Um presidente de extrema-direita é morto por um adolescente não binário. Por meio de uma longa entrevista, conhecemos a história do jovem e as decisões que o levaram a cometer o ato. Seria ele uma vítima, um terrorista ou um violento incel — um celibatário involuntário?
Numa narrativa estruturada apenas em diálogos, Santiago Nazarian apresenta o retrato de uma geração tão engajada quanto individualista, que sabe o que precisa combater, mas não o que defender. Questões raciais, sexuais e de gênero são colocadas numa balança sempre desequilibrada, e a visão parcial de um personagem pode revelar mais do que suas palavras. Com o cinismo e o sarcasmo típicos de Nazarian, Veado assassino é uma louca novela especulativa, divertida e reflexiva na mesma medida.
"Santiago Nazarian coloca em colisão duas vozes, a de um adolescente que fetichiza o ódio e a de uma instância que perscruta os seus atos, ambas tão trepidantes e incertas quanto a história recente do país." — Andréa del Fuego
bom que depois desse qualquer livro que eu ler será o melhor do ano... (se ele fosse um pouco maior eu teria abandonado, mas como é curto fui até o fim para ver onde chegava)
Infelizmente não é possível dar zero. Pior livro que já li na minha vida, diálogos horríveis e mal escritos, uma lacração atrás da outra sem nenhum sentido, trechos de explicação do óbvio. Surpreendente que tenha sido publicado. Não percam tempo lendo esse lixo.
muito bacana e rapido de ler! achei uma boa representação do adolescente com odio de tudo mas sem realmente lutar por nada.... podia ter ido um pouco mais a fundo nisso só! mais um 3,5 acho
É só ler a sinopse para imaginar que 'Veado Assassino' não é um livro que se leva tão a sério durante a sua narrativa. O inesperado, na verdade, é o fato de que no fim ele é um livro bastante sério.
Em uma prosa inteiramente feita de diálogos, Nazarian nos transporta para uma entrevista onde tentamos entender cada uma das motivações de um adolescente que acaba de cometer um dos maiores crimes possíveis. A maneira como isso é feito, o planejamento, o passado dele e a escrita do autor nos levam a questionar muito do que passamos a considerar normal em um período bastante turbulento do país.
Não é um livro sobre a mente de um assassino, é um livro sobre a mente de um adolescente que apanhou tanto de tudo que resolveu bater em quem mais incentivou suas agressões, tem como culpar? Mas, ao mesmo tempo, tem como NÃO culpar? É uma balança bastante equilibrada entre vontades e ideais e que o autor soube muito bem balancear ao escolher esse tipo de prosa para a sua história.
É uma premissa bastante interessante com críticas sociais muito certeiras sobre momentos que ainda assolam o país, tudo com uma linguagem bastante informal e um humor bem colocado. Também é um ótimo livro pra quem queria histórias de LGBTQIAP+ trambiqueiros, apesar de que, ao ler, se percebe que talvez não seja bem isso mesmo sendo, dá pra entender?
Ah, o plot twist do final me pegou muito desprevenido, vale muito a pena.
Santiago é sempre muito inventivo e essa uma das qualidades que mais gosto nele. A construção de diálogos dele também é fluida, muito natural, o que deixa a leitura mais prazerosa, mesmo quando não conta nada demais. No entanto, esse, para mim, é um livro ruim. Não é pelo formato, mas por uma certa presunção que não se firma, ficando chato em alguns momentos, calçados por lugares-comuns, com uma tentativa de virada de argumento mais ao final, previsível até. Obviamente, esse é apenas um comentário a partir da minha experiência e não uma resenha crítica pretensiosa. Cada um que tire suas próprias conclusões (mas não digam que não avisei…)
Escrita em forma de diálogo, a história se passa acerca do assassinato do presidente e levanta várias questões cotidianas do universo pop e dos games. É de leitura rápida, mas me deixou com a impressão de que poderia acabar mais cedo ainda. Soa como uma conversa na internet, com seu lugar no tempo de agora (2023). Talvez o retrato do que muitos pensaram em fazer, mesmo que às escondidas. Por mais que exista muita criação, ele é muito literal e talvez pouco literário.
Antes que alguém pense, pela capa e pelo título, que se trata de uma história trash a la "Cocaine Bear", é bom esclarecer que não tem nada a ver com isso. A sinopse da obra se resume a uma única frase, que foi o suficiente para me fazer querer o livro: "Um presidente de extrema direita é morto por um adolescente não binário". Entenderam agora a ironia do título?
Estruturado unicamente em diálogos, este romance de pouco mais de 100 páginas se passa após o assassinato, quando Renato, o adolescente catarinense de 16 anos responsável pelo crime, já está preso e passa a ser entrevistado por um interlocutor cujo nome ou função não são revelados. Ao longo dos diálogos, vão surgindo pistas sobre a vida do protagonista, sua relação conturbada com a família, os poucos amigos (que só existem no mundo virtual dos jogos online), com a sua própria sexualidade.
Uma boa sacada do livro é que Renato é um ótimo retrato de uma geração sem rumo, que não sabe o que é, nem o que quer. Ele quer morrer, mas não sabe dizer exatamente por quê - e na verdade tem dúvida se queria mesmo era matar ou morrer, ou os dois. Acha que é não binário, mas também tem dúvidas se não é gay ou assexual. Sabe que está consumido pelo ódio, mas não sabe precisar exatamente a origem desse ódio.
Recheado de sarcasmo, citações à cultura pop e escrito em linguagem coloquial, é uma ácida crítica aos nossos malucos tempos recentes. A leitura prende do início ao fim, e o pequeno número de páginas joga a favor do livro (se fosse mais extenso, poderia se tornar cansativa a estrutura em diálogos).
Algumas referências às preferências do protagonista parecem um pouco clichês e preguiçosas, como se uma geração inteira fosse feita apenas de filmes da Marvel, League of Legends e linguagem de "gamer", mas talvez fosse exatamente o clichê o que o autor estava buscando. Outra coisa que me causou estranheza foi que há muitas referências à pandemia, ao uso (ou não uso) de máscara, sendo que a história se passa em maio de 2022, quando a pandemia dava seus últimos suspiros e o uso de máscara já havia deixado de ser obrigatório. Enfim, pequenas coisas que somente um chato detalhista como eu apontaria.
Ainda que não cumpra integralmente a expectativa gerada pela premissa, vale muito a leitura, pela ousadia e principalmente por fugir da mesmice.
um twink fez o bolsonaro ir de arrasta pra cima. um investigador quer descobrir: porque ele faria isso?
existe um quê de irrestibilidade nessa premissa. a narrativa ser toda pautada na base de diálogos também é boa, ainda mais que são a grande força aqui por fluírem naturalmente com várias interrupções e brincadeiras duvidosas.
mas, fica óbvio que isso era mais uma ideia do que uma execução planejada em si. tem os seus méritos de captar as ansiedades que qualquer brasileiro que não era lunático estava sentindo nos últimos cinco, quatro anos. nesse aspecto de cápsula do tempo, sempre ficará marcado. mas o que oferece além disso? piadas de uma nota só? reflexões vazias? tem até um certo grau de consciência do autor, onde ele quebra a quarta parede e se dirige ao leitor que está acompanhando tudo através de uma tela. santiago sabe que não vai reinventar a roda em nenhum momento. em uma cena, até brinda com a trama ser tão superficial que uma adaptação como peça seria melhor do que um filme. mas... quem está fazendo ela ser superficial não é você, o autor? transferir a responsabilidade para quem lê não o exime dela.
ao fim, é uma narrativa sólida, mesmo que rasa. uma grande contradição que tenta racionalizar uma bagunça incomensurável: nada mais brasileiro que isso, não dá pra negar.
Veado Assassino - Santiago Nazarian Lido 26/09/2023 📖 Nota: 4.0 ⭐ ⭐⭐⭐⭐⭐ Premissa ou Primeiras Impressões ⭐⭐⭐⭐ Protagonista(s) ⭐⭐⭐⭐ Personagens secundários ⭐⭐⭐⭐⭐ Conexão com a História ⭐⭐⭐⭐⭐ Page-Turner ⭐⭐⭐⭐⭐ Temas importantes ou Representatividade ⭐⭐⭐⭐ Universo ou Ambiente ⭐⭐⭐ Elemento Surpresa ou Plot Twist ou Final ⭐⭐⭐ Escrita ou Narrativa ⭐⭐⭐ Frases ou Citações
É um livro que já nasceu datado, e tem um formato de escrita peculiar (o que é bem estranho), e várias referencias à cultura pop e a memes que não vão ser reconhecidas pelo leitor daqui a 10 anos, além de o diálogo muitas vezes parecer pouco natural. Enfim, achei um livro bastante fraco, e acabei desistindo da leitura, talvez eu retome apenas para descobrir o que acontece no final.
Eis um livro fantástico. Santiago faz o que ele próprio chama de "fogo amigo", mostra os perigos de, ao deixar o ódio do opositor nos invadir, nos tornarmos o que detestamos. Como jovem, me fez questionar as coisas que detesto só para estar nas pautas, para buscar melhor entender até o que eu detesto e o que eu amo.
aquele momento preocupante em que você reflete sobre como os elementos e eventos de uma história quase que totalmente satírica poderiam facilmente acontecer na vida real e não causariam surpresa alguma.
uma obra bem peculiar, com a leitura promovida em texto corrido, com diálogos, sem capítulos, com um estilo diferente, uma obra pra se ler em uma sentada, sendo bastante sarcástico, até mesmo no próprio título, com um humor bem ácido
Uma história em que se parte de algo para chegar ao nada. Um presidente de extrema direita é morto por um adolescente não binário. No interrogatório que se segue, as preconcepções sobre suas motivações vão sendo demolidas até não sobrar muita coisa além do ato e suas possíveis consequências.
Até as renas podem matar. Mas não o presidente. Uma rena não pode matar o presidente. Bem, até pode. Poderia acontecer, na Escandinávia. Acho que não seria completamente inverossímil a manchete.
Renato, adolescente que se declara não binário, filho de uma família conservadora, narra em um interrogatório com um interlocutor misterioso os antecedentes que o fizeram cometer um atentado contra o presidente da República durante um dos seus comícios com apoiadores em Santa Catarina. Não, talvez tentando escapar de um processo, o autor não usa o nome todo do "Presidente burro pra caralho" de extrema-direita assassinado pelo jovem, mas todo mundo sabe quem é, eu, vocês, o próprio presidente saberia se lesse o livro, mas livros, para ele, "têm muita coisa escrita", então não sei se lerá.
O livro é todo narrado em forma de diálogos entre o protagonista e o misterioso interrogador (um policial? Um psicólogo? Um militar? Um promotor? Não se sabe inicialmente), que às vezes parece saber muita coisa e às vezes parece estar completamente por fora da vida e das angústias do personagem e de outros de sua idade no Brasil criado pela ascensão da extrema-direita que tornou Bolsonaro possível. A entrevista vai aos poucos desvendando para o leitor não apenas o atentado mas as motivações de Renato, um poço de raiva e angústia que explode devido ao intolerável miasma de repressão e intolerância jogado na atmosfera com a eleição do presidente "burro pra caralho".
Parece que agora que o poder presidencial mudou de mãos, há uma certa necessidade da ficção de lidar com o fenômeno da ascensão bolsonarista - algo que se comprova não apenas neste livro como no também recente O Presidente Pornô, que ainda não li. Este é um volume muito curto - pensando em Stella Maris, do Cormac McCarthy, sobre o qual já escrevi aqui, me dou conta de que talvez não haja como ser diferente: histórias que são puro diálogo talvez não tenham como render volumes muito extensos.
O domínio que Nazarian tem do diálogo sustenta o interesse do livro. A progressão da narrativa é ágil, a troca entre Renato e seu interrogador é, por vezes, vibrante, incisiva, cheia de ritmo. O trabalho formal é preciso. Já a condução e, principalmente, a resolução, o twist que explica quem é o misterioso interlocutor de Renato e qual o propósito de seu interrogatório, são uma decepção.
Acho que há uma certa dificuldade inerente em fazer com que ideias amplas sejam expressas por mentes estreitas. Uma tese inteligente enunciada por um personagem meio burro, por exemplo. E aqui, um ato de grande significação política cometido por um adolescente que parece alienado ele próprio de quase tudo. Essa é uma das fragilidades do livro porque, embora passeie por questões de gênero, alienação familiar, violência simbólica e real, opressão familiar, ao tentar fazer Renato conectar os pontos de por que o tal presidente seria o representante simbólico de tudo o que quer eliminar, Renato não sabe se fazer entender. O diálogo é musical, vibrante, como disse, mas é como uma música dos Beatles da primeira fase: você ouve a energia no ritmo, mas fica pensando "é só isso?" quando presta atenção na letra.
E, como eu disse, tem uma reviravolta no final que, se não faltassem só umas 15 ou 20 páginas pra terminar um livro com pouco mais de 100, acho que eu tinha abandonado.
Achei fraco e sem sentido. Mesmo sendo um livro que usa apenas de diálogos para contar a sua história, ele pareceu não dizer muita coisa. Mesmo sendo um livro curtíssimo, ele pareceu durar uma eternidade.
Pelo título e pela sinopse esperava algo com uma visão nova e diferente, algo que trouxesse uma narrativa original e que apresentasse uma história inovadora. Terminei de ler e não ganhei nada disso.