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CACOS PARA UM VITRAL
Quando recuperava a alegria, Glória ficava íntima. E descobria - desde toda a sua vida, o medo, o sentimento de culpa não a preservavam, antes a endureciam. Mas estar alegre era possuir intimidade, seu corpo não era mais feito de partes, mas uma só coisa harmoniosa, ajustada, digna de amor e amar, fazer os outros felizes.
Paperback
First published January 1, 2006
About the author
Adélia Prado
48 books117 followersAdélia Luzia Prado Freitas, is a Brazilian writer and poet. Started writing at the age of 40 which is relatively late in life for a poet. Although much of her outlook is religious, deeply Catholic, her works are often about the body.
Adélia Prado's poems were translated into English by Ellen Watson and published in a book entitled, The Alphabet in the Park. (Wesleyan University Press, 1990).
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Adélia Prado's poems were translated into English by Ellen Watson and published in a book entitled, The Alphabet in the Park. (Wesleyan University Press, 1990).
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Community Reviews
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
August 29, 2024
quanto mais me passa o tempo, mais me convenço de que preciso de uma coisa maior, uma crença elevada. em cacos para um vitral, adélia prado espalha pequenas doses desse amor denso pelo sagrado, uma sensação que define a possibilidade de alegria e que fez eu me sentir próximo de algo maior enquanto lia. nos fragmentos de vida de glória - que eu imagino que tenham muitos toques de adélia, mesmo sem conhecê-la - sua aversão ao envelhecimento se reúne com uma criancice invejosa.
para mim, é tão gratificante perceber as coisas pequenas, porque elas costumam me escapar e isso me faz pensar que estou ficando insensível, mas lendo, me senti próximo desse diminuto incontornável e essencial para a vida. nos estilhaços, o amor fica na coisa pequena, na risada de um menino, na benevolência do marido ou na matraca de uma senhorinha, é na prosa retalhada do cotidiano que adélia constrói um retrato de sua condição como mulher no mundo.
no olhar de cima para os outros, como quando vê um morador de rua e remete a um nojo da infância ou na negação de amparo a uma mulher, o julgamento daqueles que considera menores está sempre negociando com os dogmas de sua fé, e é aí que glória reproduz o que está tão cristalizado na sua classe social: um racismo que incomoda e diminui o peso da sua poesia incipiente.
para mim, é tão gratificante perceber as coisas pequenas, porque elas costumam me escapar e isso me faz pensar que estou ficando insensível, mas lendo, me senti próximo desse diminuto incontornável e essencial para a vida. nos estilhaços, o amor fica na coisa pequena, na risada de um menino, na benevolência do marido ou na matraca de uma senhorinha, é na prosa retalhada do cotidiano que adélia constrói um retrato de sua condição como mulher no mundo.
no olhar de cima para os outros, como quando vê um morador de rua e remete a um nojo da infância ou na negação de amparo a uma mulher, o julgamento daqueles que considera menores está sempre negociando com os dogmas de sua fé, e é aí que glória reproduz o que está tão cristalizado na sua classe social: um racismo que incomoda e diminui o peso da sua poesia incipiente.
May 25, 2026
um lindo mosaico de cotidiano, sou apaixonada na maneira que adélia trata os dilemas femininos. com as sobras fazemos sopa!
"A poesia é meio burra, estúpida, incomoda como um cocô de criança na sala de visitas. Um cocô não é produto meu, enquanto não posso escolher fazer ele ou não. Ele se faz dentro de mim (horror). Portanto, ouro = poesia = fezes = obra divina."
"Bobo do Lúcio que não sabe fazer isto, nem Luís, nem Gabriel, nem Albano, homem algum que ela amava, nem o poeta Ariel, nenhum homem, mesmo santo. Os homens são fragmentos, muito mais que as mulheres, porque são inteiros em suas frações e contornáveis. Qualquer mulher aprende mais depressa. Homem, ou faz discurso, ou é ministro, ou chefe de departamento, ou dono. Mulher faz tudo."
"Desde sua juventude invejava as amigas que comiam comendo, namoravam namorando e até mesmo colavam colando, com afinco e esmero, confundidas elas próprias com o objeto de suas ações."
"A poesia é meio burra, estúpida, incomoda como um cocô de criança na sala de visitas. Um cocô não é produto meu, enquanto não posso escolher fazer ele ou não. Ele se faz dentro de mim (horror). Portanto, ouro = poesia = fezes = obra divina."
"Bobo do Lúcio que não sabe fazer isto, nem Luís, nem Gabriel, nem Albano, homem algum que ela amava, nem o poeta Ariel, nenhum homem, mesmo santo. Os homens são fragmentos, muito mais que as mulheres, porque são inteiros em suas frações e contornáveis. Qualquer mulher aprende mais depressa. Homem, ou faz discurso, ou é ministro, ou chefe de departamento, ou dono. Mulher faz tudo."
"Desde sua juventude invejava as amigas que comiam comendo, namoravam namorando e até mesmo colavam colando, com afinco e esmero, confundidas elas próprias com o objeto de suas ações."
July 10, 2024
Uma das melhores leituras da minha vida. Me emocionei, ri, refleti, te amo Adélia Prado
September 19, 2024
Meu segundo contato com a autora mas apesar de ter achado esse livro melhor que o outro ('Manuscritos de Felipa'), ainda não achei um livro bom.
Read
March 13, 2025Viagem feliz de nascer, viver e morrer e ir pro céu, pegar o ônibus em Belo Horizonte e chegar são e salvo em casa.
September 4, 2022
A prosa da autora não traz lá muita novidade: um tanto afetada, carrega o texto de trejeitos de uma fala que se quer prosaica e regional, com um número de "espantos" menor em relação aos poemas, mas também exibindo com galhardia um tipo de realidade brasileira que presta homenagem inconsciente ao sebastianismo.
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