João Antonio é daqueles escritores meio míticos, mais falado do que lido. Em parte, isso se deve à sua própria biografia, marcada por uma vida muito pouco tradicional. De certa forma, ele próprio é um personagem de si mesmo.
Este é o seu primeiro livro, publicado quando ele tinha apenas 26 anos. Os contos retratam, por meio de um estilo meio impressionista, vislumbres das vidas de pessoas das periferias, que, muitas vezes estão à margem da sociedade ou que trafegam pela criminalidade. São aqueles ambientes noturnos, soturnos, esfumaçados. São personagens solitários, abandonados, com laços familiares frouxos, com amores provisórios, com momentos de felicidade que rapidamente se vão.
Os contos estão divididos em três parte. Na primeira – contos gerais – são estórias de, digamos assim, amor. Nada de convencional, mas de amores tortos, fracassados, problemáticos.
Na segunda parte – Caserna – os protagonistas estão do lado da Lei e Ordem. Porém, são os soldados, o pessoal lá de baixo, aquele que é pisado pelo sargento ou pelo sub-alguma coisa.
Na última parte – Sinuca – estão os personagens mais característicos desse mundo marginal da grande cidade. São contos em que a malandragem está mais presente.
É um livro desigual – talvez a sina dos livros de contos. Gostei mais das estórias das duas primeiras partes. Menos da última. Não me seduziu o maior conto do livro, aquele que dá título ao livro, apesar de ser o mais conhecido e o mais bem reputado de todos.
Gostei mais das estórias em que aparecem os indivíduos solitários, perdidos na cidade grande.
Enfim, um autor marcante de um certo momento da literatura brasileira, marcado pela vida desorientada da grande cidade.