"O externo se torna interno e a crítica deixa de ser sociológica, para ser apenas crítica." Poucas frases condensam de forma tão contundente o problema fundamental da crítica literária quanto essa de "Crítica e Sociologia", ensaio de abertura de Literatura e sociedade. Publicado em 1965, ele reúne alguns textos clássicos na trajetória do autor.
Antonio Candido de Mello e Souza é um sociólogo, literato e professor universitário brasileiro. Estudioso da literatura brasileira e estrangeira, possui uma obra crítica extensa, respeitada nas principais universidades do Brasil. À atividade de crítico literário soma-se a atividade acadêmica, como professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É professor-emérito da USP e da UNESP, e doutor honoris causa da Unicamp.
Uma ótima apresentação de como a literatura está muito ligada a História e a Sociologia, as Ciências Sociais e a maneira como o nosso povo se comporta. Me chama a atenção de que não vemos mais uma junção de escritores, ou uma junção de acadêmicos que representem nacionalmente o que é literatura brasileira. Nos falta um grande evento que reúna tais pessoas juntas para que se influenciem umas as outras e criem algo em conjunto. A Bienal do Livro não é suficiente.
Só tenho que agradecer a minha professora de sociologia por ter feito seminários no final do semestre e ter colocado o Candido como um dos Sociólogos para estudo, que livro incrivel, que autor incrivel. Achei que ia ser uma leitura chata de faculdade, mas aprendi demais e irei levar muita coisa comigo dessa leitura, além da excelente nota de apresentação. 🧙♂️
Como afirma Susani S. L. França no guia de leitura:
"Literatura e Sociedade é, como se vê, um dos livros centrais da obra de Candido e uma obra rara na história da crítica literária brasileira, pois nela aprendemos a contemplar a dimensão estética da literatura, sem perder de vista as suas implicações sociais"
A obra apresenta uma rica análise histórico-sociológica-crítica das origens e formação da Literatura Brasileira e como esta última teve papel chave na formação da sociedade brasileira e sua cultura.
No livro, o autor descreve um panorama geral da literatura brasileira e seus principais autores visando compreender as influências sociais e políticas da e na literatura bem como suas implicações no meio social.
Ainda neste tópico, é discutida a influência do social sobre a literatura, o papel do literário na sociedade e como a sociedade influencia na literatura preconizando uma relação na qual "a obra é mediadora entre o autor e o público, este é mediador entre o autor e a obra". Revelando uma relação indissolúvel entre a Literatura e as Ciências Sociais.
Capítulos muito bem organizados, bem dispostos e coesos. Foi uma leitura muito agradável apesar da linguagem ser levemente difícil.
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Achei o começo bem problemático, principalmente no que tange à literatura/cultura "refinada" vs. "primitiva". Porém, o livro fica uma delícia na exposição didática sobre literatura brasileira. Em geral, gostei e aprendi bastante. 3.9 estrelas.
Como se avalia um livro que é uma reunião de ensaios do mestre Antônio Cândido?
Mais uma leitura para a faculdade e mais uma vez sendo impactada com a crítica estruturalista de Cândido, principalmente em "Degradação do espaço", e "Dialética da Malandragem".
5 para os ensaios sobre o Brasil (desculpando alguns "Viva São Paulo!" incontidos), 3 para os textos que passam pela literatura dos primitivos iletrados.
O direito à literatura é um texto do livro “vários escritos”, no qual Antônio Cândido (critico literário brasileiro) escreve sobre o assunto de direitos humanos e literatura. No decorrer do texto, o autor define a importância da literatura como organizadora do caos e humanizadora do leitor, e depois argumenta sobre diversos assuntos relacionados ao tema e chega a diversas conclusões que apelam pela luta para os direitos humanos incluírem acesso a todas as classes sociais a diferentes “níveis” de cultura, não apenas na literatura, como nas outras formas de arte. O autor começa dizendo que o progresso natural da sociedade gerou, nos últimos séculos, uma abundancia na produção, e isso criou a possibilidade de uma reorganização social que solucionaria os evidentes problemas da sociedade. Porém, apesar da solução dos problemas serem teoricamente possível, a reorganização social falhou. Então, no capítulo dois, Cândido argumenta sobre os direitos que consideramos indispensáveis e os que consideramos privilégios. Ele diz que hoje é inadmissível que pobres não tenham direitos essenciais como comida, instrução e saúde. Entretanto, as pessoas ainda não acreditam que o pobre tenha direito a ouvir Beethoven ou ler Dostoiévski. Nos próximos capítulos, Cândido define a importância da literatura por um de seus aspectos terem um papel de organizador do caos e humanizador dos leitores, e, tendo esse aspecto um papel tão importante, Cândido também garante a posição da literatura como bem incompreensível, por garantir a integridade espiritual. Após, Cândido se demora descrevendo o aspecto da literatura que toma posição em face das iniquidades sociais, evidenciando o quão importante a literatura é para o progresso dos direitos humanos com exemplos como Oliver Twist e os miseráveis. Porém ele não deixa de ressalvar como a intenção e o assunto de uma obra não bastam para fazer uma obra de boa qualidade. No capítulo seis, Cândido faz um breve resumo dos capítulos anteriores e prossegue a descrever com excelentes exemplos como não há uma literatura para as classes mais pobres, e que essas classes muitas vezes têm mais interesse em livros considerados boa literatura. Neste capitula o autor também menciona e elogia Mário de Andrade, por ter propagado de maneira tão eficiente a cultura quando chefiou o departamento de cultura em São Paulo. Cândido conclui o texto reforçando que cultura é um direito inalienável e argumentando que não deve haver a estratificação da cultura.