Mário Quintana dizia que poesia é insatisfação. Afinal de contas, um poeta satisfeito não satisfaz. Lendo Gisela Casimiro, fico pensando nessa insatisfação, que ela partilha com o velho Mário, e em seu poder de nos manter em movimento. Movimento é vida. - Emicida
Humor, violência, política, ativismo, amor. Algumas palavras que ressoam em mim ao pensar no tesouro que é este livro e este conjunto de poemas e escritos. E sorte, claro. Sorte por poder ler este livro hoje nestas condições específicas. Alegria por a poesia fazer todo o sentido lida nos transportes públicos ou em qualquer outro lugar. Antes achava que não gostava de poesia, até ler poetas como a Gisela Casimiro, que são certeiras e tão envolventes e tão próximas no que escrevem. Mal posso esperar por ler mais.
uma pequena grande maravilha, este “giz”. “nenhum poema é tão doloroso que não possa ser dito. nenhum poema é tão doloroso que não possa ser escrito” ❤️
Giz reúne traumas, pessoas e preocupações; reúne coisas bonitas e apontamentos cómicos, que me arrancaram gargalhas sonoras. E confere uma noção de movimento, quase como se acompanhássemos o que é descrito ao segundo. Dentro de tantos poemas que poderia destacar, confesso que os meus favoritos foram «Aviso», «Ser Mulher», «Árvores», «Calma» e «Giz». E não posso concluir sem destacar uma frase que a autora escreveu acerca deste livro: «o giz parte-se tantas vezes, como eu. Mas continuamos a poder escrever mesmo com o pedaço mais pequeno», atendendo a que é mais uma forma de demonstrar a resiliência transversal a todas estas páginas.