Gustavo vive entre duas cidades, Londres e Rio, e entre duas idades, a infância e a vida adulta. O garoto completa quinze anos exatamente ao atravessar de volta o Atlântico. Regressar ao Brasil significa pisar de novo a 'relva da infância' e, ao mesmo tempo, partir em busca da sonhada, embora temida, consciência de si mesmo.
João Gilberto Noll was a Brazilian writer born in Porto Alegre, in the southern Brazilian state of Rio Grande do Sul.
His early years were spent studying at the Catholic Colégio São Pedro. In 1967 he began university coursework in literature at the UFRGS-Federal University of Rio Grande do Sul, but in 1969 he interrupted his studies to pursue a career as a journalist in Rio de Janeiro, working for the newspapers Folha da Manhã and Última Hora. In 1970 Noll spent a year in São Paulo working as a copyeditor at the publishing house Editora Nacional, but a year later he moved back to Rio and resumed both his work in journalism at Última Hora, writing on literature, theater and music, and his university studies in literature, first at the Faculdade Notre Dame and then at the PUC-Rio, where he received his degree in 1979.
Noll published his first short story as part of a 1970 Porto Alegre anthology entitled Roda de Fogo, but his more formal literary debut came in 1980 when his first book of short stories O cego e a dançarina (English title: The blind man and the dancer) was released, for which he received three literary prizes. One of Noll's short stories from O cego e a dançarina, Alguma coisa urgentemente (Something urgent), was the basis for the film Nunca fomos tão felizes (English title: We've Never Been So Happy) in 1983, directed by Murilo Salles and starring the actor Claudio Marzo.
Noll received early international attention as a participant in the Writer's Program at the University of Iowa in 1982, and when his work appeared in an anthology of new Brazilian writers published in Germany in 1983. After a short visit to the University of California, Berkeley in 1996, he was invited to teach Brazilian literature there in 1997. He was an invited scholar for a Rockefeller Foundation seminar in Bellagio, Italy, was the recipient of a Guggenheim Fellowship in 2002, and spent a two-month writing residency at the Centre for the Study of Brazilian Culture & Society at King's College London in 2004. All of these experiences were to shape the subject matter of later works.
His first collection of stories was followed by the novels A fúria do corpo (1981), Bandoleiros (1985) and Rastros do Verão (1986). Two of his subsequent and perhaps best-known works, the novels Hotel Atlantico (1989) and Harmada (1993), later came out in a 1997 English edition, translated by David Treece and published by Boulevard Books in London. Another novel, entitled O quieto animal da esquina, appeared in 1991.
From 1998 to 2001 Noll published a twice-weekly series of short stories in the major São Paulo daily Folha de São Paulo, and in 2004 he began to publish longer stories every two weeks in the daily Correio Braziliense published in the federal capital Brasília.
Só depois de publicar uma dezena de romances, João Gilberto Noll percebeu que o personagem da maioria deles era o mesmo: criatura muitas vezes sem nome ou rosto, presa em uma busca que é também a do autor no domínio da forma. Com Anjo das Ondas, seu novo livro, Noll recua ao passado desse protagonista recorrente, contando a história de um adolescente.
Anjo das Ondas começou, em sua origem, como uma narrativa voltada para adolescentes, a exemplo do recente díptico Sou Eu! e O Nervo da Noite, lançados em janeiro deste ano pela mesma Scipione que agora publica o novo romance. Há, de fato, elementos que unem os dois projetos. Em Sou Eu! e O Nervo da Noite Noll faz de seus personagens jovens na idade da descoberta, mas em momento algum abdica da sua prosa densa, sensória, torrente poética seguindo o ritmo da linguagem.
Em Anjo das Ondas, o autor faz o mesmo, mas estende a narrativa por mais páginas (os dois livros anteriores eram praticamente contos um pouco mais extensos) e faz de Gustavo, o protagonista, um jovem com as mesmas inquietações de solidão e dissolução que os heróis melancólicos de romances como Rastros do Verão, Harmada ou Lorde – para pegar exemplos de três momentos da carreira do escritor. A diferença é que em Anjo das Ondas o protagonista é um adolescente urbano de classe média, com a sede de movimento dos personagens de Noll mas ainda preso à vida ao lado ora do pai, escritor residente no Rio, ora da mãe, professora residente em Londres – separado, o casal mora em cidades distintas, e Gustavo não chega a ter um trauma da separação de ambos. Pelo contrário, às vezes é ele quem, se pudesse, gostaria de se apartar tanto de um quanto de outro.
– Ele sente necessidade de fugir da domesticidade, é outro ponto em comum com tudo o que já escrevi. O personagem sente a necessidade de aventura, mas não sabe muito bem que aventura é essa, não sabe o que fazer com essa ânsia. E a minha literatura é também uma literatura de aventura, porque eu nunca sei onde vai dar quando começo um livro – diz Noll.
Ao viajar para o Rio para visitar o pai, Gustavo, com seus 15 anos recém-completos, reencontra um antigo colega de escola, agora um jovem e belo surfista – o "anjo das ondas" de que fala o título. E é na figura desse recuperado rosto do passado que Gustavo vai encontrar os parâmetros para sua entrada na vida adulta: sua sexualidade, seu anseio de contato, seu duplo.