O FOLCLORE E AS RAÍZES DO HORROR JAPONÊS QUE INSPIROU MESTRES COMO JUNJI ITO, MURAKAMI, NAGABE, YOKO OGAWA, KOJI SUZUKI, SHINTARO KAGO, TSUGUMI OHBA, ENTRE MUITOS OUTROS
Divindades e criaturas sobrenaturais marcam forte presença no folclore japonês e protagonizam inúmeras lendas e narrativas transmitidas de uma geração a outra, mexendo com o imaginário das pessoas. Histórias que exploram elementos fantásticos, assustadores e misteriosos revelam a visão de mundo do povo japonês dos tempos remotos, sua percepção da natureza e dos fenômenos naturais e dá pistas sobre seus medos diante de aspectos desconhecidos e incompreensíveis.
Clássicos Japoneses Sobrenaturais reúne 57 contos com temáticas variadas, que vão desde o sobrenatural — que aborda a interação de seres humanos com monstros, fantasmas, deuses, espíritos de elementos da natureza e animais —, passando por narrativas épicas de samurais e grandes figuras, culminando com o horror que deixou marcas profundas na sociedade japonesa.
Fruto da pesquisa sobre oralidade de Richard Gordon Smith, o naturalista britânico que enxergou a história por trás da paisagem, a obra foi publicada originalmente em 1908 na Inglaterra. Smith, que pisou o solo japonês pela primeira vez em 1898, chegou ao país com o objetivo de coletar amostras da fauna e flora para compor o acervo de história natural do British Museum. No entanto, as ricas lendas e relatos de caráter extraordinário o encantaram de imediato, levando-o a pesquisar e coletar histórias perturbadoras enquanto percorria o país para cumprir sua missão.
O Japão mantivera-se isolado do resto do mundo por mais de 200 anos, durante o xogunato Tokugawa, e havia reaberto seus portos para comércio exterior em 1858, apenas quarenta anos antes da chegada de Gordon Smith ao país. Durante o período de reclusão, o intercâmbio com outros países era bastante limitado, o que fez com que a arte e a cultura japonesa se desenvolvessem praticamente sem influência estrangeira.
Embora o país passasse por uma rápida modernização e a presença de estrangeiros se tornasse cada vez mais comum na época da chegada de Gordon Smith, muitas vezes ele foi o primeiro europeu a visitar certas regiões do arquipélago. Mas isso não o impedia de se comunicar com o povo. Contando com ajuda de intérpretes, ele obtinha os relatos das mais variadas fontes. Camponeses, pescadores, monges e crianças que encontrava em sua jornada compartilhavam com ele lendas regionais, testemunhos de acontecimentos misteriosos que se fundiram com o tempo e transformaram relatos reais, histórias de amor, tragédias familiares e toda a herança mística de seus antepassados em uma forma de realidade mágica cativante.
Sugawara Michizane e imperador Sutoku, retratados em dois dos contos, são personagens da vida real e figuram entre as “três maiores almas penadas” do Japão, que teriam morrido com tanto rancor e ódio no coração que diversos casos de desgraça e tragédias ocorridas depois de suas mortes são consideradas maldição de seus espíritos. Clássicos Japoneses Sobrenaturais apresenta ainda personalidades históricas como os samurais Akechi Mitsuhide e Saigo Takamori, os pintores Maruyama Okyo, Rosetsu e Tosa Mitsunobu e imperadores Engi e Toba.
Gordon Smith, que tinha o plano original de permanecer no país apenas por alguns meses, viveu ali a maior parte das duas décadas seguintes. A obra é uma compilação dos volumosos registros que ele havia feito em seu diário. Em alguns pontos, o autor britânico contesta a conduta de personagens que, do seu ponto de vista, tomam decisões muito radicais. Mas o mais evidente ao longo da obra é a sua admiração pela cultura e pelo senso de valor e honra do povo nipônico.
Um trabalho magistral — inspiração para mestres como Junji Ito, Murakami, Nagabe, Y¿ko Ogawa, Koji Suzuki, Shintaro Kago, Tsugumi Ohba, entre muitos outros — até então inédito, que revela a faceta variada da cultura e tradição do país e apresenta seus medos e anseios, além de uma perspectiva única sobre temas universais, como a morte, o amor, a inveja e a honra.
SOBRE O AUTOR
Richard Gordon Smith foi um naturalista britânico nascido em Earswick, no noroeste da Inglaterra, em 1858. A pedido do British Museum iniciou uma expedição pelos países asiáticos com o propósito de coletar espécimes para o acervo de histórias naturais e chegou ao Japão pela primeira vez em 1898. Muitas das amostras da fauna e da flora coletadas por ele eram inéditas e foram nomeadas em sua homenagem. A curiosidade pelos costumes do povo japonês, suas lendas e folclore fizeram aflorar também seu lado etnólogo, e ao longo de anos ele formou um rico acervo de histórias, fotografias e ilustrações de alto valor histórico e cultural. Em 1907, Gordon Smith foi agraciado com a Ordem do Sol Nascente do Quarto Grau pelo governo do Japão. A presente obra foi originalmente publicada em 1908 em Londres, em língua inglesa, sob o título Ancient Tales and Folklore of Japan. Gor...
Richard Gordon Smith (1858-1918) was a British traveler, sportsman and naturalist who traveled through many countries in the late nineteenth century and lived in Japan for a number of years.
At first I believed this book was poorly translated. The writing is wooden, sometimes so convoluted it's confusing, the typos and grammar blunders are abundant. But halfway through the narrator starts referring to me (the reader) as a fellow British citizen, which only makes the poor quality of writing even worse.
Despite the grim cover, this is not a scary book. It's more like a collection of misogynistic folk tales. They are told simply (and poorly). The misogyny could almost be over-looked for it being "ancient tales" were it not for the arrogant voice of the author. He flip-flops between proclaiming himself as a masterful storyteller (pfff) and then dismisses all responsibility for the story, perhaps because he heartily indulges in the justice of stabbing unfaithful women, shaming flirtatious women, or disparaging women who don't devote themselves entirely to their husbands/sons.
I read the whole thing hoping to gain some kind of insight into Japanese folk lore. I did gain some. Samurai were assholes, Yuki Onna means "snow spirit" in general and is not just one spirit, and finally, all women must be beautiful or they're not worth talking about.
Don't bother with this book. There must be others that give better insight into ancient Japanese superstitions.
eu tenho mts problemas com o livro ent eu vou começar elogiando oq eu gostei
adorei conhecer mais das histórias folclóricas de vários períodos do japão, começando desde o século XI e indo até o século XIX, e também de diversas partes do japão, e não somente dos centros urbanos, e a origem de muitas frases/crenças comuns q vejo hoje em dia lendo literatur japonesa, ou em mangás e animes. e foi isso.
esse livros tem problemas tanto quanto a organização quanto á própria escrita dele quanto à organização e à própria edição: - seria melhor se os contos fossem organizados por algum tipo de ordem definida, seja cronologicamente, ou então por região de onde a história se passa (a ordem cronológica seria melhor) mas ao invés disso somos jogados de um período de tempo a outro de forma abrupta, oq com certeza prejudicou a minha leitura - pra um livro desses era mt necessário um mapa pra nós, q nunca fomos ao japão nem somos familiarizados com a geografia local, pudéssemos ao menos entender melhor por onde essa história está se passando, pq os terrenos e a geografia marítima são muito importantes pra compreensão do conto. ao invés de repetir o nome do conto em japonês com a escrita em pincel ou então as páginas pretas com caveira repetidas, um mapa, nem q fosse estilizado, ou então imagem das pinturas q são referidas nos contos facilitariam a leitura dos 57 contos - senti muita falta das ilustrações, principalmente nos contos q faziam alusão aos maiores pintores da história japonesa, e não tinha nem uma ilustração sequer no livro :(( - e também a repetição de alguns temas, mas aí eu não sei se é culpa do autor que compilou os contos ou da edição da darkside
e agr as minhas considerações quanto a escrita e ao autor: - eu gostei muito do fato dos contos serem de fato contados por moradores nativos, mas me irritou profundamente as intromissões da voz do autor no meio ou final de alguns contos para fazer um julgamento de valor de algo q foi contado. um exemplo foi num dos vários contos sobre samurais em q o contador da história coloca as ações do samurai como sendo heróicas, mas aí o autor interrompe a narrativa pra dizer q um personagem como aquele não deveria ser visto como heróico. isso foge completamente do propósito do livro q é conhecer mais sobre o folclore japonês, e isso inclui saber a visão dos nativos sobre suas prórprias histórias. - senti que faltou pesquisa por parte do autor na sua jornada porque tiveram alguns momentos do livro q o autor assume não saber algo da cultura japonesa e ao invés de ter uma explicação maior com uma nota de sei lá um apesquisa posterior, ele só continua a história. - as várias correções quanto a algo que os contadores falam, do tipo "ah esse tipo de peixe não poderia estar aqui nesse cabo nessa época por razões x e y"
e aí eu entendi porque me incomodou tanto: o autor foi ao japão a mando do museu britânico para trazer peças de valor do japão para a inglaterra. e aí eu compreendi q esse livro é quase um exemplo de um colonizador visitando uma cultura estrangeira a ele e tentanto adequar essa cultura à sua visão ocidental. não acontece isso em todo o livro mas aconteceu o suficiente pra eu ficar incomodada.
talvez eu estivesse na expectativa de aprender mais sobre a cultura japonesa vinda dos próprios japoneses mas o intermediário acabou com a minha experiência. sonho q um dia nós teremos um compilado digno dos clássicos de terror da cultura japonesa (no livro mesmo só se fala em 1 das 3 maiores assombrações, o sugawara-no-michizane, e não dos demais)
enfim, uma decepção (e nem toquei no caráter misógino de muitos contos, pq não sei ao certo se é a visão da época, culpa do autor quanto a quem foi entrevistado ou foi um viés do próprio autor)
A edição da Darkside é maravilhosa com ilustrações lindas que me fizeram ter muita vontade de comprar quando vi no site deles :) (ponto positivíssimo). Porém, comprei o livro pensando que teriam muitos contos de terror, mas não é beeeem assim. Em sua maioria são contos antigos que envolvem misticismo e a crença em fantasmas, mas a maioria deles não são aterrorizantes. Um ponto negativo é a escrita do autor que deixa um pouco a desejar no quesito de contação de histórias. O modo como é escrito também faz parecer que o sobrenatural é mais uma crença popular antiga no Japão do que um texto que faz com que o leitor se engaje e se sinta imerso dentro das histórias, por isso dei 3 estrelas. Apesar disso, é um bom livro pra quem gosta da cultura japonesa e se interessa em entender como é o Japão, e principalmente o Japão mais antigo. Por mais que sejam histórias que tenham cunho machista, homofóbico e classista, precisamos levar em consideração a época em que foram contados ao autor e da época em que datam.
Vários contos coletados por Richard Gordon Smith sobre folclore japonês, acontecimentos sobrenaturais e histórias de coragem ou honra.
É menos sobrenatural do que o título nacional e a capa dão a entender (o título original ressalta contos antigos e folclore). Muitos parecidos, mas boa parte são instigantes histórias da cultura japonesa, suas crenças e hábitos.
Engraçado ver em vários contos a presença de alguma jovem (geralmente filha) de enorme beleza (e alguns homens também).
O autor vai escrevendo como se relatasse o que ouviu, tentando entender onde exatamente a história pode ter ocorrido e se ela pode ter um fundo de verdade ou não.
Algumas dariam boas adaptações para cinema (ou séries de antologia).
Há uma pequena sinopse da história ao lado do título de cada conto, melhor não lê-las, mesmo que seja para instigar a leitura. Como são curtos é melhor ser surpreendido pelo que vai ser relatado.
A capa e o título dado em português são uma tremenda propaganda enganosa. o título original é algo como "contos antigos e folclóricos do Japão" e foram coletados por um viajante britânico no final do século XIX início do século XX. são contos interessantes, que retratam aspectos da cultura japonesa antiga, mas nem todos são sobrenaturais e quase nenhum remete ao terror que é sugerido pela capa e pelas propagandas oficiais.
Precisei voltar este livro para "leitura desejada". 1 mês tentando encarar as estórias dramáticas demais, repetitivas demais... bicho, quanto sofrimentoooo!! e não é do tipo drama que eu estou falando, é sofrimento mesmo.😖 Odeio desistir de uma leitura, mas esse me obrigou a parar. Quem sabe numa próxima! 👋
So, I borrowed this book from the Amazon kindle lending program and was very excited for a new source of Japanese ghost stories. I was sorely disappointed. I got about a fifth through the book and my version was very poorly edited. Words ran together and some sections of sentences were completely missing, but so it goes with digital conversion. What really annoyed me is that the title says Ancient Japanese Ghost Stories. Only the first half of that title is vaguely true. These stories do take place in Japan and in the past at some point, be ghost stories? Not really. About half of the tales tangentially do contain ghosts, usually in the last paragraph. The rest are generally supernatural-ish but not at all unnerving, terrifying, or morality plays, qualities found in most Japanese ghost stories. I finally stopped reading when I read a tale that was just about a guy who everyone bought was great. No ghosts or supernatural pretense. My excitement was quelled and turned to disappointment. Oh well, time to look for another source.
Este livro traz um perspectiva diferente dos demais que já tive acesso sobre contos e histórias do folclore japonês. Ele foi escrito por um ocidental. Ainda que seu objetivo seja reportar contos coletados por ele em suas estradas no Japão, a forma de escrever é distinta dos contos que já li traduzidos diretamente do japonês. De forma alguma este fato tira a beleza dos contos, mas dá uma dinâmica de leitura mais próxima do leitor ocidental. O que é um denominador comum nos contos é a personificação da natureza em seus personagens e entidades. A relação do homem/mulher com a natureza é muito mais simbiótica do que nós ocidentais estamos acostumados. No imaginário japonês homens/mulheres são parte da natureza e estão sujeitas a ela, e não uma supremacia da raça humana sobre a natureza como normalmente vemos no imaginário ocidental. Este livro é um impressionante compêndio e fundamental leitura para quem gosta da cultura japonesa.
Do ponto de vista histórico é um livro riquíssimo sobre a cultura japonesa. Nas histórias é possível perceber como o imaginário do povo japonês foi sendo construído em seus mais diversos aspectos. Como livro de contos sobrenaturais, deixa um pouco a desejar, pois muitos contos acabam sendo apenas o pano de fundo para histórias de intrigas políticas. Vale a pena a leitura para um entendimento histórico cultural do Japão? Vale. Vale a pena a Leitura para quem gosta de terror? Não! Melhor ler outros livros sobre espíritos.
The title of Ancient Japanese Ghost Stories is a little misleading, while ghosts and spirits are prevalent it's more of a collection of fairy tales or folk lore. The stories aren't scary but are certainly interesting and give the reader a glimpse into ancient Japanese culture and superstitions.