Esse livro se chama Como Criar Personagens Inesquecíveis, mas devia se chamar Como Não Adianta Editar um Livro Sobre Mídias Vinte Anos Depois da Sua Publicação Original. Os filmes usados por Linda Seger como exemplos são da década de 80, hoje, quase 40 anos atrás. Poucos deles são lembrados pelo público em geral e mesmo para os cinéfilos. Por isso, a importância dos clássicos. Livros como Story, de Robert McKee os usam. Ele cita muito Chinatown, um baita filme como um dos exemplos. Outros, como o Manual de Roteiro ou Manuel, o Primo Pobre dos Guias de Roteiro, dos brasileiros Leandro Saraiva e Newton Cannitto, usam o cult e premiado Cidade de Deus como exemplo principais. Dessa forma não tem erro. Mas quem hoje em dia se lembra de filmes como Uma Secretária de Futuro, ou séries como A Gata e o Rato (essa já não ia mais ao ar quando nasci)? Outra coisa que complica o livro. Ele promete dar conta de ensinar personagens inesquecíveis para cinema, televisão, teatro e propaganda, mas todos os conceitos dessas mídias em 2017 mudaram radicalmente desde 1989 quando o livro foi escrito. A transitoriedade das mídias e a permanência dos livros são uma dicotomia bem complicada de se trabalhar na era digital.