21 histórias que nos falam quase sempre de mulheres…
Tal como a avó da história que dá título ao presente livro, que arrecadava os seus linhos em armários esquecidos e os perfumava com maçãs, também Rosa Lobato de Faria pegou em textos guardados na gaveta, sacudiu-lhes algum perfume de nostalgia e decidiu juntá-los em volume, par a gáudio dos seus numerosos e fiéis leitores. São vinte e uma histórias, que nos falam quase sempre de mulheres: dos seus amores, das suas traições, da sua perseverança, do seu combate por uma dignidade negada e reprimida. Mas que nos falam também dos homens que estão a seu lado, da vida dos casais, da sexualidade, da paixão e do ciúme, de Deus e da morte.
Prosseguindo uma trajectória ficcional iniciada com "O Pranto de Lúcifer" (1995) e continuada até ao presente com uma regularidade e uma qualidade indiscutíveis, Rosa Lobato de Faria confirma em "Os Linhos da Avó" a sua vocação de contadora de histórias, arrancadas todas elas à realidade mais profunda da vida.
ROSA LOBATO DE FARIA nasceu em Lisboa, a 20 de Abril de 1932. Estreou-se nas letras com o volume de poemas Os Deuses de Pedra (1983), tendo publicado depois As Pequenas Palavras (1987), Memória do Corpo (1992) e A Gaveta de Baixo (1999). Ficcionista, publicou O Pranto de Lúcifer (1995), Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camila S. (1997), Romance de Cordélia (1998), O Prenúncio das Águas (2000, Prémio Máxima de Literatura), A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), A Flor do Sal (2005), A Alma Trocada (2007), A Estrela de Gonçalo Enes (2007), As Esquinas do Tempo (2008) e Vento Suão (obra póstuma, 2010). Publicou ainda a peça de teatro Sete Anos – Esquemas de um Casamento (2002), vários volumes infanto-juvenis e colaborou nas revistas O Autor, O Mundo Feminino e Máxima. Faleceu em Lisboa, a 2 de Fevereiro de 2010. Foi condecorada pela Presidência da República, a título póstumo, com o Grande-Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique, em 2010.
Rosa escrevia sempre, ou quase sempre, sobre o universo feminino e os meandros familiares. E aqui, parece-me que a inspiração lhe vinha muitas vezes das suas próprias vivências, das histórias ouvidas e repetidas em cada geração, e que foram compondo o léxico de memórias que nos brindou nos seus livros. Os mistérios desse universo, muito pouco misteriosos na maioria dos casos, mas sentidos na individualidade de cada mulher e homem, são sempre contados com uma graciosidade ímpar, uma subtil ironia, um gracejo ameno, uma sensualidade frequente, que não provocando emoções de arroubo nos deixam com aquele sorriso tolo ao volver da última página.
Livro de contos, sem grande fio condutor. Dizem-nos que falam geralmente de mulheres. Uns são engraçados, outros poéticos e outros um pouco patéticos. Nem sempre gostei, houve mesmo um que saltei. São curtos e pouco nos fica deles.
Gostei do livro, embora se note que os contos, provavelmente escritos ao longo dos anos, são um tanto desiguais, no que diz respeito à qualidade. De qualquer forma, esta compilação de contos parece-me fundamental para conhecer o universo de Rosa Lobato de Faria. Os contos refletem múltiplas fontes de inspiração: sonhos; poesia; estórias de família; episódios do quotidiano; enredos policiais; vivências tradicionais ou modernas; factos da História de Portugal... Vale a pena ler, pelo estilo da autora e pela diversidade de temas!
sobe para a carroça, disse ele, se queres ver a cor dos olhos da mulher com quem hás-de casar.
um conjunto de contos escritos e esquecidos ao longo dos anos, finalmente compilados num volume. vinte e uma histórias, quase todas sobre mulheres e os seus amores, as suas traições, a sua vida quotidiana, a sua sexualidade.
apesar de ser uma grande fã da autora, esta não é das minhas obras favoritas.
3,5 "Eu tenho um anjo. Estava, quando eu nasci, ao lado do meu berço, roçou a asa pelo rosto da minha mãe e disse-lhe, que esta criatura te não dê cuidado. Terá o seu quinhão de dor e sofrimento, o seu quinhão de alegria. Conhecerá a paixão e a raiva, a desilusão e a esperança. Gemerá de prazer nos braços de quem não a mereça, sorrirá de ternura de mãos dadas por quem a idolatre. Será cuidada e cuidará, será servida e servirá, será ajudada e ajudará. Há de semear e há de colher, há de cozinhar e há de comer, há de dar vida e há de viver. Aprenderá a trabalhar trabalhando, a amar amando, a perdoar perdoando"
É um livro de pequenas histórias e para mim o problema foi esse. A escrita é óptima, mas de muitas das histórias não me ficaram grandes lembranças, e das que ficaram senti-me sempre abandonada quando terminaram, porque terminam exactamente na altura em que estamos a ganhar afinidade com as personagens e queremos saber mais. Mas enfim, é possível que livros de pequenas histórias não sejam para mim.
Muitos contos, cheios da graciosa escrita de Rosa Lobato Faria. Não desiludiu mas houve contos que nada me disseram e outros que gostei muito. Os meus contos favoritos foram criada para todo o serviço, a fórmula, três vezes o Natal e um cálice de Porto. Recomendo, vale sempre ler esta escritora!
Um livro de histórias, umas pequenas e outras ainda mais curtas, quase sempre sobre mulheres. Umas mais interessantes, outras menos. Mas vale muito a pena a ler.
Que escrita deliciosa. Como habitual, de uma ironia, sensualidade e delicadeza... Destaco "A Mulher Que Mastigou o Meu Destino", "Maçã " e "Um Banco no Jardim"! Que maravilha de livro!
Nesta compilação de 21 contos, Rosa Lobato de Faria apresenta peculiares histórias, todas elas imensamente interessantes e com um charme característico que faz as delícias dos leitores. Dando uso ao espetacular tom poético a que já nos habituou, a autora convida-nos a navegar em diversos mundos, alguns tenebrosos e desconcertantes, outros ternos e jubilosos. A multiplicidade de temas é vastíssima, pois estes oscilam desde a História de Portugal até Deus, passando pela vida conjugal e o erotismo. Alguns destes contos, especialmente os mais obscuros, têm verdadeiro potencial cinematográfico, tanto pela forte carga de misticismo que carregam, como pelo rumo impremeditável que a narrativa toma. Uma leitura extremamente aprazível, que deixará o leitor estupefacto, quer pela qualidade da escrita, quer pelo conteúdo surpreendente.
Adoro a escrita da Rosa Lobato de Faria, tanto nos põe uma manta quentinha pelas costas como nos dá um estalo na cara. São vários contos deliciosos agrupados num livro de bolso com esta capa toda bonita. O meu preferido – Um banco de Jardim - a morte com olhos verdes cegos que arranja um cão, como sugerido pelo senhor Pascoal, para farejar as pessoas certas para morrer. Já se sabe que o cão o farejou a ele. Outro que gostei bastante – Vem o Senhor – a história de Dª Maria Telles, irmã de Dª Leonor Telles. Que pena nunca ter escrito um romance histórico porque este conto dava um livro maravilhoso. E também “Criada para Todo o Serviço”, “A Fórmula”, “Maçã” todos com o twist certo no final. E “O Laço” ? caramba! Que grande maluquice. Obrigada amiga Pat por me teres apresentado a tia Rosa, já faz parte da minha estante.
Os linhos da avó é um livro de contos. Gostei bastante de uns - linguagem poética que a escritora já nos habituou; não gostei nada de outros - lugares comuns de histórias também elas comuns.
3 estrelas parece-me pouco, mas 4 estrelas parece-me excessivo. Em boa verdade, o conjunto de contos de Rosa Lobato Faria mereceria 3,5 estrelas. O meu conto favorito foi, sem dúvida, o Laço.