«Quando naquela tarde, no Conservatório, eu a vi, disse ao Armando Cortêz, vês aquela miúda, gostava que fosse a minha mulher, a mãe dos meus filhos… e foi! Ela escolheu-me. Estivemos casados 53 anos. Foi uma vida.»
«Já estou na idade dos balanços, e por isso dou por mim a medir algumas das minhas acções. Às vezes, erramos por ingenuidade, por desconhecimento, e penso que disso não seremos culpados. Errar sem querer, não é errar, é por vezes, aprender.»
Tem 85 anos e diz não estar arrependido de nada. Ruy de Carvalho faz, neste livro, uma viagem íntima pelas suas emoções e pelos grandes momentos da sua vida, como marido, pai, amigo e actor. Partilha com os leitores – com aqueles que quase sempre o viram através das personagens que interpretou – as suas mais importantes experiências e as lições de vida que fazem com que a própria existência, a de cada um de nós, faça realmente sentido.
Com um olhar crítico mas temperado pela ternura e pela doce maturidade, Ruy de Carvalho abre aqui o livro do seu coração, num relato espontâneo e comovente sobre a vida, o amor, os afectos e os anjos que aparecem na nossa vida, quase sem darmos por isso.
Ruy de Carvalho nasceu a 1 de Março de 1927, em Lisboa. Iniciou-se no teatro em 1942 com a peça “O jogo para o Natal de Cristo”, com encenação de Ribeirinho. Terminou o curso de Teatro do Conservatório Nacional com 18 valores e estreou-se profissionalmente em 1947, no Teatro Nacional, na comédia “Rapazes de Hoje”, de Roger Ferdinand. A sua extensa carreira artística fica marcada por várias interpretações memoráveis das quais se destacam “Rei Lear”, de William Shakespeare. A sua actividade estendeu-se também ao cinema, à rádio e à televisão, destacando-se o seu trabalho na TVI como actor residente. Foi casado durante 53 anos, tem dois filhos e três netos. Recebeu vários prémios de carreira, entre eles o Prémio Bordalo da Imprensa, um Globo de Ouro da SIC, o Prémio Bernardo Santareno, o Prémio Carreira da TVI e a Medalha de Mérito Cultural do Governo Português, entre outros. Em 2010 recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem de Sant’Iago de Espada e é, juntamente com Eunice Muñoz, doutor honoris causa pela Universidade de Évora.
Adorei!! Só posso dizer que este livro me excedeu as expectativas a 1000%. Ruy de Carvalho não só faz a sua homenagem à esposa que faleceu, o que nos leva a pensar no quão curta é a nossa vida, como nos fala abertamente dos mais variados temas: humor, política, desporto e acima de tudo, artes. Maravilhei-me a ler os relatos das suas experiências de teatro, das pessoas que ele conheceu… Talvez essas passagens não agradem a qualquer leitor, mas o mundo do teatro fascina-me e faz um pouco parte da minha genética. Não sou fã de Ruy de Carvalho, nunca o fui, apesar de reconhecer o talento e o papel importantíssimo no teatro e na novela nacional. Mas ao ler este livro passei a admirar o homem. Reconheço-me em tanto do que ele escreve, na sua mente aberta, na ternura com que ele fala dos homens e dos seus defeitos, nos comportamentos e nas consequências dos mesmos. Ruy de Carvalho fala com humildade, como eu costumo dizer: “a humildade com que só os homens sábios sabem falar”. Este livro encerra verdades de um homem sábio, algumas delas inconvenientes, por vezes com ternura, por vezes com revolta, por vezes com humor. Mas sempre com uma enorme bondade e eloquência. Senti-me em comunhão com muitos dos pensamentos deste senhor e fiquei a conhecer muito da vida extraordinária de um homem de 85 anos. Mas tanto havia ainda para dizer.
“Os Anjos Não Têm Asas” é mais do que um tributo ou uma homenagem do autor a si próprio e à esposa, é um historial, um testemunho de vida. Era a expressão que Ruth lhe dizia ao ouvido. A expressão que ele continua a sentir na sua voz terna, tal como ele lhe sente o sorriso no espaço térreo que ficou com a ausência física. “Os Anjos Não Têm Asas” é uma expressão para refletir, mas prefiro que leiam o livro para perceber o que ela significa.
Este livro fala sobre a vida de um dos maiores (senão o maior) actores de Portugal. Retrata um pouco daquilo que foi a sua vida quer no âmbito profissional quer pessoal. É um livro muito fácil de ler e prendeu-me pela ternura do autor, é como se tivesse um avô a contar a história da sua vida. Gostei bastante!