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Salazar Confidencial: A História Secreta da Rede de Cunhas e Favores do Estado Novo

Durante quatro décadas, António de Oliveira Salazar recebeu milhares de cartas de amigos, familiares, ministros, padres e figuras ilustres da elite do Estado Novo. Mendigavam ao presidente do Conselho favores, ajudas e cunhas para obterem um cargo, uma promoção, uma casa em Lisboa ou uma palavra de Salazar para intervir em todo o tipo de problemas, incluindo em processos judiciais e em casos de crime, violência e adultério envolvendo figuras notáveis da sociedade.
É a primeira vez que toda a correspondência particular enviada a Oliveira Salazar é tratada para um livro, numa investigação exaustiva sobre 2446 processos individuais, de onde se analisaram 70243 páginas de cartas, relatórios, currículos e fotografias.
Os documentos mostram os surpreendentes bastidores do Estado Novo, expondo a intimidade de um regime sustentado em cunhas e favorecimentos pessoais. E revelam como Salazar, apesar da reputação que construiu de ser ético e rigoroso, não se coibia de usar os privilégios do cargo e a máquina pública para resolver os seus problemas e os de quem o rodeava.

372 pages, Paperback

Published May 1, 2023

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Marco Alves

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for António Conceição.
Author 3 books10 followers
July 16, 2023
Sem prejuízo da demonstração documental da natureza do regime salazarista como sistema de poder que, em matéria de nepotismo e favorecimento clientelar, em nada se distinguiu dos outros regimes portugueses todos, a obra sofre de dois pecados graves:
1 - Finge ignorar que, num tempo em que não havia e-mail e os telefones eram raros, a carta era o meio de comunicação normal. O teor das comunicações reveladas é comum e subsiste, mas, hoje, dá apenas lugar a uma chamada de telemóvel ou a um e-mail;
2 - O autor escolheu a enumeração caótica da correspondência dirigida a António de Oliveira Salazar, pedindo-lhe favores inocentes, metendo-lhe cunhas descaradas e mendigando-lhe actos que, nos tempos actuais, dariam processos abertos na Procuradoria Geral da República. Raramente sabemos os resultados dessas diligências junto do Presidente do Conselho e, em regra, só o sabemos quando a a caixa de arquivo com carta do pedido é acompanhada de uma carta posterior a agradecer o favor ou a cunha. O que temos é, pois, um levantamento significativo da correspondência existente no Arquivo Salazar, da Torre do Tombo, com pedidos, cunhas e empenhos rogados ao chefe do Estado Novo. Teria sido preferível que o autor se tivesse centrado apenas em meia dúzia de cartas e tentado seguir, fora dos arquivos, o contexto e o destino dos pedidos efectuados, com as tensões que tais pedidos levantavam (ou não) nas clientelas do regime. Só na carta de Humberto Delgado (e por causa do teor da carta, não da investigação de Marco Alves) antevemos essas tensões. Ponto importante, também, teria sido tentar perceber a reacção psicológica de Salazar a estes pedidos. Suspeito que os apreciava, porque foi com base neles que construiu a teia de equilíbrios que lhe permitiu manter-se no poder durante 40 anos. Mas o livro é omisso quanto a este aspecto.
Em suma, estamos perante uma obra muito relevante, não tanto pelas teses que sustenta ou pelo método que segue, mas pelas pistas de investigação que abre a outros estudiosos. Provavelmente, também nunca pretendeu ser mais do que isso.
917 reviews
April 14, 2024
Este é um trabalho jornalístico. Portanto, há algumas repetições para reforçar a mensagem central. As fontes, a matéria-prima, estão no Arquivo Salazar na Torre do Tombo, e são citadas de forma genérica, pressupondo que quem deseja aprofundar o tema recorra aos instrumentos de descrição documental e às imagens digitais que o Arquivo Nacional da Torre do Tombo preparou. Obrigada, jornalista Marco Alves, por assim revelar a importância de informação tão relevante ter sido salva da destruição ou da venda a privados, e ser património colectivo e de acesso livre. É essa a missão dos arquivos públicos, e é preciso levar esta mensagem aos cidadãos.
E assim, através de documentos recebidos pelo próprio «sr. doutor», descobrimos a imensa teia de clientelismo que fez funcionar e durar o Estado Novo, apesar de o mito, alimentado pelo próprio e ainda hoje constantemente renovado, de ser Salazar quem limpou o país do caos dos partidos e das suas redes de cunhas.
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