Perto dos quarenta anos, Matilde, uma mulher forte e independente que pensava ser filha de pai desconhecido, recebe um telefonema que desorganiza sua vida. O português João Maria é seu pai, já está morto e deixou um testamento, que a inclui, a ser lido com data e hora marcada em uma pequena vila além-mar.Deixando no Brasil o namorado, Abel, e Beatriz, a mãe que sofre com um Alzheimer precoce, a protagonista, já em Portugal à espera da leitura do testamento, faz um mergulho tão inesperado quanto solitário em seu passado desconhecido.Psicologicamente fragilizada, Matilde se vê obrigada a enfrentar seus maiores medos, a síndrome do pânico e alguns delírios que insistem em aparecer quando ela mais precisa de lucidez. Na busca por suas origens, é na terra de seu pai que ela encontra uma versão surpreendente, emocionante e transformadora de si mesma e de sua história.
Marcela Dantés nasceu em Belo Horizonte, em 1986. Estudou Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais e é pós-graduada em Processos Criativos em Palavra e Imagem, pela PUC Minas. Pela PUC Rio Grande do Sul, cursou a Oficina de Escrita Criativa de Luiz Antônio de Assis Brasil. É autora da coletânea de contos Sobre pessoas normais (2016), obra semifinalista do Prêmio Oceanos 2017. Em 2016, foi a autora residente do FOLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos, em Portugal. Nem Sinal de Asas, seu primeiro romance, foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura 2021 e do Prêmio São Paulo de Literatura. Em 2022 lança o romance João Maria Matilde pela Ed. Autêntica.
Um dos melhores do ano, sem dúvida. Uma escrita muito poética e sensível sobre uma mulher, Matilde e uma ausência (a paterna), que sempre a instigou. A abordagem dos seus problemas mentais é tão realista, tão profunda e identificável que fiquei sem palavras. Sublinhei o livro todo!
Marcela constrói personagens e narradores maravilhosamente. Neste romance denso, triste e belo, ela trata de forma complexa sobre saúde mental e relações familiares. Uma livraço!
Uma coisa que me chamou muita atenção no livro foi o fato de a Matilde, assim como nós mulheres em sua maioria estar sobrecarregada, cansada emocional e psicologicamente, e ainda sim ter que se “preocupar” com a forma como expressar isso mesmo para as pessoas que são próximas , e como seria vista, e isso acaba sendo mais uma carga que assumimos além de todo resto, e a Marcela expressou isso de uma forma maravilhosamente bem, e que me gerou muita identificação! A escrita é extremamente envolvente e fluída! Li mega rápido e adorei!
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Matilde sempre acreditou na história de que seu pai era desconhecido. Cresceu com essa verdade na cabeça e foi criada sem a figura paterna. Prestes a completar 40 anos, Matilde recebe a notícia de que seu pai não apenas é conhecido, mas ainda colocou seu nome no testamento. João Maria era português e deixou as orientações para que seu testamento fosse lido em data e local marcado.
Para conhecer mais sobre esse passado, a única alternativa da protagonista era viajar até a pequena vila portuguesa onde seu pai viveu. Sua mãe ainda é viva, mas sofre com um Alzheimer em estado avançado. Matilde decide ir totalmente sozinha, deixando seu namorado para trás.
Marcela Dantés convida o leitor a acompanhar a viagem de Matilde. Além de o local guardar diversas novidades para a personagem, a viagem acaba sendo um mergulho em seus próprios medos e traumas. O que teria levado seu pai a abadoná-la? Teria Matilde coragem suficiente para enfrentar seus fantasmas sem sozinha?
A narrativa é construída com muito talento pela jovem autora. Ainda que em alguns momentos tenha sentido o ritmo decair um pouco, a leitura foi rápida e bem prazerosa. Dantés destrincha o tema dos laços familiares e da busca por uma nova identidade. Uma autora brasileira que vale a pena acompanhar!
Não estava dando muito para este livro. O achei melancólico, opressivo, sufocante e enervante a maior parte do tempo mas no fim eu tava até dando uma choradinha de emoção, achei lindo.
Matilde, a protagonista, por suas condições de ser como é, não é fácil de ser lida. Na vida real, não seria uma pessoa fácil de lidar. O que torna a história extremamente palpável.
Ver a forma como seus relacionamentos e percepções foram ruindo conforme ela foi descobrindo a história de onde ela veio e nasceu foi triste e desconfortável. Mas também temos um pouco de luz a partir das aparições do Barão em seus caminhos pela vila.
E no fim, todos merecem um Bitoque para se sentirem mais aprumados e terem como lutar.
Esse livro é um furacão. O jeito que as informações sobre os personagens são apresentadas é de uma construção precisa e preciosa. Lembra o Ivan Mizanzuk. Extremamente engajante e envolvente. Mas o mais essencial do livro é a intensa honestidade. Parece um filme neo realista. Lembra os filmes do André Novais. Eu não sei mais quem é autora e quem é personagem. Eu não gosto de ficção. Eu não sei o que escrever mais para fazer jus a esse livro.
Um livro em que as verdades de um mundo que parece distante mas, na realidade, está tão dentro de nós, nos embala com tanta intimidade. Escrita potente e singela coexistem nessa obra.
Que delícia de livro! Não só pela delicadeza imensa da descrição em profundidade de protagonista mas por uma história bem contada e um fim doce que me fez chorar.