Durante o mês de Dezembro de 1996, grandes cartazes anunciaram, desde Braga a Portimão, o novo livro de Miguel Esteves Cardoso. Foi uma ideia pioneira, na área editorial, da Assírio & Alvim. E dizemos-lhe com convicção, “O Cemitério de Raparigas” é o melhor romance de Miguel Esteves Cardoso. É triste e divertido, afectuoso e cruel, amargo e solitário, como o é o quotidiano dos dias que submergem um homem só, a quem a mulher matou todas as namoradas. Se ainda há quem não perceba como MEC vende tantas dezenas de milhares de livros, deve ler este para aplacar os seus injustificáveis cepticismos.
Miguel Esteves Cardoso is a Portuguese writer, translator, critic and journalist. He's a well known monarchist and conservative.
Miguel was born in a middle class family in Lisbon. His father, Joaquim Carlos Esteves Cardoso, was Portuguese and his mother, Hazel Diana Smith, was English. He had a good education and the advantage of a bilingual and bicultural upbringing, helping him to develop an outsider's detachment from the culture of his birth country. In 1979, he graduated from Manchester University in political studies and four years later, in 1983, he received his doctorate in Political Philosophy. While there he made contact with some of the New Wave bands of the Factory records like Joy Division or New Order.
In 1981 Cardoso became the father of twin girls. One year later he returned to Portugal, where he worked as an assisting investigator of the Social Studies Institute on the Lisbon University. He later became a supporting teacher of political sociology in ISCTE and then returned to Manchester University for a postdoctorate in Political Philosophy oriented by Derek Parfit and Joseph Raz.
Um belo romance entre a melancolia e a tentativa de definição do amor com um toque humorístico característico de Miguel Esteves Cardoso.
"Conhecer quem se ama não é amor - é conhecimento. O amor é uma atenção desprotegida e irresistível, que não nos deixa saber mais - por muitos que tenham sido os anos e as intimidades. Amar alguém é uma desconsideração alegre por toda a gente. É uma exclusão terrivel, mas parece tão certa e verdadeira: as pessoas são todas más ou boas, amigas ou inimigas, estranhas ou familiares, queridas ou detestadas. Mas, sejam quem forem, têm uma característica em comum, que por muito que nos aliviem, desocupem, respeitem, descansem ou assegurem, é serem, variando os prazos e prolongando mais ou menos o pequeno mistério que acaba por se revelar (sempre depressa de mais), desinteressantes."
"Haverá coisa mais vazia que uma casa cheia de livros? Ou mais cheia que uma casa com uma mulher lá dentro? Ou mais chata que uma vida que oscila entre esses dois estados extremos, como era a minha?"
Miguel Esteves Cardoso em O Cemitério de Raparigas
uma nova rapariga é sempre uma surpresa, o princípio de uma pequena vida. tem tantas características originais que não podemos esquecê-la, por muitos anos que tenham passado desde a última vez que a vimos. é um grande benefício, pelo qual jamais poderemos dar graças suficientes. as raparigas não substituem as anteriores. acrescentam-se.
mais um livro de miguel esteves cardoso que desilude.
a linguagem (entenda-se, um rol infindável de palavrões) completamente desnecessária, não entendo se com o objectivo de chocar, que não atinge. a história, que se resume à personagem principal, fernando, a relatar a sua vida, principalmente nas mulheres que dela fizeram parte, de alguma forma, sentindo que acumula estas mulheres numa parte de si, num "cemitério" que vai construindo, através das suas experiências. enquanto recorda, fernando destrói-se com bebida, droga e, inevitavelmente, mais mulheres.
não entendi o objectivo de glorificar uma vida promiscua sem sentido (estar com mulheres apenas para as acrescentar a uma lista, a um "cemitério").
Os altos e baixos das relações amorosas, do ponto de vista masculino [e um tanto dramático, também]. O senso de humor único de Miguel Esteves Cardoso dá a cada rapariga narrada pelo protagonista uma sensação optimista, a esperança no Amor [aquele que todos queremos e sonhamos com], em situações algo avassaladoras e que, noutro autor, poderia descambar para a depressão total. Em vez disso, o MEC coloca-nos um sorriso cúmplice na face e uma gargalhada empática no coração.
Não consigo passar das primeiras 3 páginas, tanto é o palavrão. Não me choca, mas para quê? Estratégia de marketing? Acho que já passámos essa fase e o livro deve ser dessa época.