No dia em que Josy faz 60 anos, cercada pela família, ela sente o peso da vida que levou — as convenções, os silêncios, a invisibilidade. Quando ela não apaga as velas e simplesmente vai-se embora, é como se recusasse o papel que esperam dela: o de mulher envelhecida, resignada, apagada. Ela escolhe o desvio, saindo de casa e tendo um gesto radical como se estivesse sufocada por uma vida, deixando todos preplexos com a sua atitude.
É um gesto de ruptura — silencioso, mas poderoso. Ela vai em busca de si mesma, de uma liberdade que talvez nunca tenha experimentado, longe das expectativas familiares, do casamento, da maternidade, das etiquetas. Um impulso que a leva a começar a viver as "60 primaveras" naquele inverno. Um recomeço que traz sempre consequências.
A arte de Aimée de Jongh ajuda a transmitir o que palavras às vezes não conseguem: a solidão, a descoberta, a coragem, o medo, mas também a beleza da redescoberta quando se espera a resignação. É o abandonar de tudo o que parecia seguro e recomeçar numa aventura sem saber o que a espera. Josy olhou para ela, não num ponto de vista egoísta, mas como mulher que tinha cumprido o que a sociedade esperava como mãe, esposa, avó e agora, aos 60 anos, finalmente, quis procurar, sem planos, a sua verdadeira identidade como Mulher.
Josy tomou uma atitude radical o que leva a acreditar que não havia diálogo e comunicação dentro da família onde não manifestava as suas vontades, os seus pontos de vista, as suas tristezas e se sentia sufocada. Chegou a um limite. Josy foi viver a sua aventura e descoberta aos 60 anos numa atitude quase que de rebeldia pela vida que tinha escolhido para ela até ali.