O percurso de D. João VI fornece o fio condutor desta história, mas este livro é muito mais do que uma biografia do monarca português. A figura do rei - sobre a qual circulam uma série de imagens estereotipadas - adquire espessura em função da análise do seu lugar (e do lugar de Portugal) no xadrez político e econômico internacional. Trata-se de combinar, com o apoio de ampla documentação, o exame dos grandes panoramas diplomáticos com o das políticas comezinhas, que articulam vida familiar e atuação política, acordos públicos e intrigas privadas. Os nove capítulos acompanham o percurso atribulado de d«D. João, que assume o poder numa Europa modificada pela Revolução Francesa. O posicionamento hesitante da monarquia portuguesa entre França e Inglaterra, somado às divisões internas de grupos sociais e facções políticas dentro do país e aos problemas (pessoais e políticos) provocados por sua esposa Carlota Joaquina conferem tensão ao itinerário do monarca, numa narrativa rica em informações, capaz de interessar o especialista e o público mais amplo.
JORGE MIGUEL VIANA PEDREIRA nasceu em Lisboa, a 26 de Abril de 1958. Estudou em Lisboa, tendo concluído o ensino secundário no Liceu Camões (1975). É licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1981), mestre em Sociologia e Economia Históricas (1986), com a tese Indústria e atraso económico em Portugal (1800-1825) e doutorado em Sociologia Histórica (1996), com a tese Os homens de negócio da praça de Lisboa de Pombal ao vintismo (1755-1822): diferenciação, reprodução e identificação de um grupo social, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente é professor auxiliar com agregação nos departamentos de História e Sociologia da FCSH/NOVA, sendo também investigador integrado do CESNOVA e do Instituto de História Contemporânea na mesma instituição. Além das funções docentes, exerceu diversos cargos de gestão na Faculdade (coordenador do Departamento de Sociologia, vogal do Conselho Directivo, Presidente do Conselho Pedagógico) e na Universidade (membro da Assembleia e do Senado). Foi ainda membro do conselho de redacção da revista Penélope, Fazer e Desfazer a História (1997-2004) e professor visitante da Universidade de Brown (em Providence, nos Estados Unidos) e da Universidade de São Paulo. A sua área de estudo centra-se, sobretudo, nas elites portuguesas na época moderna e contemporânea (séculos XVII - XIX). Foi fundador do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) (1989), de que foi depois Vice-Presidente (1990-1996) e Presidente da Direcção (1996-1998). Exerceu funções governativas como Director-Geral do Ensino Superior (2001-2002), Secretário de Estado Adjunto e da Educação do XVII Governo Constitucional de Portugal (2005/2009) e perito da OCDE para aconselhamento da reforma educativa da Grécia (2011). Entre 2004 e 2005 colaborou com o suplemento Universidades do jornal Diário Económico. Na mesma altura foi consultor do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos para o Processo de Bolonha e assessor para o desenvolvimento da estratégia do Instituto Politécnico de Setúbal.