Chico Mendes - Crime e castigo reúne reportagens escritas por Zuenir Ventura a respeito do maior líder ambientalista que o Brasil já teve. Quando foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes estava com 44 anos e era mundialmente reconhecido por sua luta pela preservação da Amazônia. No Estado do Acre, à frente dos seringueiros que organizou, Chico desenvolveu táticas pacíficas de resistência para defender a floresta, que a partir da década de 70 sofrera um acelerado processo de desmatamento para dar lugar a grandes pastagens de gado. Chico lutou contra a devastação e chamou a atenção do mundo para essa luta. O New York Times já o havia considerado "um símbolo de todo o planeta" e a ONU já o premiara, mas Chico Mendes precisou ser assassinado para ser reconhecido no Brasil. O líder seringueiro havia anunciado sua morte iminente, depois de ter recebido inúmeras ameaças. Em cartas, artigos e entrevistas, denunciou os suspeitos às autoridades brasileiras, que não tomaram nenhuma providência de fato para evitar sua morte. O livro de Zuenir Ventura é dividido em três partes. A primeira, "O crime", reúne as reportagens feitas para o Jornal do Brasil no começo de 1989, logo após o assassinato do seringueiro. Na segunda, "O castigo", estão as reportagens produzidas dois anos depois, em 1990, juntamente com Marcelo Auler, durante a segunda e a terceira viagens do repórter ao Acre, para cobrir o julgamento dos assassinos. "15 anos depois" é a terceira parte, com textos de outubro de 2003, quando Zuenir revisitou lugares e personagens envolvidos no crime.
"Plagiando Euclides: o seringueiro é antes de tudo um forte. Talvez por um processo de mimetismo, ele às vezes se parece com a seringa, que exige ser sangrada para fazer jorrar sua riqueza. É só arranhar com ternura essa sensibilidade aparentemente rude para ver jorrar uma insuspeitada seiva de afeto e emoção."
Quem já ouviu falar do jornalista Zuenir Ventura? E de Chico Mendes? Este, mais conhecido como o Homem da Floresta, foi um seringueiro, ambientalista e sindicalista acriano que lutou pelos direitos dos seringueiros e foi o primeiro a alertar o país e o mundo sobre a devastação da Amazônia nas décadas de 70 e 80. Ele, como tantos outros, bateu de frente com os (ainda) poderosos agropecuaristas, e em 1989 foi assassinado no quintal de sua casa em Xapuri, sua terra natal.
Crime e Castigo é três livros em um. A primeira parte, "o crime", reúne as reportagens feitas por Ventura em março de 1989 e publicadas no Jornal do Brasil logo após a morte do seringueiro. A segunda parte, "castigo", feita ao lado do também jornalista Marcelo Auler, são as reportagens feitas sobre os julgamentos ocorridos em 1990. Por fim, a última parte, "15 anos depois", conta as histórias de Ventura no Acre em 2003, quando ele revisitou os lugares e os personagens envolvidos.
Premiado com o Esso de Jornalismo em 2003, Zuenir Ventura escreveu um dos grandes livros-reportagem de nossa época (ao lado de tantos outros como os de Gay Talese, John Hersey e Fernando Morais). Sabe aquilo que chamam de "o verdadeiro jornalismo"? Pois está aqui. Precisão, apuração e rigor pela verdade, dos dois lados. .
É livro obrigatório na estante de qualquer jornalista ou futuro estudante de jornalismo. Também vale a pena àqueles que têm interesse em histórias verídicas, contadas com o primor de um excelente narrador.
Não é qualquer história. E narrar o assassinato de Chico Mendes não é tarefa para qualquer jornalista. A magistral obra de Zuenir Ventura tem todas as características que uma obra de literatura de não-ficção deve ter: personagens fortes, boas descrições, clímax, um entendimento e aprofundamento do contexto. Além disso, o modo como o próprio autor se coloca no texto, em busca de entender as circunstâncias do assassinato, os envolvidos, as lutas políticas dos seringueiros, os conluis com políticos e mídia locais. Uma grande, grande obra do jornalismo braileiro.
O livro é um bom compilado jornalístico de uma série de reportagens feitas pelo autor após a morte do Chico Mendes, falando principalmente sobre o julgamento que resultou desta. Falta ao texto, porém, contextualização sobre a importância do ativista para as pautas que defendia. Recomendado para aqueles que já possuem familiaridade com a sua história.