que perdoa, e mesmo que pede perdão a Deus e aos irmãos, ela normalmente é invadida por uma certeza de paz que transforma sua história. Muitas pessoas têm encontrado a cura para doenças sérias, físicas, que foram somatizadas. O perdão liberta, cura e restaura. Mas tem de ser o perdão declarado, manifesto, verbalizado, seja falado, seja por escrito… Do ponto de vista humano o perdão é sempre injusto, já que se supõe passar por cima da ofensa recebida e relevá-la. Esse processo requer humildade, mansidão, maturidade e autocontrole espiritual... A vingança é uma forma de compensação. E não se exige grande esforço para se vingar de alguém, ao passo que, para perdoar, é preciso autodomínio, persistência e, sobretudo, humildade ativa... A vingança nos tolhe porque nos deixa sempre com um pé atrás. A vingança nos aprisiona em nós mesmos... A ciência nos garante que, quando alguém se concentra em seus problemas e mágoas, seu corpo é inteiramente tomado pelo estresse. Nesse caso, as substâncias químicas associadas ao estresse estão ativas, e a pessoa sente muito cansaço e desânimo. Precisamos aprender como manter a serenidade em qualquer situação, independentemente de quão perturbadora ela seja… O tempo não cura coração ferido, que não foi perdoado. O tempo só serve como agravante. O tempo ajuda a curar as feridas do coração quando a pessoa teve a ousadia de declarar o perdão... O perdão não produz amnésia. É possível recordar os acontecimentos negativos, mas é preciso não sofrer quando isso ocorre... O verdadeiro arrependimento, conforme Jesus ensinou, implica uma mudança de vida. O arrependimento vai muito além do remorso ou da vergonha de ter sido descoberto no seu erro. A vergonha é consequência de um medo; o arrependimento é fruto de uma decisão… O amor gesta emoções, mas não se limita aos sentimentos. Sentir é parte do amor, é um dos elementos que compõem o amor, mas não é sua essência. Amor é um compromisso, um ato da vontade, uma decisão. O verdadeiro amor está muito mais próximo da convicção do que da emoção. Porque é ato da vontade, o amor deve ser traduzido e expresso concretamente em fatos… Amar é muito mais do que sentir. É uma decisão da vontade que precisa ser exercitada e externada. Amar é comprometer-se com a felicidade do outro... O amor baseado nas emoções é um amor completamente instável, inseguro, imaturo e temporário. Quando o amor se baseia nas emoções, a pessoa ama ou deixa de amar conforme seus humores… O maior pecado que cometemos contra o amor é a indiferença, que provoca a negligência. O amor nunca morre por morte natural. A indiferença é um veneno que intoxica o amor ou deixa-o morrer. A negligência é a eutanásia do amor... Jesus nunca fez regressão ao passado, com ninguém. Nem mesmo com aqueles que tinham sérios problemas afetivos e até sexuais. Parece estranho que Jesus não tenha realizado uma sessão de cura interior das etapas cronológicas com Maria Madalena, Maria de Bethânia, a Samaritana, Zaqueu, Pedro, Tiago e João, Judas e tantos outros que, por suas atitudes, demonstraram carregar sérios problemas oriundos na infância e mesmo na gestação. Jesus não retomava o passado porque sabia que a única coisa que podemos fazer em relação ao passado é enxergá-lo de um jeito novo e aprender com o que ele tem a nos ensinar. Mas isso se faz vivendo intensamente o presente e projetando o futuro. Jesus foi o grande mestre do perdão. Ele nos mostra que o perdão não acontece de uma hora para outra e nem pode ser uma tentativa de abafar ou simplesmente ignorar nossa dor. O perdão é um processo profundo, repetido tantas vezes quantas forem necessárias no nosso íntimo. A pressa é inimiga do perdão! O perdão ensina como nos relacionar, de modo maduro, com o passado. Não é um puro esquecimento dos fatos e nem sua condenação. Não é a colocação de panos quentes e muito menos a tentativa de amenizar os acontecimentos. Perdoar é ser realista o suficiente para começar a ver o passado com os olhos do presente, voltados para o futuro... Ninguém deve ser condenado. Ninguém faz o mal porque ama o mal. As pessoas erram porque são limitadas, fracas, inseguras... Sem uma palavra de elogio, ninguém tem forças para mudar um comportamento ou corrigir uma atitude... O elogio não pode ser confundido com a bajulação. Elogiar é ressaltar as qualidades individuais. O elogio precisa coincidir com aquilo que a pessoa já sabe que tem e que está escondido sob a manta do erro. Não adianta querer inventar uma qualidade para elogiar… A tristeza é uma das respostas naturais do coração para a perda. É preciso coragem para ficar triste, para honrar a dor que carregamos. Precisamos respeitar nossas lágrimas. Mas não cair na lamúria… Jesus não tinha medo de se aproximar das pessoas. Permitia que elas O tocassem. Sentava-se com elas. Frequentava a casa até de pessoas de má fama. Misturava-se com os pecadores e marginalizados. Sua opção pelos excluídos é um ensino espetacular de cura interior. Jesus enxergava a alma da pessoa. Por isso acreditava na capacidade de mudança. Só quem vê o que está escondido é capaz de projetar algo novo… Uma das maiores causas - se não a maior - de nosso sofrimento é a maneira como enxergamos a vida e tudo aquilo que nos acontece. Na verdade, não são os acontecimentos que nos fazem sofrer. Sofremos pela maneira como olhamos para os acontecimentos. Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto. Quando privilegiamos um ponto negativo, passamos a enxergar tudo com as lentes da negatividade. O pior não está nem tanto no olhar negativo, mas na concentração estragada, encardida, do olhar... Viver é acolher cada dia, como novo - completa e absolutamente novo. O humor nos ajuda a perceber que as coisas são relativas... Por pior que seja o momento vivido, é preciso tomar posse da certeza de que Deus é maior em nós. O ser humano nasceu para ser feliz, completamente feliz. O ser humano nasceu com tudo programado para a felicidade. Você nasceu para dar certo. Esse é o grande projeto de Deus para sua vida. Esse é Seu grande segredo… Ressentimento é o sentimento que surge em nós quando nossas expectativas são frustradas. Quando alguém (até mesmo Deus) faz algo diferente daquilo que esperávamos. Recebemos o fato como se fosse um insulto, uma ofensa, uma violência. É até natural sentir a quebra das expectativas, mas não podemos ressentir. Ressentir é maturar o sentimento, e com isso abrimos espaço para a transformação da mágoa em ressentimento… O grande segredo da cura interior é a abertura consciente ao novo, ao futuro - único tempo que poderemos construir de modo diferente... A flexibilidade é uma gota essencial para o pote da cura interior. É preciso estar aberto às mudanças. Mesmo que seja muito difícil superar velhos hábitos e atitudes, é preciso se esforçar. Tudo na vida evolui. Aliás, esse é um mandamento bíblico que não foi supresso por Jesus: crescei e multiplicai. Não devemos pensar que isso se refira, apenas, ao aspecto físico, reprodutivo. O ser humano precisa crescer sempre, multiplicando seus dons e seus talentos. Quem não multiplica seus dons acaba perdendo-os… Tem dias em que estamos mais alegres, noutros dias somos tomados por uma tristeza inquietante. Isso é normal. O gráfico da vida nunca é uma linha reta ou só ascendente. Somos um amontoado de altos e baixos, vitórias e derrotas, começos e recomeços... Pequenos momentos de oração, ao acordar e antes de dormir, nas horas mais importantes do dia, são fundamentais para o equilíbrio afetivo... De vez em quando é preciso ter a coragem de se desfazer de coisas que vamos acumulando ao longo da vida. Quem costuma guardar tudo e não se desfazer de nada não deixa espaço para coisas novas entrarem em sua vida. Gaveta e coração têm muito em comum… Quem pensa que todos nascem com um destino está correto. Só que o destino de todos nós é o da prosperidade, da riqueza sem limites e da felicidade... Sua vida particular não é diferente. Tudo que você fizer, disser ou pensar, afeta o meio em que você vive, por isto sua vida é muito importante. Você existe neste mundo para expressar Deus. Não há outra justificativa... Não se preocupe com o tempo. As coisas certas só ocorrerão no momento certo e conveniente. Esqueça o tempo por completo. Apenas saiba que é necessário agir com sabedoria, afinar-se com as leis da vida abundante, sem as quais ninguém irá parte alguma…"