Utilizado como conceito matemático desde tempos imemoriais, cunhado como termo no século ix e, entretanto, elevado a procedimento computacional, o termo algoritmo prolifera hoje em múltiplas esferas das classificações escolares ou da gestão de recursos humanos ao crédito financeiro, do policiamento das cidades à tomada de decisão por advogados e juízes. Este ensaio analisa a vida social dos algoritmos e expõe a urgência de uma literacia sobre as tecnologias de Inteligência Artificial. O governo pelos algoritmos, a algocracia, estabelece novas e complexas dependências entre ciência, tecnologia, política e economia. Impõe-se a questã a que riscos ficam expostos indivíduos e comunidades? Deve esta proliferação algorítmica ser regulada pelos poderes públicos? E em que termos?
(PT) Numa altura em que muito se fala sobre a Inteligência Artificial, sobre as suas causas e consequências, onde se "pintam" cenários catastróficos, este livro-ensaio dá-nos uma ideia de o que são os algoritmos, e o que, na realidade, são mais instrumentos que servem como meio para um fim idealizado pelos seus criadores.
De uma certa forma, é um pequeno livro, mas a contribuição para um tema tão pertinente é importante para tentar entender o que vêm aí, especialmente quando se fala na Quarta Revolução Industrial, do qual ainda estamos no inicio. Os exemplos ali falados mostram que, sendo um instrumento para melhorar e ser mais eficaz, o maior perigo é a sua falta de controlo, especialmente na parte da regulação e de uma ética dos algoritmos para evitar discriminações baseados no género, raça, entre outros.
Se existem benefícios óbvios - no caso da pandemia, esses algoritmos ajudaram a acelerar a obtenção de vacinas - num mundo onde os mais ricos do mundo são, em muitos aspetos, adeptos de um neotaylorismo ou de um neofordismo, ou seja, de um sistema ultra-eficiente, que por ser tão repetitivo, tem grandes custos físicos para os trabalhadores, o grande alerta é se isto não fará com que isto não nos faça recuar bastante nos nossos direitos trabalhistas. Daí que isto seja um alerta para uma maior regulação, ou então, que se mantenham os direitos trabalhistas conquistados ao longo do século XX e alerte a nova geração que... não vale muito ter a melhor educação se não se protege em termos de trabalho.
Com uma introdução ao que são algoritmos e a Inteligência Artificial, este ensaio apresenta os variados usos que a Inteligência Artificial tem tido e terá na sociedade actual, e as suas consequências de como estas estratégias estão implementadas para os indíviduos. Bom para quem quer uma introdução.