A "cidade partida" do título deste livro é o Rio de Janeiro, cenário de uma verdadeira guerra: a da sociedade contra os bandidos. Durante dez meses, Zuenir Ventura, autor de 1968: o ano que não terminou, freqüentou a favela de Vigário Geral (tristemente famosa pela chacina de 21 pessoas em agosto de 1993), convivendo com o outro lado da cidade, onde a vida não vale nada e a violência é a linguagem do cotidiano. Ao mesmo tempo, acompanhava ativamente a mobilização da sociedade civil contra a violência, que resultou no movimento Viva Rio. Este livro é o impressionante relato, muitas vezes emocionado, deste correspondente de uma guerra de lances surpreendentes e heróis inusitados, cuja solução não consiste meramente em destruir um suposto inimigo, mas em incorporar a massa de excluídos à sociedade.
A perspectiva de Zuenir nesse livro é terrivelmente viciante. E o mais incrível énlee um livro de 20 anos atrás que marcava o início do que já nos é cotidiano, e que de certa forma nem começava ali, mas sempre vemos os problemas como novidade pela forma que são noticiados. Há vinte anos atrás falava-se do tráfico, de ocupação militar em favelas, de chacinas, de corrupção policial, de extermínio da população pobre e negra, de direitos humanos, de ongs, da igreja evangélica... Um retrato do Rio de 2013 pintado no século passado. Maravilhoso!