A Esmeralda do Rei de Paulo Pimentel! Cheguei ao fim deste maravilhoso livro cedido pelo Clube de Leitura da Bee Dynamic Books. Demorou mais do que esperava porque a história é tão bonita, contada no português da época, que voltava atrás muitas vezes para não perder nada. É um excelente trabalho tanto do escritor como do historiador que nos transporta a Al-Usbuna, Al-Ulya, Al-Andalus, Shilb, Al- Harun 😃 no meu querido Al- Gharb entre outras expressões usadas hoje em dia, sem que saibamos de onde vêem... Adorei. O livro está na minha lista de desejos, quero que faça parte da minha biblioteca pessoal. Se for possível, autografado pelo autor. Recomendadíssimo.
Foi bom reencontrar personagens históricas com as quais já “convivi”, como D. Afonso Henriques, D. Sancho I e a infanta D. Teresa. É sempre refrescante deparar com uma visão dos acontecimentos diferente da nossa e, no entanto, encontrar pontos de contacto, certas coincidências, no carácter imaginado de pessoas que viveram há quase mil anos, mas cujas existências ficaram registadas. Gostei igualmente da abordagem ao início do reinado de D. Afonso II, ainda não pesquisado por mim.
Este livro conta a história de Esmeralda, filha de uma moura e de um cruzado que se estabeleceu em Arruda, depois da conquista de Lisboa. Trava conhecimento com D. Sancho ainda infante e aprende a amá-lo, mas a vida de Esmeralda será marcada por múltiplas aventuras. Não pude deixar de recordar livros meus, nomeadamente, A Cruz de Esmeraldas e Os Segredos de Jacinta, o que não deixa de ser curioso, pois todos estes romances foram escritos numa altura em que o Paulo Pimentel e eu não tínhamos conhecimento da existência um do outro, nem lido nenhum dos livros alheios.
Acompanhando o percurso de Esmeralda, entramos na vida e nos acontecimentos que marcaram o reino português nas últimas décadas do século XII e nas primeiras do seguinte. Notável é a capacidade do autor em vestir a pele de uma personagem feminina, cheia de sensibilidade. A escrita de Paulo Pimentel é bastante poética, muito marcada pela comunhão entre o ser humano e a natureza. Somos parte de um cosmos e sentimo-lo, se algum dia descobrirmos as nossas asas.
«Muhammad, o profeta do Islão, designava que a grande jihad é aquela batalha que travamos com a nossa alma. Pois bem, esse é o esforço que tenho andado a fazer há anos. Sei que o meu fim também está próximo. Já pressinto a hora de abrir as minhas asas, e regressar à luz. Não tenho medo. Hei de transformar-me em mais um ponto de brilho, na infinita abóbada celeste». (Pág. 372)
Não obstante alguns alongamentos no enredo, este livro faz as delícias de qualquer apaixonado pela vida medieval. Por isso, estou já curiosa quanto ao próximo romance de Paulo Pimentel, que será publicado em 2015 e que terá como tema, mais uma vez, a nossa Idade Média.