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O Quarto do Bebé

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Escrito em grande parte durante o confinamento e a doença, e concluído após uma longa gestação, O Quarto do Bebé é um romance autoficcional em forma de diário íntimo.

Depois da morte de um conhecido psicanalista, a filha, sua única herdeira, encontra entre os papéis que ele deixou o diário de uma paciente. Tem título - Fala Orgânica - e está assinado: Ester do Rio Arco. O que começou por ser uma curiosidade transformou-se numa obsessão e objeto de leitura compulsiva. Neste manuscrito, a filha do psicanalista vai encontrar não apenas uma forma de conviver com o pai, como também inúmeros pontos de identificação com a paciente dele.

Os temas são os do dia a dia do isolamento e da doença, a escrita, o corpo, a mutilação, a relação com a mãe e com as origens, a ligação profunda a uma amiga (figura tutelar e espécie de mãe de Ester) e a morte dela. Em suma, a perda, a infertilidade, maternidade e filiação, nascimento e morte. O arco narrativo desenha-se a partir do que poderia vir a ser um quarto de bebé, mas que nunca albergará uma criança, até à transformação desse quarto num lugar físico e mental de criação, nomeadamente da escrita.

Daqui emerge ainda um retrato antropológico do país em que os pais estiveram na guerra e as mães escreveram aerogramas, e é exposta a violência que a sociedade patriarcal exerce sobre as mulheres. Com ecos do universo literário da recentemente nobelizada Annie Ernaux, uma das grandes referências da autora, O Quarto do Bebé é um relato cru e corajoso que revela uma nova e envolvente faceta de Anabela Mota Ribeiro.

280 pages, Paperback

First published May 1, 2023

8 people are currently reading
492 people want to read

About the author

Anabela Mota Ribeiro

12 books33 followers
ANABELA MOTA RIBEIRO nasceu em Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Bastos, a 20 de Outubro de 1971. É licenciada em Filosofia e mestre em Filosofia (variante Estética) com uma tese A Flor da Melancolia e o Ímpeto Cesariano (ou a Negação e a Afirmação da Vida) nas Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Jornalista freelance, colaborou com diversos jornais e revistas, entre eles, e de forma sistemática, DNa (suplemento do Diário de Notícias) e Jornal de Negócios. Actualmente escreve para o Público.
Foi autora e apresentadora de programas de televisão da RTP. Trabalhou em rádio e foi correspondente da Antena 1 em Londres entre 2007 e 2008.

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82 (18%)
4 stars
191 (42%)
3 stars
128 (28%)
2 stars
41 (9%)
1 star
8 (1%)
Displaying 1 - 30 of 68 reviews
Profile Image for Cláudia Azevedo.
395 reviews218 followers
May 18, 2024
Apreciei, sobretudo, o lado feminino deste livro autoficcional, com todas as reflexões sobre infertilidade, maternidade, doença, sexo ou menopausa.
Em alguns trechos, é deveras orgânico, o que não sei se é uma virtude ou um constrangimento.
Ester escreve no seu diário, durante o cancro e o confinamento. O que se lê é íntimo e profundamente humano.
Profile Image for Marta Silva.
303 reviews105 followers
August 15, 2023
Uma leitura que me fez imergir, pela história, pela escrita livre e pela audácia da autora em fazer deste livro uma autoficção, diferente, sem dúvida!
Profile Image for Maluquinha dos livros.
320 reviews135 followers
June 9, 2023
A Anabela Mota Ribeiro é uma figura familiar. Talvez por gostar tanto do seu trabalho como jornalista, não esperava menos do seu primeiro romance. E não me enganei! Depois de terminar a leitura, li uma entrevista em que confessa que é fã de Annie Ernaux… é engraçado, já que durante a leitura – e até pelas referências que faz às obras desta autora- fui estabelecendo algumas ligações com a escrita da Annie Ernaux: uma escrita cuidada, madura, sem floreados, direta. A realidade tal como é.
Nesta espécie de diário autoficcional há sempre a dúvida do que é ficção e do que é realidade. Ficou-me a questão: quanto da autora está nestas páginas? No livro, temos as páginas do diário de Ester do Rio Arco, uma mulher de 50 anos. Um diário escrito durante a pandemia que vai muito além de um relato do tempo de isolamento. Na minha opinião, este livro fala do que é ser mulher com uma lucidez e uma maturidade que me prendeu logo nas primeiras páginas. Entre memórias, pensamentos e inquietações vamos descobrindo o universo desta mulher que é tão igual a tantas outras. A doença, a cura, a esperança, a perda… o sonho de um bebé que não passou de um desejo, a infertilidade, tudo é abordado com muita lucidez e maturidade, com uma serenidade que surpreende. Creio que a escrita deste livro (e também senti isso na leitura do livro da Lara Vaz Pato, por exemplo) serviu como uma espécie de catarse. Uma libertação da dor, uma aceitação.
Entre o que é ficção e realidade, entre o que é a vida da personagem e de que forma tem ligações com a vida da autora, o livro prende-nos desde o início. Recomendo!
“O tema da maternidade e da fertilidade, o corpo da mulher, o que é ser mulher, o que é a vida das mulheres, é o que está no centro deste livro”
Profile Image for Hugo.
38 reviews6 followers
August 25, 2023
2,5*

Percebo os elogios à escrita "elegante". Reconheço que não se consegue ficar indiferente ao relato cru e catártico de todo o processo da doença. E admito ter apreciado particularmente as passagens dedicadas à mãe e a Aurora, que convocam a comoção. Contudo, existem demasiados momentos mal conseguidos: as inúmeras e forçadas referências a obras literárias, de música e de cinema, a necessidade de mostrar consciência social enquanto se lamenta, por exemplo, não ter podido ir "ao mercado biológico do Príncipe Real", assinalar coincidências que de coincidência nada têm, entre outras reflexões e pensamentos pouco menos do que confrangedores. Além, claro, da óbvia colagem a Annie Ernaux. Por vezes não se percebe se a narradora (a autora?) sofre de pedantismo ou de ingenuidade.
Profile Image for Marta Xambre.
252 reviews29 followers
October 22, 2023
Outubro 2023

Aprecio a escrita simples, crua, honesta e em simultâneo tão tocante e sensível. Os sentimentos estão à flor da pele, apresentam-se, assim, verdadeiros e despudorados.
Nesta prosa estão presentes algumas emoções perturbadoras que todo o ser humano experimenta em muitos momentos da sua vida: tristeza, medo, repulsa.
A tristeza, conseguimo-la desvendar na angústia, dor, baixa autoestima e solidão que acompanham a narradora nestas páginas.
O medo, este empecilho para a vida, mas ao mesmo tempo tão necessário para a sobrevivência humana.
A repulsa, esta que teima perturbar esta mulher, é uma hóspede indesejada na ferida aberta da mente e do próprio corpo.
Ana Ester, uma mulher que relata os seus desassossegos serena e discernidamente, é ela a narradora...
Profile Image for Marta Clemente.
754 reviews19 followers
February 19, 2024
Neste livro introspectivo Anabela Mota Ribeiro conta-nos a história de Ester, uma mulher que vive o tratamento de um cancro em pleno confinamento da pandemia por Covid 19.
A escrita é muito boa. As experiências são muito vívidas. Está escrito em forma de diário, o que nos leva a pensar que estamos mesmo a ler a vida da autora e os seus pensamentos durante estes dias negros. Revi-me em muitas das loucuras do confinamento e da pandemia, e no geral gostei da leitura.
Profile Image for Cristina Delgado.
255 reviews72 followers
June 11, 2023
Casa cheia para a apresentação deste livro na biblioteca do belíssimo Palácio das Galveias que vos convido a conhecer e a admirar. Uma apresentação cuidada, com leituras de partes do livro muito bem lidas e que por si só despertaram a curiosidade de quem lá se encontrava, de certeza! Eu já ia com o livro a meio e com a minha opinião quase formada!

Percebi que muitos aspectos da narrativa se mesclavam com a vida da autora. Este sentir tão forte que nos é relatado num presumido diário, veio de certeza de fortes vivências da autora. O quê ao certo não importa, referiu ela na apresentação, e, afastando a minha curiosidade, concordei eu.

O tempo é/foi o da pandemia. O relato é feito na primeira pessoa pela Ana Ester que se vê isolada na sua doença, um isolamento que mais do que físico, a que todos nesse tempo fomos obrigados, é também emocional. Discurso muito duro, cru, que senti verdadeiro. Não é para corações moles este livro!

Primeiro romance desta jornalista/apresentadora que, mais uma vez, veio dar provas da sua versatilidade e sentido apurado, carregado de uma escrita sensível e de um forte peso que leva o leitor para mundos sofridos.

Gostei muito. Duro mas belo!
Profile Image for Carla.
60 reviews
January 14, 2024
Ao contrário da maioria, a minha experiência de leitura não foi boa. Não me identifiquei com o mesmo, não percebi a história, nada me prendeu!
Profile Image for André José.
100 reviews1 follower
April 22, 2024
Livro curto, mas de leitura lenta. O conteúdo é tão profundo em toda a sua síntese que me levou a lê-lo com outro detalhe. Confesso que a minha predisposição diária não foi sempre a mesma. Parei de o ler por diversas vezes. Concluí! Todo ele em viagens de comboio. Nessas viagens fui acompanhado pelo bebé - mais não seja escrito - de Ester, personagem principal. Escreve sobre ser mulher, ser-se, conhecer-se como, reconhecer-se quanto, sentir-se sem, cumprir-se com...

Acompanhei cada página deste diário, ou devo dizer desta gestação, com atenção. Estou seguro que perdi muitos pormenores que me escapam pela barreira geracional - há em todo o livro muitas expressões, situações, contextos - literários e da vivência diária, nomeadamente da infância - que certamente farão mais sentido para quem é contemporâneo à própria autora. Prendi-me a outras coisas: a esta gestação em que Ester teve de nascer novamente - é isso que retiro deste título - aquele escritório que virou o seu quarto com o confinamento e em que, pela escrita, leitura, fulgor sentimental - e onde Ester se revive.

Gostei das referências literárias com as quais são feitos contrapontos para esta criação: desde Ivan Ilitch até Brás Cubas - há, por conseguinte, sensibilidade no detalhe destas transposições para o conceito narrado.

Gostaria que outras personagens tivessem sido mais aprofundadas - nomeadamente da sua família. Gostaria de ler mais sobre a mãe, tantas vezes evocada.

O ponto forte desta criação é que não sei onde inicia a Ester e termina a Anabela Mota Ribeiro neste livro. É tão credível na forma com que este diário "ficcional" se apresenta, que custa a acreditar que não aconteceu tudo isto com esta autora.
Profile Image for Vera Sopa.
744 reviews72 followers
May 22, 2023
Um diário íntimo num tempo de clausura. Uma obsessão. Uma catarse. Um encadeado de pensamentos, memórias e sentimentos que focam preocupações mundanas e pessoais que são transversais e prendem qualquer leitor numa escrita bela, ponderada e serena que vicia. O diário de Ester do Rio Arco. A maturidade e lucidez de quem conseguiu refletir e transpor para um romance autoficcional sábias palavras. Os temas vão desde a doença, a morte, a infertilidade, a pobreza e até algumas referências literárias. As limpezas como forma de expurgar o que se quer eliminado. O exemplo materno. E no fim a superação.
Profile Image for Sónia.
595 reviews55 followers
September 21, 2024
3,5 ⭐

Anabela Mota Ribeiro estreia-se no romance, que diz ser autoficcional. Uma forma simpática de escrever um romance que mais não é que autobiográfico. Foi assim que o assumi depois de ter visto e li várias entrevistas suas.
Admiradora confessa de Annie Ernaux, quem já leu esta última, percebe que muito da escrita da autora portuguesa foi inspirado na autora nobel. Só que com uma diferença pela positiva: a escrita de Anabela Mota Ribeiro é muito mais elegante, muito mais polida, os relatos muito mais discretos e menos escancarados, acho...

Por outro lado... Bem, por outro lado, tenho a dizer que não sou profissional. Sou uma mera leitora, que expressa o que sente quando termina uma leitura e, aqui, talvez vá ser contra a corrente.
Houve pontos que me chocaram, o principal prende-se com a doença oncológica. Num livro de desabafos desta ordem, escrito em plena pandemia (cujas medidas de combate à mesma a autora politizou erradamente...), não me cabe na cabeça ficar mais preocupada com o facto de uma menopausa precoce, decorrente de tratamentos pós-cirúrgicos, lhe poder vir aumentar o peso ao invés de poder vir a poder a vida... Caramba, impressão minha ou isto é tão só de uma futilidade tremenda??
Lá a preocupação de perder o corpo fértil, visto pelo que isso acarreta para uma mulher, ainda vá que não vá... Não esqueçamos que do outro lado está algo denominadocancro... Agora preocupada com o "receio de virar uma porca"? Lamento... Demasiada futilidade para mim, para quem já perdeu pessoas para esse monstro...

Grosso modo, este livro fala-nos do corpo feminino, do desejo sexual, de doença, de morte, de maternidade, de infertilidade, de menopausa, de pobreza, de ascensão social e de novo riquismo, várias vezes indirectamente referido pela chatice de não poder contar com o auxílio de empregadas domésticas durante o confinamento...

Um livro para o qual parti com imensas expectativas e que me desiludiu.

Apenas uma nota... Alguns poderão perguntar qual o motivo de atribuir quatro estrelas depois de tudo o que escrevi. Porque mesmo não concordando com muito do que é dito e as prioridades que são estabelecidas gostei imenso da forma como tal é apresentado em termos de escrita.
Profile Image for Ricardo Figueira.
39 reviews7 followers
July 25, 2023
Por onde começar? Muito se falou sobre este livro ultimamente, em particular depois de um certo artigo que destacava algumas passagens nas quais muitos veem motivo de chacota. Na verdade, essas passagens, longe de provocarem chacota da minha parte, estão entre as mais interessantes e só fazem aumentar o meu respeito pela autora, pois são aquelas em que ela mais se despe perante o leitor, se mostra nua e frágil - e admiro sempre quem é capaz de se despir e se expor perante o seu público, sem medo de mostrar o seu eu-criança.
O livro está bem escrito, é um relato poderoso da doença e da fragilidade, Anabela Mota Ribeiro sabe usar as palavras muito bem, nisso não há discussão (e outra coisa não esperava dela, nesta estreia na ficção).

A classificação como “romance” é discutível, pois, mesmo sendo autoficcional, este é mais um diário do que um romance, é um conjunto de memórias e experiências da autora, à qual ela terá juntado alguns elementos ficcionais. Como diário dos dias da pandemia, não tem a genialidade do “Diário da Peste” do Gonçalo M. Tavares. Como livro de memórias íntimas, não atinge o patamar da Annie Ernaux que ela própria cita como influência (o que se nota, aliás). As referências permanentes a Machado de Assis enjoam um pouco, a certo ponto (sim, AMR dedicou todo o seu percurso académico a estudá-lo e, sendo uma autoficção, isso teria de transparecer no livro… mas pronto, é um bocadinho demasiado). Nada disso impede que este seja um livro forte e cativante, e uma estreia auspiciosa de AMR na (semi) ficção.
Profile Image for borderline.
83 reviews2 followers
August 2, 2023
Por motivos de identificação pessoal foi um livro que mexeu imenso comigo. Creio, aliás, que mexerá com muitas mulheres devido às várias camadas que apresenta e que, por vezes, gostaria de ter visto melhor exploradas pelas palavras da autora. Mas é daqueles que vai ficar a moer cá dentro muito tempo.
Profile Image for Leandra.
504 reviews16 followers
May 22, 2025
Ester do Rio Arco escreve um diário que é encontrado pela filha do seu psicanalista.
Neste registo do quotidiano são feitas muitas reflexões acerca da doença, da morte, da infância, da família, da maternidade e da infertilidade...entre outros temas.
A escrita de Anabela Mota Ribeiro embora simples, está cheia de simbolismo e leva o leitor a vivenciar a experiência de Ester.
Gostei de relembrar vários episódios passados durante o tempo em que estive confinada em casa devido ao Covid-19.
Há muitas passagens relativas ao quotidiano e à vida "de casa" que me trouxeram à memória episódios da minha infância/adolescência e me provocaram muita nostalgia.
Há muitas referências a Machado de Assis, escritor sobre quem AMR estuda afincadamente. Estas foram aquilo que menos me agradou no livro, embora compreenda a pertinência das mesmas sendo este um romance autoficcional.
Profile Image for Cristina Guerra.
25 reviews3 followers
January 29, 2024
Aqui vou-vos sempre dizer a verdade, o que senti, sem floreados.
E assim sendo… este livro foi uma desilusão total!
Tenho algum apreço pela autora, quando a oiço e vejo em entrevistas. Parece-me uma mulher consciente e inteligente. Ora quando ela se propõem a escrever uma auto-ficção sobre o que vivenciou na Pandemia, num pós cancro muito recente e numa infertilidade, esperava algo soberbo. Mas encontrei algo apenas vazio e pretensioso.
Claro que a autora não tem culpa de estar numa posição privilegiada!! Mas deixando isto bem claro, a verdade é que se dentro de 50 anos algum jovem quisesse saber mais sobre a pandemia, e fosse tentar sabê-lo lendo esta obra, ficaria muito confuso. Senti que estava a ler um diário de férias.
Há uma parte da Pandemia que coincide com a Páscoa e ela decide enviar cabritos a domicilio aos seus amigos… ora eu cá estava em pânico, sendo assistente social, em saber como raios ajudava os meus utentes a comer!
Depois a forma como a autora fala do cancro, é sempre com um distanciamento emocional estranho… não vos maçando com detalhes intimos, eu cresci e vivo ainda no IPO por uma bela herança genetica que nos deixaram, e tudo o que a autora descreve não se aproxima nem um terço do que ja vivi e sinto dentro daquelas paredes naquele diagnostico.
Junta-se a isso que a autora (e como tal, a personagem) estão a meio de um doutoramento sobre Machado de Assis quando chega a Pandemia. A obra é repleta de referencias ao escritor brasileiro mas nunca fluidas; ela nunca faz um reparo, uma comparação entre Machado e a vida de forma natural; parece sempre uma coisa forçada, uma necessidade de “hoje acordei e está a chover, ah é verdade já vos disse que sou doutorada em Machado?”.
Foi isto que senti o livro todo… pretensão e vazio. E não consegui deixar de pensar que outros autores “nossos” lusitanos, me emocionariam mais a descrever uma cadeira que a Anabela a descrever temas que deveriam ser realmente tocantes.
Confesso que também me desagradou a total obcessão da personagem Ester acerca do seu próprio coco. Sim, coco, merda… cada vez que ela ia ao wc analisava o seu coco, cor e textura, comparando-o a memorias da sua vida, sensações que teve na doença, pensamentos…
Enfim… senti que esta leitura foi só uma total perda de tempo
Profile Image for Inês.
34 reviews6 followers
May 1, 2025
3,5

Pensei que este livro era mais sobre infertilidade e a relação das mulheres com a maternidade, e em parte é, mas é bastante mais focado no dia à dia durante o primeiro confinamento em 2020, e na vivência da doença (a autora/narradora do livro foi diagnosticada com um cancro uns meses antes da pandemia).

Li quase o livro todo no dia do apagão, o que foi interessante porque de certa forma senti-me transportada para o universo do confinamento, com o sentimento de estar a viver novamente um "momento histórico".

Gostei do livro, mas senti que teria beneficiado de uma maior distância temporal face à pandemia. É algo que aconteceu há demasiado pouco tempo para eu ter muito interesse em revisitar. Algumas referências a notícias e eventos da época soaram meio ridiculas até:

"Mário Centeno deu uma entrevista na qual disse que a queda do PIB vai ser catastrófica. Não o disse assim, disse-o de uma forma velada. Vamos sofrer tanto"

Também senti um pouco forçadas as tentativas de abordar temas sociais das pessoas que mais sofreram com a pandemia. A narradora vive uma vida privilegiada e de vez em quando "reflete" sobre os mais pobres, ao mesmo tempo que se queixa de não poder ir ao mercado biológico do Príncipe Real... Percebo que é um livro em formato de diário, e que por isso mostra a vida desta pessoa especifica, sendo um retrato auto ficcional da autora. Até acredito que a autora tenha tido estas reflexões sociais durante a pandemia, mas soaram meio ocas para mim.

De modo geral leu-se bem, mas sinto que é um estilo muito colado ao de Annie Ernaux, mas sem a profundidade que esta consegue imprimir aos temas mais banais, e com uma reflexão sociológica bastante mais fraca.
Profile Image for Elisabete Santos.
52 reviews4 followers
July 2, 2023
Belíssimo romance de Anabela Mota Ribeiro. Tem tudo o que vida tem: a relação pai/mãe, amigos, medos, desejos, sonhos, frustrações, doença, morte. Uma escrita cativante, interventiva, feminista, genuína.
Profile Image for Sara Grácio.
10 reviews4 followers
August 23, 2023
de uma premissa que podia ser interessante - um diário escrito durante a pandemia sobre infertilidade, isolamento, doença, perda, amor - sai uma peça de autoficção que dá um novo significado àquela velha máxima segundo a qual todos deveríamos saber menos uns sobre os outros.
Profile Image for Maria Jose Esteves Cardoso.
24 reviews4 followers
October 31, 2024
⭐️⭐️⭐️

Escrita deliciosa como o chocolate cravejado de amêndoas torradas do Lidl (provem já), mas tom demasiado afetado e pretensioso.
Profile Image for Márcia Arnaud.
Author 1 book15 followers
July 15, 2023
apesar da entrada difícil, tanto na escrita como na história, gostei muito do livro. fico na dúvida do que é ficcionado e o que será real, da autora - mas talvez não seja assim tão importante. apesar de uma linguagem muito elitista, que senti no início como snob até, foi-se tornando cada vez mais emocional - muito através das metáforas que usou.

diria que é mais um exercício de associação livre do que uma história, o que me cativou. está liberdade, que foi aumentado ao longo da escrita, é cativante e invejável. deixar só o conteúdo vir, sem o trabalhar e racionalizar - talvez possível pelo seu longo trabalho em psicanálise.

o tema da fertilidade e do intestino pareciam transversais na sua dor. a salvação da desesperança talvez tenha vindo da possibilidade de ver a sua fertilidade, e a possibilidade de criação, fora de si, na escrita, nestes diários e neste livro. isso foi bonito!
Profile Image for Rita Castro.
77 reviews20 followers
September 30, 2023
Um livro muito interessante. Diferente de tudo o que tenho lido.
Um diário escrito durante a pandemia, mas que é muito mais que isso. Uma catarse, uma análise pessoal de alguém que passou por muito e que faz um trabalho intenso no sentido da cura, da aceitação do seu actual eu! Pensamentos soltos (e muito o crus) de uma mulher sofrida.
Não consigo dizer que adorei, mas sem dúvida que gostei muito.
Profile Image for Sónia Carvalho.
196 reviews17 followers
May 6, 2024
O quarto do bebé é um lugar de "criação, gestação e vida", onde Ester escreve o seu diário, não com o intuito primário de ser lida, mas como uma espécie de catarse: "Escrever é fazer um pão. É dar forma ao medo, torná-lo comestível, ser capaz de o cuspir." (...) "Escrever é conseguir estar nua, desorbitada, fora do tempo cronológico. É avançar nua e intrépida. E sem vergonha, que é o mais difícil." (...) "Nua. Sinónimo de diário. Estar a sós comigo, a falar comigo."

Existe muito de Anabela Mota Ribeiro em Ester do Rio Arco, mas nem tudo o que é escrito em "O Quarto do Bebé" é autobiográfico. É uma espécie de diário auto-ficcional, um pouco ao estilo de Annie Ernaux. Fala-nos do que é ser mulher com uma maturidade e uma sinceridade que desarma logo nas primeiras páginas.

Em 280 páginas, Anabela Mota Ribeiro aborda temas delicados como a doença, a relação com o corpo doente, o desejo sexual na menopausa precoce, o confronto com a infertilidade, a pandemia, o isolamento, o medo ou o luto. A escrita é introspectiva e o discurso cru e duro, mas que sentimos como honesto, verdadeiro e catártico. É um relato poderoso sobre a doença e a fragilidade e vale muito a pena!
Profile Image for Susana.
5 reviews15 followers
February 20, 2024
Na minha estreia com a autora, infelizmente não estou no mesmo barco que a maioria das pessoas aqui, e confesso que me deixou sem vontade de ler mais.
Reconheço que é uma história com grande potencial já que aborda temas muito importantes como cancro, infertilidade, saúde mental, cuidados parentais, pandemia, entre outros. A forma de narração aparece-nos em forma de diário, coincidente com o início da pandemia e confinamento a que fomos sujeitos em 2020. Isto trouxe-me memórias dessa altura e do meu estado de espírito. Ao relatar-nos acontecimentos verídicos durante a altura, fez-me questionar se não seria um livro de não-ficção, mas aparentemente é um romance auto-ficcionado. O interesse esmoreceu aqui. Na suas divagações diárias, a protagonista perde-se e começa a navegar na maionese. Não consegui ver o sentido em tanto devaneio. E o pior de tudo foram as constantes referências a cocó, merda, fezes, defecações.... para quê?! A protagonista claramente sofre de copromania. Gostava de ter apreciado este livro, mas fui enganada pela capa, título e sinopse. Não me vai ficar na memória.
13 reviews
November 22, 2024
Comprei este livro por ser o primeiro romance da Anabela Mota Ribeiro, de quem admiro o trabalho como jornalista. No entanto, tive muita dificuldade em entrar no livro. Senti uma grande confusão entre a vida da autora e a da personagem. Preferia que o livro ou tivesse sido exclusivamente biográfico ou exclusivamente ficção.
Profile Image for Vera Baeta Lima.
61 reviews2 followers
August 17, 2023
O Quarto do Bebé
.
Que livro
Que viagem
Que mergulho
.
A escrita em diário, a escrita que deixa sair todos os sentimentos e pensamentos que fazem parte das questões em torno da vida.
É um livro onde a escrita se faz de associações e de referências literárias e filosóficas (o que eu gosto de filosofia!) e nos leva também à reflexão sobre nós próprios, as nossas questões, os nossos medos, os nossos segredos.
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“Que pessoa serei nesse futuro que não sei qual é?”
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A pergunta bate-me cá dentro em dias em que a pausa me leva a reflexões e auto observação. Estarei eu no caminho certo ou haverá um caminho novo à minha espera?
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E este livro é mais uma razão pela qual gosto de ler.
Inspiração Aprendizagem Auto-observação
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A reler, a sublinhar, a estudar
Obrigada
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