O segundo livro da trilogia iniciada com A Cabala da comida trata da relação do indivíduo com seu mundo e o sistema de valorização do universo que o cerca. A Cabala do dinheiro é, antes de tudo, uma obra que fala de questões de sobrevivência e suas fronteiras: do excedente, da posse, do poder e da insegurança. Ao mostrar os reflexos da moeda nas dimensões da emoção, da afetividade e da espiritualidade, o autor reflete sobre os limites da riqueza.
De acordo com a tradição judaica, riqueza é a abundância que não gera escassez. O lucro de hoje que resulta em prejuízo amanhã não representa riqueza, mas sim um trabalho desperdiçado. A cabala relativa ao dinheiro fala da maneira pela qual se realiza nossa troca no mercado: não diz respeito somente ao que recebemos, mas também ao modo como o que recebemos está em harmonia com o que era possível receber. O sustento e a riqueza são caminhos importantes para a percepção das dimensões da realidade.
Trechos específicos como “Sociedades e contratos”, “Dívidas”, “Empréstimos e juros” e “Preços e lucros” oferecem um interessante panorama da visão dos rabinos sobre temas ligados aos negócios. É possível perceber que, nos últimos dois mil anos, eles já acreditavam em economia de mercado – a competição honesta seria uma das práticas de interação nesse universo.
Mas Nilton Bonder não fala apenas do lado financeiro. Economizar recursos emocionais, não perder tempo nem esbanjar o tempo alheio, evitar criar falsas expectativas, deixar a fofoca de lado e até compartilhar conhecimento são conselhos descritos em detalhes nas páginas do livro. Combater os maus impulsos é fundamental para manter o equilíbrio dos universos material e espiritual, garantindo riquezas de tesouros e méritos. Sabendo investir e economizar em todas as dimensões, será possível garantir bons negócios no mundo vindouro.
Por que muitas vezes buscamos mais trabalho para obter mais dinheiro? Por que por mais que juntemos dinheiro, não conseguimos comprar o que 'desejamos'?
Este livro explica, para quem crê, que nem todo dinheiro é sustento e que muitas vezes a falta do sustento pode ser devido ao nosso relacionamento errado com o trabalho, o próximo e o dinheiro.