O golpe de Estado fracassou. Tentaram, em seu favor, mudar as leis por outras leis, ou pela ausência delas, com panfletos, com incitação à violência e com a própria violência. Mas fracassou mesmo. Bateu desespero, bateram as horas: — acabou-se o tempo, os senhores estão presos e têm o direito ao silêncio. O dever, também, que ninguém mais aguenta quem muito ladra e pouco morde, uma covardice.
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O Ruy Castro, em 2016, usou de ironiazinha contra a Dilma, porque escreve bem, talvez melhor do que qualquer um no Brasil atual, e porque acontece de ser mineiro/carioca, o que, automaticamente, não lhe deixa resistir a uma tola zoada. Porém, o mau-caratismo, natural do coração, ele compensa pelo cérebro, contando cerebral, primeiro, que nosso primeiro imperador, heroico, ganha independência à colônia, e que, logo depois, corre à Europa, abandonando seus filhos. Herói ou covarde... é questão de alarde. Um desses seus filhos, que vem a se tornar, no susto e na infância, o segundo imperador, embora, segundo creem, tenha poderes divinos, fica à mercê dos grandes proprietários de terra, dos oligarcas. Dos que pesam preto por arroba.