Uma lição de resistência, solidariedade e amor à vida que um grupo de presas políticas foi capaz de produzir em reação à violência da ditadura.
A partir de 1969, uma torre centenária — encravada no Presídio Tiradentes — foi o destino de dezenas de mulheres enclausuradas por motivação política durante a ditadura militar no Brasil. Em A Torre, a jornalista Luiza Villaméa apresenta um panorama de quem eram essas presas políticas e de como sobreviveram às terríveis condições que lhes foram impostas, mostrando como elas se organizavam no dia a dia, como se relacionavam entre si, com agentes da repressão e com pessoas do lado de fora — além de expor uma rotina que se contrapunha firmemente à brutalidade da situação. Numa prosa sensível à inteligência e à singularidade de cada uma das presas, a autora reconstitui o esforço dessas mulheres para criar um ambiente solidário e criativo que resistia, em tudo, à violência a que foram submetidas por um regime autoritário, composto basicamente por homens.
Carlos Alberto Brilhante Ustra, Sérgio Fernando Paranhos Fleury, Maurício Lopes Lima, J.C, Octávio Gonçalves Moreira Júnior. Essa é obra acerca da vida e cotidiano de mais de 130 detentas que passaram no decorrer dos anos 60-70 pelo Presídio de Recolhimento Tiradentes, conhecido como a Torre, na cidade de São Paulo, todas, em maior ou menor grau conheceram os torturadores acima citados, que, embora não mereçam espaço, devem ser expostos pelo mal que praticaram.
Narrando a vida de um grupo heterogêneo de mulheres, de diferentes classes sociais, etnia e escolaridade que foram perseguidas, sequestradas, torturadas e presas pelo regime ditatorial do governo Médici, Luiza Villamêa pós levantamento, pesquisas e entrevistas, compôs o dia a dia daquelas que passaram pelo DOI-Codi, sobreviveram a ele e depois foram encaminhadas ilegalmente à Torre para cumprirem alguns anos de pena arbitrariamente imposta.
Embora cercadas de desumanidade, e ainda que aqui citados os horrores, os choques elétricos, a exposição à répteis sob os corpos das mulheres e toda sorte de terror dos centros de tortura, a escritora traz sobretudo histórias de companheirismo, de amizade, de sobrevivência e apoio mútuo, não prevalecendo classe social e sim, a união dessas mulheres frente à ditadura. De Dilma Rousseff à Dulce Maia e Therezinha Zebini, se conhece um pouco de cada personagem e o grupo ao qual pertenciam, de modo a trazer humanidade àquelas que foram privadas de tal valor em um dos piores e mais degradantes períodos do país.
Um livro maravilhoso e necessário, pois dialoga com o presente e a volta da extrema direita. Enquanto lia pensava na resiliência e resistência destas mulheres tão jovens; do companheirismo, da sororidade, da capacidade de encontrar beleza e humanidade dentro de um ambiente desumano. Nao vou entrar no clichê de dizer que a vida sempre encontra uma forma, pois ninguém consegue sair de uma experiência dessa sem traumas e nem todos conseguem superar esses traumas. É um livro que nos lembra de que há direitos humanos fundamentais que nao devem ser desrespeitados jamais. É um livro necessário em tempos de banalização da violência, de ódio. A democracia nao tem uma linha de chegada, é um processo contínuo, é preciso estar atento e forte.Não é uma leitura fácil, mas necessária, pra nao deixar morrer a chama da indignação contra a violação dos direitos humanos.
forte, de revirar o estômago e se emocionar muito! queria que cada uma das mulheres presas políticas da torre tivessem um livro inteiro sobre cada uma. fiquei especialmente tocada pela história da heleny guariba. simplesmente obrigatória a leitura desse livro. me pegou muito tb o bilhete do larangeira para dulce maia:
"Dulce em Primeiro ficamos muitos feliz em ter o praser de conhecêla. Dulce você como mulher tem muita coragem coisa que alguns homes neste País não tem si nos podecimos fazer qualquer coisa fasimos de bom coração. Mas não podemos fase nada porque estamos por fora dessa sua reunião e de seus camaradas, dessa organização. Mas portanto damos a você a nossa simcera e leal amizade para que possa confiar divinamente em nós - Larangeira, Lamartine e outros da Pulitica de malandragem
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A sad witnessing of the barRBariaN CRIMES commited by the military dictatorship in Brazil from 1964 to 1979. The torture and the torturers are pictured in this book to: "Not forget". They have never been indicted for their barbarian crimes, the torture of babies, children, pregnant women, priests, padres,pastors,students, common workers, members of unions, professors, journalists ,house-wifes, grand-mothers, nuns, dentists, MD's, anyone who dared to challenge the military regime.
Um pesquisa muito bem apurada, trazendo o norte sobre o mesmo lugar a partir do relato de diferentes pessoas, com seus ideais, perspectivas e histórias de vida totalmente distintos mesmo que partindo de uma mesma convicção de luta. Narrativa fluida e interessante. Valorosa no aspecto histórico.