Entre 2009 e 2010, li esta BD do Asterix (parte de uma coleção à época) e na altura, enquanto criança, gostei mas não fui capaz de perceber todas as nuances e mensagens que, agora em adulto e formado na área, capto.
Em pouco mais de 47 páginas, Goscinny faz uma paródia completa do sistema económico vigente e dos seus clicos oscilantes. Ao introduzir o capitalismo sob a forma de produção, venda e especulação (do preço) de menires (algo que até hoje os historiadores desconhecem o seu propósito real), percorre todo o trilho de exploração de um produto, inclusive, bolhas económicas, resultado da sagacidade de Asterix em travar a situação, iniciada pela ingenuidade de Obelix.
Fiquei impressionado no quão sintético Goscinny consegue ser, em poucas falas e painéis, em explicar em formato de paródia vários dos problemas do mercado livre desregulado, com algo tão patético quanto os tais menires, em como todos os gauleses se deixam levar pelo glamour do recém status social adquirido, na procura incessante pelo lucro, ignorando os seus hábitos culturais e concidadãos, que agora viam como antiquados.
Desde a procura e oferta, a inflação, a competição e concorrência, a assimetria de informação, crise, especulação, produtividade, o consumismo, que este livro é uma verdadeira business lesson do quão suscetível e instável é o laissez-faire. Para lá disso, é também uma história muito engraçada e um tempo bem passado.
Talvez pelo meu background de estudos ou porque já não me lembro bem da maioria dos outros volumes da saga Asterix, mas este é com certeza já o meu favorito.